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Abiodun Duro-Ladipo (1941)

Atriz, cantora e produtora nigeriana, nasceu em Ijan-Ekite e pertence a uma família real. Completou o ensino secundário em 1963 e alimentou o desejo de ser enfermeira. No entanto, seus planos mudaram quando ela se juntou à companhia teatral de Duro-Ladipo (1963). O mentor da Companhia, o teatrólogo e escritor popular Duro-Ladipo logo reconheceu o seu talento e zelo pelo teatro e a encorajou a permanecer na trupe, vindo depois a se casar com ela (1964).

Abiodun Duro-Ladipo é mais conhecida por seus papéis nas epopéias dirigidas por seu marido. Ela representou a heroína Moremi, na peça homônima. Também já personificou a divindade Oyá na peça intitulada Oba Koso, além de participar de muitas outras nos quinze anos em que trabalhou na trupe, tendo participado como atriz e cantora no Festival de Berlim, Teatros Mundo (1964), Commonwealth Arts Festival (1965), Festival Mondial du Theatre (1973), Festival Youruba em Zurique (1973), entre outros ocorridos em Belgrado, Persépolis e Roma.

Após a morte de Duro-Ladipo, em 1978, ela tomou a frente da companhia de teatro, algo inédito em seu país, zelando pela divulgação da cultura yorubá, mas ampliou o foco, produzindo também para a televisão. Algum tempo depois, foi convidada por Arthur Hall para levar a peça Oba Koso para os Estados Unidos (1987).

Para a televisão, realizou séries em diversas emissoras nigerianas, em geral tratando de temas épicos, entre as quais Oya Sings (1979), Binaku (1981), Oyinbo Ajele (O governador provincial britânico), Esentaye (1997) e Ayelaagbe (1998). Nelas e em filmes, sempre representa papéis de sacerdotisa, deusa, mãe, etc., ressaltando o caráter heroico delas, de modo a valorizar a cultura africana do passado. Em 2009 Abiodun reencenou Moremi, heroína que, segundo ela, é bem diferente dos líderes atuais, “que nos prometem o céu e a terra, mas acabam nos enganando”.

BIBLIOGRAFIA

DURO-LADIPO, Abiodun. I only wanted to help him. Bayreuth: Iwalewa- Haus, 1988.

 OGUNBIYI, Yemi (Ed.). Drama and theatre in Nigeria: a critical source book. Lagos: Nigeria Magazine, 1981.

OGUNLEYE, Foluke. “Abiodun Duro-Ladipo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 266-267.

RAJI-OYELADE, Remi; OLORUNYOMI, Sola; DURO-LADIPO, Abiodun. Duro Ladipo thunder-god on stage. Ibadan: Institut of African Studies – University of Ibadan, 2008.

A pessoa criativa – Duro Ladipo, com legendas em português, 1967, 29min: https://youtu.be/RyzYRNgsqIU

Christiana Abiodun Emanuel (1907-1994).

Fundadora e líder de uma comunidade cristã nigeriana conhecida como Cherubim and Seraphim Society (Sociedade dos Querubins e Serafins). Nasceu como Abiodun Akinsowon, em Porto Novo, na atual República do Benin. Era filha de uma família de retornados (sarôs) com ligações familiares e comerciais ao longo da costa da África Ocidental. O pai, reverendo B. A. Akinsowon era pastor de uma igreja em Porto Novo, onde também tinha negócios. Batizada na Igreja Anglicana de Lagos, aí freqüentou o ensino fundamental até 1920.

Manteve contatos comerciais com uma tia que atuava no Mercado em Lagos. Em 1925 passou por uma experiência mística quando assistia a uma procissão religiosa, permanecendo em transe durante sete dias, aparentemente em coma. Ao ser despertada por Moses Orimolade Tunolase, reputado benzedor e curandeiro, afirmou ter sido levada aos céus por anjos. Ambos passaram a realizar sessões regulares de oração, atraindo seguidores e simpatizantes a quem denominaram de Egbe Serafu (Sociedade Serafim).

Em 1927,  viajaram pela Nigéria e Gana, espalhando a palavra de suas atividades e estabelecendo filiais em muitas cidades, e passando a fazer parte do movimento Aladura (em yoruba: “donos da oração). O grupo encorajava as orações e o jejum, condenava a feitiçaria e o culto às divindades tradicionais, realizando procissões que envolviam milhares de pessoas  vestidas de branco  que seguiam o casal enquanto eram levados em um carrinho. Este rigorismo e oposição aos costumes tradicionais despertou oposições e queixas tanto de outras organizações cristãs quanto de chefes locais.

Quando Orimolade aceitou outra mulher jovem como sua seguidora, surgiram desentendimentos com Christiana Abiodon, e eles se separaram, formando dois grupos distintos (1929).  Ela ficou na liderança da Sociedade dos Querubins e Serafins, enquanto ele passou a designar o seu grupo como Ordem Sagrada Eterna dos Querubins e Serafins.  Seguiram-se outras divisões internas nas décadas posteriores, mas tais grupos espalharam-se por diversos locais em que comunidades yorubás estão presentes.  Em 1986 ela foi instalada como líder dos grupos internacionais, numa tentativa de organizar os fiéis dispersos pelo mundo.

BIBLIOGRAFIA

OMOYAJOWO, J. Akinyele. Cherubim and Seraphim: the history of an african independent church.  Nova Iorque: NOK, 1982.

PEEL, J. D. Y.  Aladura:  a religious  movement among the yoruba. Oxford: Oxford University Press, 1968.

SHELDON, Kathleen. “Christiana Abiodun Emanuel”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 298.

Folayegbe Akintunde-Ighodalo (1923-2005)

Pioneira do movimento feminista na Nigéria, funcionária pública, e democrata, nasceu em Okeigbo, hoje uma pequena cidade no Estado de Ondo. Seu nome completo era Felicia Folayegbe Mosunmola Idowu Akintunde-Ighodalo, e sua família pertencia ao grupo étnico yoruba, sendo a mãe dela descendente do Ooni (rei-sacerdote) Derin Ologbenla – da linhagem governante de Ile-Ifé. Embora os pais tivessem adotado o cristianismo como religião, ela foi criada pela comunidade familiar em que alguns membros continuavam as práticas religiosas tradicionais.

Começou o estudo primário em escola missionária e ganhou uma bolsa para o Queen’s College, escola secundária do governo de elite para garotas em Lagos. A seguir, estudou na Cambridge School (1941) e entrou para o United Missionary College, em Ibadan, onde se formou para o Magistério em 1943. Nos primeiros cinco anos de vida profissional, trabalhou em diversas escolas secundárias em Lagos, Sapele e Ile-Ifé, e a seguir ganhou uma bolsa de estudos que lhe permitiu estudar na Universidade de Londres. 

Durante sua formação universitária, participou de organizações estudantis e ingressou no movimento anticolonial, adotando as premissas do pan-africanismo. Quando estudou Economia na Escola de Comércio Politécnica Regent Street (1954), trabalhou em meio período nos correios. Ao abraçar mais diretamente a causa e os valores nacionalistas, rejeitou o nome cristão, Felicia, em favor de seu nome yoruba, Folayegbe, ou sua forma abreviada, Fola. Ela foi então contratada para trabalhar no governo nigeriano, em Ibadan, casou-se com Jeremiah Ighodalo e deu à luz ao seu primeiro filho.

Nas atividades desenvolvidas junto ao Ministério do Desenvolvimento, sentiu a discriminação dos superiores britânicos pelo fato dela ser mulher, mas conquistou espaço e respeito por sua determinação e qualificação. Atuou em diversos ministérios, incluindo comércio e indústria; educação; trabalho e transporte; agricultura e recursos naturais; e assuntos internos e informação.

Em 1958 ela preparou os novos quadros de secretários que assumiriam o trabalho administrativo após a independência, e ajudou a projetar a política industrial e agrícola que modelaram os planos de desenvolvimento regional antes da primeira tomada de controle militar em 1966. Em 1968, foi promovida ao posto de secretária permanente do governo, tornando-se a primeira mulher nigeriana a ocupar esta função até 1976, quando se aposentou. É vista como um modelo de servidora pública de carreira para jovens mulheres que almejam alcançar o ensino superior e ingressar na vida profissional e na vida pública.

Diversas vezes foi convidada a falar como porta-voz das mulheres em questões relativas ao desenvolvimento, em discursos, conferências e matérias jornalísticas. Embora não pudesse tomar parte em atividades políticas devido a sua posição no serviço público civil, ela teve papel em diversas organizações de mulheres, com participação no Council of Women’s Societies (Conselho das Sociedades de Mulheres) (1957) e na fundação da Associação Nigeriana das Mulheres Universitárias – NAUW, da qual veio a ser presidenta (1980-1984).

Depois da aposentadoria, gerenciou negócios agrícolas, participou de conselhos, prestou serviços de consultoria e integrou comissões de inquérito. Intensificou a participação no movimento de mulheres e participou de vários programas de valorização comunitária, além de manter profundo interesse por ações ligadas a cultura tradicional yoruba.

Em 1972 ela recebeu dois títulos tradicionais, o primeiro, como Otun Iyalode de Ifetedo, e o segundo, como Wabodu de Okeigbo. Este último título lhe conferia as responsabilidades como princesa principal da casa de governo Giesi de Ile-Ife. Em reconhecimento ao serviço prestado à Nigéria, o presidente Olusegun Obasanjo a investiu como Oficial da Ordem do Níger em 1977.

Fonte da imagem: Blog Emotan. 04 jan. 2012. Disponível em:  https://emotan.wordpress.com/2012/01/04/nigerian-womens-empowerment-the-voice-of-folayegbe-akintunde-ighodalo/. Acesso em: 11 dez. 2020.

BIBLIOGRAFIA

DENZER, LaRay. Folayegbe M. Akintunde-Ighodalo: a public life. Ibadan: Sam Bookman Publishers, 2002.

DENZER, Laray. “Folayegbe Mosunmola Akintunde-Ighodalo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 145-147.

MCINTSH, Marjorie Keniston. Yoruba women, work, and social change. Bloomington: Indiana University Press, 2009. 

Funmilayo Ransome-Kuti (1900-1978)

Pertencente a uma família aristocrática tradicional de língua e cultura yoruba, com nome de nascimento Francis Abigail Olufunmilayo, nasceu em Abeokuta, Nigéria, era professora de formação   e se destacou como líder nacionalista, política, ativista em defesa dos direitos das mulheres e uma das primeiras feministas africanas a ter reconhecimento internacional. Foi a primeira mulher de seu país a dirigir um carro, liderou a campanha pelo direito das mulheres nigerianas ao voto, e teve papel determinante na luta anti-colonial.

Durante o período colonial, em 1949 ela liderou com sucesso as mulheres egbas da cidade de Abeokutá, no Estado de Ogun, contra o controle de preços e taxações pelas autoridades inglesas que contava com o apoio do alake (monarca) de Egba chamado Ademola II, sob a alegação de abuso de autoridade, o que levou à vitória do movimento e à renúncia do monarca africano. Na ocasião, ela foi descrita pelo jornal West African Pilot como “A leoa de Lisabi”. Algum tempo depois, em 1953, fundou a União das Mulheres de Abeokutá, a Federação de Sociedades de Mulheres e a vinculou à Federação Democrática Internacional das Mulheres.  Ao ser expulsa do partido governista, o Council of Nigeria and Cameroons – NCNC (Conselho da Nigéria  e dos Camarões), fundou o  Commoner’s People’s Party (Partido Popular dos Plebeus), que passou a atuar como oposição ao governo.

No contexto da independência da Nigéria, seu ativismo e militância a aproximou do socialismo e a colocou sob vigilância dos poderes instituídos. Suas viagens à União Soviética, Hungria e China irritaram as autoridades. Em 1956 ela não teve o passaporte renovado na Nigéria e algum tempo depois não obteve visto de entrada nos Estados Unidos, sob a alegação de que era comunista. 

Casada em 1925 com o reverendo e professor Israel Oludotun Ransome-Kuti, ela foi a mãe dos ativistas Fela Anikulapo Kuti, músico de renome internacional; Beko Ransome-Kuti, médico; e Olikoye Ransome-Kuti, professor, doutor, médico e ministro da saúde; e era tia do dramaturgo Wole Soyinka. Em 1968 foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Ibadan. Sua morte ocorreu algum tempo depois da comuna liderada por Fela Kuti ter sido invadida por militares armados, em fevereiro de 1978, quando ela foi jogada pela janela do edifício em que estava. Ela entrou em coma algum tempo depois, vindo a falecer.

BIBLIOGRAFIA

CHUKU, Gloria. Funmilayo Ransome-Kuti”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 177-178.

JOHNSON-ODIN, Cheryl. For their freedom’s: the anti-imperialist and international feminist activity of Funmilayo Ransome-Kuti of Nigeria. Women’s Studies International Forum, v. 32, n. 1, p. 51-59, 2009.

MBA, N. E.. Olofunmilayo Ransome-Kuti. In: AWE, Bolanhe (Ed.). Nigerian women in historical perspective. Lagos: Sankore Publishers, 1992.

OFOEGO,  Obioma. Fumilayo Ransome-Kuti and the women’s of Abeokuta.  New York: UNESCO, 2014. Disponível em:  http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/publications/frk_en.pdf

Iyayun (século XV)

Nascida em uma família de alta linhagem em Ogboro, atual Estado de Oyó, na Nigéria, provavelmente durante o século XV. Seu nome vincula-se aos tempos iniciais do antigo Império de Oyó, quando história e lenda por vezes se confundem.

Baseado em informações recolhidas da tradição oral junto aos arokins, os bardos reais do palácio dos alafins de Oyó, o erudito Samuel Johnson registrou no final do século XIX dados da história de Iyayun na primeira parte do livro The history of the  yorubas (A história dos yorubas) (1897).

Ela teria sido filha de Aganju, o mais alto governante de  Ogboro, que detinha o título de Onisambo, equivalente a rei. Na juventude, foi desejada pelo poderoso e orgulhoso Aganju, quarto governante real (alafin) da antiga cidade de Oyó. Como o pai dela recusasse entrega-la em casamento, o pretendente conduziu uma dura guerra, capturando os adversários vencidos e destruindo suas comunidades.

Levada à força para Oyó-Ilê, após algum tempo Iyayun manteve relações com Lugbe, um dos filhos de Aganju, motivo pelo qual este foi sentenciado à morte e executado.  O alafin morreu pouco tempo depois consumido pela dor, enquanto ela engravidou e deu à luz o sucessor, chamado Kori.

Até o momento do parto coube ao alto dignitário que desempenhava a função de Basorun administrar o reino, mas com o nascimento da criança ela governou durante toda a menoridade dele como regente. Conforme Johnson, em todo aquele período “ela  usava a coroa, vestia as roupas reais, foi investida com o Ejigba, o Opa ileke e outras insígnias reais, e governou o Reino como homem até que seu filho fosse maior de idade”.

A história de Iyayun, ainda que lacunar, fragmentária, confirma o papel diferencial de mulheres em qualquer posição  que tivessem a oportunidade de ocupar nas  sociedades africanas anteriores ao colonialismo, e na história das sociedades de língua yoruba.

BIBLIOGRAFIA

JONHSON, Samuel. The history of yorubas: from the earliest times to the beginning of British Protectorate. Lagos: CMS Bookshops, 1921.

OYEWÙMÍ, Oyèronké. Making history, creating gender: some methodological and interpretative questions in the writing of Oyó oral traditions.  History in Africa (Cambridge, v. 25, p. 263-305, 1998.

Iye Idolorusan (+1870-1875)

Governanta do reino Warri de Itsekiri, na região do Delta do Rio Níger, na atual Nigéria, uma área muito ativa no comércio de escravos, óleo de palma, borracha e outros itens. Era filha do olu (rei) Erejuwa e sua esposa Emaye.

Após a morte do pai e dos sucessores presuntivos, um período de turbulência e disputas de sucessão colocaram a estabilidade do reino em perigo, sobretudo após as mortes sucessivas de Akengbuwa, Omateye e Ejo no ano de 1848, em circunstâncias suspeitas. Durante alguns anos o reino ficou acéfalo e o comércio declinou.

Foi então que Iye Idolorusan assumiu o controle. Estava em posição de vantagem como meia-irmã do rei e irmã dos herdeiros, todos falecidos. Era também esposa de Omoku, um ex-governador de Bobi, um estado vizinho de Warri, com quem teve um filho. Além disso, era uma comerciante rica e influente, negociante de escravos e de óleo de palma, reverenciada e chamada popularmente de “Rainha Dola”.

Com o apoio de um escravo de confiança chamado Ebrimoni ela manteve o governo de Warri contra a vontade dos agentes comerciais britânicos, embora nunca tenha conseguido ser reconhecida como rainha, mas apenas como regente. 

O efetivo poder da sociedade itsekiri se dividia entre casas comerciais rivais; então, criou-se um cargo de “Governador do Rio” (Níger), exercido por uma espécie de ministério do comércio, que se tornou o mais importante órgão governamental da sociedade itsekiri. A partir daí, não se elegeu mais nenhum olu em Warri até 1936. 

BIBLIOGRAFIA

LLOYD, P. C.. The itsekiri in the nineteenth century: an outline social history. Journal of African History, v. 4, n. 2, p. 207-231, 1963.

SHELDON, Katleen. “Iye Idolorusan”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 176-177.

Nike Monica Okundaye (1951)

Artista têxtil e pintora nigeriana, nasceu em Ogidi-Ijumu, Estado de Kogi, na Nigéria.  Ela trabalha com adire, uma técnica tradicional de tecelagem desenvolvida pelas mulheres yoruba da Nigéria. Sua bisavó, a yalode chamada Osadaun Ibitola, produzia tecidos adire e apresentou à Nike essa arte tradicional. Tais conhecimentos são tradicionalmente femininos e fazem parte de suas responsabilidades domésticas.

A técnica consiste em tingir os tecidos com tonalidades de azul obtido a partir do uso de tinta extraída das folhas da planta chamada indigo. Nike adicionou um novo ingrediente à arte, utilizando o batique, uma pintura de tecidos de origem indonésia, em pinturas sobre tela e em painéis de madeira. Suas obras representam a história, as tradições e a cosmologia do povo yoruba.

Aos seis anos de idade, sua mãe faleceu e aos sete sua avó Oraun Iyawo Amujobi também faleceu. Por conta do costume de as mães pagarem pela escolarização dos filhos, Nike teve que sair da St Michael Primary School (Escola Primária de St. Michael) quando estava no sexto ano. Então ela passou a trabalhar, carregando concreto para obras e realizou outros trabalhos pesados, porém continuou a produzir os tecidos.

Aos dezesseis anos, seu pai quis forçá-la a se casar com um importante político local. Ela decidiu fugir com um teatro itinerante para Osogbo, e mesmo menor de idade trabalhou como dançarina para o grupo dirigido por Taiwo Olaniyi Oyewale no Mbari Mbays Club (Clube de Mbari Mbay). Este local, de propriedade de Uli e Georgina Beir, dois imigrantes alemães, na década de 1960 foi um espaço importante para os artistas no renascimento da arte na Nigéria.

Apesar das dificuldades enfrentadas Okundaye desenvolveu-se profissionalmente e se tornou artista, educadora e filantropa, cujo trabalho ajudou a dar oportunidades econômicas para mulheres e jovens. Desde 1983 ela é diretora da Nike Center for Art and Culture (Centro de Arte e Cultura Nike), núcleo que ela fundou sem ajuda governamental. O centro oferece cursos em diversas ramos da arte sem custo para jovens nigerianos.

Em 1985 ela participou de uma exposição organizada pela ONU, em 1989 participou de uma exposição no National Museum of Women in the Arts (Museu Nacional das Mulheres nas Artes) em Washington. Dez anos mais tarde abriu uma fábrica de adire, empregando milhares de mulheres em Kabba, no estado de Kogi. Em 2000 ministrou oficinas de treinamento na Itália como parte de um evento contra a prostituição no país.

Em 2002 Nike abriu um museu e uma galeria de arte e centro de pesquisa para estudo sobre os tecidos adire, o Nike Research Centre for Art and Culture (Centro de Arte e Cultura Nike) na aldeia de Piwoyi. Em janeiro de 2007 a artista participou como facilitadora e painelista da conferência mundial Vital Voices: Pan-African leadership summit and initiative for women and girls (Vozes vitais: Iniciativa da cúpula pan-Africana para a liderança de mulheres e jovens), com o trabalho intitulado Art, actvism and women empowerment (Arte, ativismo e empoderamento feminino). Logo depois foi convidada a ministrar palestras e oficinas sobre batique e adire na Universidade do Sul da Flórida.

Nike Okundaye é membro da Society of Nigerian Artists (Sociedade dos Artistas Nigerianos) e da Society of Nigerian Women Artists (Sociedade das Mulheres Artistas Nigerianas). É casada com o chefe Reuben Osaruyi Okundaye e é mãe e seis filhos. Por sua liderança, ativismo e compromisso com as comunidades tradicionais, com as mulheres e jovens, ela recebeu diversos títulos e distinções, entre os quais os de “Yeye Oba”, “Ogidi-Ijumu” e “Yeye Tasase” em Osogbo.

BIBLIOGRAFIA

CASTELLOTE, Jess. Tola Wewe, Nike Okundaye and the emergence if third artist: “Nike & Wewe. In:  A view from my corner, 2009: http://jesscatellote.wordpress.com/2009/11/

VAZ, Kim Marie. The woman with the artistic brush: a like history of youruba batik artist Nike Davies. Armonk; M. E, Sharpe, 1995.

VAZ, Kim Marie. “Nike Monica Okundaye”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 25-26.

Oyèrónkẹ́ Oyèwùmí (1957)

Cientista social, teórica e feminista nigeriana.  Nasceu em Ògbọ́mọ̀sọ́, cidade situada no atual Estado de Oyó, na República da Nigéria. Pertence a uma importante linhagem yoruba,Seu pai foi elevado em 1973 à condição de sòún (monarca) de sua cidade natal, o que fez com que ela tivesse desde a juventude grande familiaridade com a vida no ààfin sọ̀ún (palácio), e continuada participação nos rituais, festas e costumes tradicionais de matriz yoruba-oyó.

 Oyèronké completou o estudo primário e secundário em Ògbọ́mọ̀só, realizou o curso superior de Sociologia na Universidade de Ibadan e obteve o Doutorado em Sociologia na Universidade da California, onde defendeu a tese Mothers not women: making an african sense of western gender discourses  (Mães e não mulheres: criando um sentido africano para os discursos de gênero ocidentais) (1993). Este trabalhou veio depois a ser publicado com o título The invention of women; making an african sense of western gender discourses (A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero) (1997), livro que lhe rendeu o prêmio da American Sociological Association (Associação Americana de Sociologia) e se distinguiu como finalista ao Prêmio Herskovitts da African Studies Association (Associação dos Estudos Africanos). 

A obra de Oyèronké Oyèwúmi propõe uma crítica pós-colonial e feminista do predomínio ocidental nos Estudos Africanos, a partir de uma argumentação de cunho epistemológico. Com base em trabalho interdisciplinar, ela argumenta, com base em evidências linguísticas e  etnográficas que antes da colonização britânica,  a sociedade yoruba-oyó do sudoeste da Nigéria não organizava os papeis sociais a partir de hierarquias sexuais, corporais e de gênero, e sim pela senioridade. Ela sustenta que a tradução dos termos obìnrin e ọkùnrin, correspondem, respectivamente, a mulher/fêmea e homem/macho, já carrega em si mesmas a divisão ocidental da percepção dos modos de organização social baseada no gênero; o mesmo acontecendo com a tradução de aya e ọkọ para “esposa” e “marido”, que também supõem tal distinção. No contexto yoruba, seria a idade cronológica relativa, e não o tipo sexuado de corpo, a responsável pela distribuição dos lugares de prestígio na sociedade.

Na construção de seu argumento, nota que a percepção ocidental, introduzida durante o período colonial, organiza a lógica cultural em torno do sentido da visão, que identifica pelo olhar lugares sociais destinados a determinados tipos de corpos, o que não aconteceria nas sociedades yorubas, onde maior importância tende a ser dada ao sentido da audição. Tal centralidade conferida ao corpo na perspectiva ocidental acaba por ser projetada nas formas de organização social, naturalizando em termos de uma bio-lógica os discursos sociais e produzindo paradigmas etnocentrados segundo critérios de hierarquia e subordinação. Nas cosmologias e instituições africanas, haveria distinção anatômica dos corpos sem diferença social. Esta seria conferida pela estrutura da linhagem familiar, tanto pela posição etária quanto pela origem social.

Beneficiada com diversas bolsas de pesquisa pela Fundação Rockfeller, Ford Fondation e pelo Conselho Nacional de Pesquisa Sobre Mulheres – NCRW, dos Estados Unidos, Oyèronké leciona Sociologia na Universidade de Stony Brook, no Estado de Nova Iorque.  Entre outras obras, publicou African Women and Feminism: Reflecting on the Politics of Sisterhood (Mulheres africanas e feminismo: refletindo sobre políticas de sororidade) (2003);  African Gender Studies: A Reader  (Estudos africanos de gênero: uma leitura) (2005) e Gender epistemologies in Africa: gendering traditions, spaces, social institutions and identities  (Epistemologias de gênero na África: tradições, espaços, instituições e identidades de gênero) (2011).

BIBLIOGRAFIA

ADESINA, Jimi. Práticas da Sociologia Africana: Lições de endogeneidade e género na academia. In: SILVA, Tereza Cruz e; COELHO, João Paulo Borges; SOUTO, Amélia Neves de (Orgs.). Como Fazer Ciências Sociais e Humanas em África: questões epistemológicas, metodológicas, teóricas e políticas (Textos do Colóquio em Homenagem a Aquino de Bragança). Dakar: CODESRIA, 2012, p. 195-210.

OYEWÙMÍ, Oyèwùmi.  La invención de las mujeres: una perspectiva africana sobre los discursos occidentales del género. Bogota: En la Frontera, 2016:  https://ayalaboratorio.files.wordpress.com/2019/06/a-invencao-das-mulheres-oyc3a8ronke-oyewumi.pdf

ROCHA, Aline Matos da. A corporal(idade) discursiva à sombra da hierarquia e do poder: uma relação entre Oyewúmí e Foulcault. Dissertação de Mestrado (Filosofia), Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2018: https://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstream/tede/8955/5/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Aline%20Matos%20da%20Rocha%20-%202018.pdf

Promise Ogochukwu Okekwe (1970)

Nascida com o nome de Promise Ogochukwu Onwudiwe, em Enugu, Nigéria. O pai, P. D. I.  Onwudiwe, trabalhou no Ministério da Educação e a mãe, Janet, era professora. Em 1989 formou-se em Inglês e Estudos Literários na Universidade de Calabar (1989), e depois concluiu o mestrado em Comunicação e Artes Linguísticas (1992) e o doutorado (1997) na Universidade de Ibadan.

Entre os anos de 1989 e 1991, Promise trabalhou na Comissão de Iluminação Pública da Federal Road Safety Comission, onde desenvolvera trabalhos educativos sobre segurança no trânsito, prevenção à acidentes, além de ser responsável pelas relações públicas do órgão. Depois deu início à sua carreira acadêmica, lecionando entre os anos de 1995 e 1998 no Yaba College of Technology (Colégio de Tecnologia de Yaba) e em seguida no  The Polytechnic Ibadan (Politécnico de Ibadan), onde ensinou comunicação, redação, literatura africana , Inglês  e relações públicas.

Envolvendo-se em atividades muito variadas, no final da década de 1990 ela atuou durante algum tempo em corporações bancárias, nas áreas de informação, inovação, marketing e comunicação.  Paralelamente, aproximou-se de autoras consagradas como Flora Nwapa e Buchi Emecheta, e fundou a Oracle Books Ltd, voltada para a promoção de jovens escritoras talentosas, e em 2005 criou a Organização Não Governamental The Lumina Foundation, voltada para a promoção, com suporte técnico e pedagógico, da excelência intelectual, da criatividade  e do desenvolvimento.

 Como escritora Promise tem publicações nos mais diversos gêneros literários, com quatorze romances, seis coleções de poesia, duas coleções de contos, quatro peças teatrais, duas obras motivacionais, além de ensaios e literatura infanto-juvenil.  Por vezes ela assina sob o pseudônimo Ada Iloekunanwa. Algumas obras são: In the middle of the night (No meio da noite) (2005), Soul-Journey into the Night (Viagem da alma à noite) (1992), Marry me to the rain god  (Case-me com o deus da chuva) (1993), Rubble (2000), The Street Beggars (Os mendingos da rua) (2001). Com destaque em várias áreas da criação e do conhecimento, na esfera acadêmica, administrativa, educativa, como editora, romancista e dramaturga, Okekwe exerce notável influência na literatura contemporânea nigeriana.

BIBLIOGRAFIA

EMENYONU, Ernest. “Promise Ogochukwu Okekwe”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 14-15.

IWUCHUKWU , Onyeka. Nigeria —The Challenge of (and for) the Female Playwright. Critical Stages / Scenes Critiques, n. 15, 2017: http://www.critical-stages.org/15/nigeria-the-challenge-of-and-for-the-female-playwright/

OKOYE, Chikwuma. Posting the agenda in african women’s writing: the postcolonial condition in Promise Okekwe’s novels. In: AZODO, Ada Uzoamaka; EKE, Ngozi (Eds.). Gender and sexuality in african literature and film. Trenton:  Africa World Press, 2007, p. 55-71.

Sarah Forbes Bonetta (1843–1880)

Nascida na aldeia de Oke-Odan, em Egbado, no seio da aristocracia dos egbas, o nome nativo pelo qual foi conhecida era Omoba, provavelmente do iorubá, significando “filha do rei”, “princesa”. Seus pais morreram durante um ataque do exército daomeano no período de governo do rei Ghezo, em 1848, quando ela foi levada como cativa para o Daomé.

Resgatada pelo oficial britânico Frederick E. Forbes, passou a ser chamada de Sarah, sendo-lhe acrescentado o sobrenome do seu protetor, Forbes, e o nome do navio deste (Bonetta). Dada como presente pessoal do rei daomeano Ghezo à rainha Vitória, viveu desde os cinco anos no palácio real britânico, na qualidade de afilhada da rainha.

Recebeu alta instrução na Europa e na África, na idade adulta, casou-se com o Capitão J. P. L. Davies, influente negociante iorubano na cidade de Lagos, com quem teve três filhos. Sua descendência passou a integrar o rol das famílias aristocráticas em Serra Leoa e na Nigéria no século XX.

BIBLIOGRAFIA

BRESSEY, Caroline. Of Africa’s brightest ornaments: a short biography of Sarah Forbes Bonetta. Social & Cultural Geography, v. 6, n. 2, 2005.

MYERS, Walter Dean. At her majesty’s request: an african princess in victorian England. London: Scholastic, 1999.

Tejumade Alakija (1925–2013)

Educadora nigeriana, funcionária pública, ativista dos direitos das mulheres.  Nasceu em Ile-Ifé, era filha do Ooni (governante) Adesiji Aderemi, governante tradicional da cidade sagrada da comunidade yoruba. Frequentou a escola primária nas Escolas Primária e Central Aiyetoro em Ile-Ife (1933-1937) e no Internato de ensino primário Kudeti em Ibadan. Completou a formação na Inglaterra, onde se graduou em História e fez pós-graduação em Educação na Universidade de Oxford (1951).

Retornando ao seu país, atuou no serviço colonial, lecionando na Escola Pública Primária da Rainha na cidade de Ede (1950-1953). A seguir, fundou uma escola secundária para meninas com o apoio da Missão Anglicana na diocese de Ijebu-Ode, que dirgiu por quatro anos, e lecionou na escola primária de Abeokuta (1958).

Com a independência (1960), Tejumade Alakija assumiu a função de secretária assistente no Ministério Público do Trabalho, e como oficial de treinamento na região da Nigéria Ocidental, no Estado de Oyó (1962), quando seu pai era o governador regional. Nos anos seguintes, foi nomeada secretária assistente do Ministério do Comércio e Indústria na Nigéria Ocidental (1964), e depois diretora de investimentos no Ministério do Comércio (1969), quando supervisionou diversos projetos industriais e de desenvolvimento. De 1976 a 1978 assumiu o cargo de secretária adjunta do Ministério da Saúde. Depois, no Ministério da Educação, simplificou o sistema de admissão para universidades de toda a Nigéria (1978-1979). Continuou a ocupar postos na administração pública até 1983, quando se aposentou.

Nos anos 1990, Tejumale Alakija teve participação importante na administração do ensino superior, como pró-chanceler e presidenta do Conselho na Universidade de Abuja (1993- 1997). Na primeira década do século 21, prestou assessoria informal a líderes políticos nigerianos e continuou a servir como iyalodê (chefe mulher) de sua cidade. Muitos líderes políticos e destacados intelectuais compareceram na festa de seu 80° aniversário em 2005, quando representava um modelo de estadista para jovens gerações de feministas nigerianas.

BIBLIOGRAFIA

FALOLA, Toyn; GENOVA, Ann. Historical dictionary of Nigeria. Lanham: Scarecrow Press, 2008.

MADICHIE, N. O.. Setting an agenda for women entrepreneurship in Nigeria: A commentary on Faseke’s journey through time for The Nigerian Woman. Gender in Management, v. 26, n. 3, p. 212-219, 2011:  https://doi.org/10.1108/17542411111130972

RICH, Jeremy. “Tejumade Alakija”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 155-156.

Wuraola Adepeju Esan (1909–1985)

Política, ativista feminista e educadora, nasceu em Calabar, cidade portuária no leste da Nigéria. Seu pai pertencia a uma poderosa família de Ibadan, serviu às autoridades coloniais e era chefe maior da cidade. Sua mãe,  Madame Ajitie Ojo, recebeu o apelido de  Iya Gbogbo, que significa “a mãe de todos”, por sua riqueza e generosidade enquanto realizava grandes negócios de noz-de-cola e  de pimenta.

Wuraola estudou na Escola Batista para Meninas Idi-Aba, em Abeokutá (1927), sendo então admitida na universidade missionária para mulheres na Nigéria. Depois lecionou no Girl’s Training Centre (Centro de Treinamento para Meninas) de Akure, onde introduziu temas relacionados com a promoção de igualdade de oportunidades para a educação de garotas e garotos.

Casou-se em 1934 com Victor Owolabi Esan, membro de uma influente família cristã de Ibadan,   com quem se estabeleceu em Lagos, e uma década mais tarde fundou em Ibadan uma escola para meninas com um programa voltado para a formação profissional (1944). Junto com outras mulheres yoruba, como Funmilayo Ransome-Kuti, atuou até a década de 1950 no movimento nacionalista e anti-colonial, em particular na seção feminina do Action Group – AG  e na Ibadan Union Progressive (União Progressista de Ibadan).

A imersão de Wuaraola na vida política ocorreu em 1958,  quando pela primeira vez ganhou assento no Conselho do distrito  de Ibadan, e em 1960 foi eleita como senadora no Parlamento nigeriano, onde atuou até 1965.  Foi uma ferrenha crítica da corrupção e tomou várias iniciativas para a promoção das mulheres e a melhoria das condições das mulheres negociantes dos mercados municipais. Representou a Nigéria na Conferência Afro-Asiática no Cairo (1957-1958) e participou das negociações que deram origem ao Conselho da Nigéria e de Camarões.

Quando ocupou uma vaga no Parlamento como senadora (1960-1965),  foi uma crítica da corrupção e da sonegação de impostos e lutou pela ampliação da educação das mulheres e provisão de empréstimos e serviços para ajudar mulheres do mercado. Retirou-se formalmente da vida política em 1966, mas permaneceu ativa em projetos pela promoção da igualdade de direitos das mulheres até a sua morte.

Em 1975 ela recebeu a grande honra de ser chamada pelo título de Iyalodê, reservado à chefia feminina na sociedade yoruba. Uma de suas filhas, Jadesola Olayinka Akande (1940-2008) foi notável ativista feminista, como ela.

BIBLIOGRAFIA

AKANDE, Jadesola. The contribution of woman to national development in Nigeria. Lagos: Nigerian Association of University Woman, 1990.

DENZER, LaRay. Gender and decolonization: a study a three women leaders in West African public life. In: CORNWALL, Andrea (Ed.). Readings in gender in Africa. Oxford: James Currey, 2003, pp. 217-223.

RICH, Jeremy. Iyalode Wuraola Adepeju Esan”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 311-312.

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