Nascida em uma família de alta linhagem em Ogboro, atual Estado de Oyó, na Nigéria, provavelmente durante o século XV. Seu nome vincula-se aos tempos iniciais do antigo Império de Oyó, quando história e lenda por vezes se confundem.
Baseado em informações recolhidas da tradição oral junto aos arokins, os bardos reais do palácio dos alafins de Oyó, o erudito Samuel Johnson registrou no final do século XIX dados da história de Iyayun na primeira parte do livro The history of the yorubas (A história dos yorubas) (1897).
Ela teria sido filha de Aganju, o mais alto governante de Ogboro, que detinha o título de Onisambo, equivalente a rei. Na juventude, foi desejada pelo poderoso e orgulhoso Aganju, quarto governante real (alafin) da antiga cidade de Oyó. Como o pai dela recusasse entrega-la em casamento, o pretendente conduziu uma dura guerra, capturando os adversários vencidos e destruindo suas comunidades.
Levada à força para Oyó-Ilê, após algum tempo Iyayun manteve relações com Lugbe, um dos filhos de Aganju, motivo pelo qual este foi sentenciado à morte e executado. O alafin morreu pouco tempo depois consumido pela dor, enquanto ela engravidou e deu à luz o sucessor, chamado Kori.
Até o momento do parto coube ao alto dignitário que desempenhava a função de Basorun administrar o reino, mas com o nascimento da criança ela governou durante toda a menoridade dele como regente. Conforme Johnson, em todo aquele período “ela usava a coroa, vestia as roupas reais, foi investida com o Ejigba, o Opa ileke e outras insígnias reais, e governou o Reino como homem até que seu filho fosse maior de idade”.
A história de Iyayun, ainda que lacunar, fragmentária, confirma o papel diferencial de mulheres em qualquer posição que tivessem a oportunidade de ocupar nas sociedades africanas anteriores ao colonialismo, e na história das sociedades de língua yoruba.
BIBLIOGRAFIA
JONHSON, Samuel. The history of yorubas: from the earliest times to the beginning of British Protectorate. Lagos: CMS Bookshops, 1921.
OYEWÙMÍ, Oyèronké. Making history, creating gender: some methodological and interpretative questions in the writing of Oyó oral traditions. History in Africa (Cambridge, v. 25, p. 263-305, 1998.
Última atualização em: 03/06/2021
































