Joyce Nomafa Sikakane (1943)

Joyce Nomafa Sikakane
Fonte da imagem: Nelson Mandela Foundation. Disponível em: https://www.nelsonmandela.org/ news/entry/the-lost-letter. Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Jornalista, ativista anti-apartheid, escritora e produtora de filmes, nasceu no distrito de Soweto. Filha do acadêmico Jonathan Mandlenkosi Sikakane, co-autor do primeiro dicionário inglês-zulu (1972), filho do proeminente membro fundador do Congresso Nacional Africano (ANC) e ex-ministro negro da Igreja Luterana da África do Sul, o reverendo Absolum Mbulawa. Sua mãe, Amelia Nxumalo, professora e costureira, era descendente da realeza Suazi pelo seu lado materno.

Na tentativa de protegê-la do currículo degradante e racista imposto pelo Estado, institucionalizado pela Lei de Educação Bantu, Joyce foi enviada para escolas particulares e católicas. Após sua graduação da escola secundária em 1963, ela recusou-se a participar de um dos tribunais tribais segregados e, com o incentivo de seu professor, decidiu seguir carreira no jornalismo.

Seu primeiro cargo foi como repórter do jornal The World, de Johanesburgo, que era dirigido ao público urbano. Ela foi encorajada a escrever histórias que relatassem os crimes e o caos de Soweto, sem discutir questões políticas, raciais e econômicas. Após dois anos, frustrada com as limitações do jornal, ela se aproximou do editor de um jornal mais liberal e político, o Rand Daily Mail.

Tendo iniciado a carreira como repórter eventual (freelance), ela foi a primeira mulher africana a trabalhar no South African Associated Newspaper Group. Construiu sólida reputação profissional ao escrever histórias sobre a realocação forçada de comunidades negras e de pessoas de cor sob as leis de “reassentamento” do governo do Apartheid. Seu envolvimento direto no partido African National Congress – ANC (Congresso Nacional Africano), com divulgação de material de divulgação em nome das famílias de presos políticos levou a que ela própria fosse presa em 1969 junto com Winnie Mandela e outros ativistas, e enviada para a Prisão Central de Pretória, onde permaneceu durante nove meses, e mantida sob vigilância do regime a partir de 1970. Advertida de que ela e outros ativistas corriam perigo ela deixou a África do Sul em 1973 e se casou com o escocês Kenneth Rankin, de quem tinha um filho nascido em 1966, e com quem teve mais quatro.

Em 1977 ela publicou o livro Window on Soweto (Janela em Soweto), que combina memórias, historiografia urbana e análise sociológica. A obra foi proibida na África do Sul, e o dinheiro arrecadado pela sua venda foi empregado na ajuda aos presos políticos sul-africanos. Nela Joyce Sikakane apresenta um dos mais importantes registros do levante estudantil e do subsequente massacre de Soweto em 1976.

No exílio, passou pela Zâmbia, Botswana, Suazilândia, Moçambique, Zimbábue, Alemanha, Inglaterra e Escócia, em seu ativismo junto ao ANC. Ela trabalhou como jornalista, pesquisadora, escritora, e se envolveu em radiodifusão e cinema. Foi produtora assistente em Samora Machel: Son of Africa (Samora Machel: o filho da África) (1987), assessora técnica do filme World Apart (Mundo distante) (1988), produtora de Zimbahwe: the new struggle (Zimbabwe: a nova luta) (1990).

Com o fim do Apartheid, Joyce e sua família retornaram à África do Sul (1995) e algum tempo depois ela testemunhou perante a Comissão da Verdade e Reconciliação (1997), como parte de uma audiência especial sobre mulheres. Ela voltou a trabalhar no campo das comunicações como editora de notícias de rádio e televisão para a South Africa Broadcasting Company, e como produtora de cinema, tendo a sua trajetória reconhecida e homenageada com prêmios como Lifetime Achievement Award da Vodacom (2007).

BIBLIOGRAFIA

DRIVER, Dorothy. Joyce Sikakane, working on the mail.  In:  Daymond, M. J. (Ed.).  Women writing Africa: the Southern Region. Nova Iorque: The Feminist Press at City University of New York, 2003, p. 348-353.

HOUSTON, Gregory; Magubane, Bernard. The ANC political underground in the 1970s. In: Magubane, Bernard (Ed.). The road to democracy in South Africa, v. 2, 1970-1980. Cape Town: Zebra Press, 2004, p. 371-451.

IMMA, Z’Etoile. “Joyce Nomafa Sikakane”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 379-380.

Última atualização em: 22/01/2021

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