Nascida entre os povos de língua Khoikhoi, em território da atual África do Sul. Nada se sabe sobre seus pais ou lugar de nascimento. É certo que sua mãe pertencia a um clã que habitava próximo ao litoral, e que ela foi separada da sua irmã na infância.
Quando os holandeses chegaram no Cabo da Boa Esperança em 1652, Krotoa morava com seu tio, Autshoumao, líder do povo Goringhaicona. Seu povo morou na região de Table Bay, vivendo da caça de mariscos, diferentemente dos khoikhoi do interior que eram pastores itinerantes.
Perto de completar doze anos Krotoa foi morar na casa de Jan Van Riebeeck, o primeiro comandante do acampamento. Os holandeses podem ter sequestrado Krotoa forçando-a a prestar serviço. Entretanto, é mais provável que seu tio a tenha mandado viver com os recém-chegados para ensinar-lhes os costumes locais. Ela passou então a ser chamada de Eva, como costuma aparecer referenciada em registros escritos. Tornou-se uma acompanhante das duas sobrinhas e da esposa de Van Riebeeck, que a ensinaram sobre o cristianismo e a cultura holandesa. No final dos anos 1650 Krotoa voltou a viver com o seu povo, participando de seus rituais, recolhendo informação sobre os chefes da tribo, o gado e os padrões de suas migrações, e a seguir informou aos holandeses, o que a tornou uma pessoa indesejável nas comunidades locais.
Em seu segundo período de contato com os holandeses, ela começou a atuar como negociante, praticando escambo com as populações khoikhoi, oferecendo mercadorias em troca de gado, no que foi bem-sucedida. Isso chamou a atenção do jovem cirurgião Pieter Van Meerfhoff, com quem ela passou a viver formalmente casada em 1664, tendo com ele dois filhos. Após a morte do marido, teve problemas com o governador local, que passou a persegui-la, enquanto ela se tornou alcóolatra, foi acusada pelo suposto abandono dos filhos e por ter uma vida promíscua. Evidenciando-se a dependência alcóolica crônica, em fevereiro de 1669 foi presa por alegado comportamento imoral e depois banida para a Ilha Robben. Faleceu na Cidade do Cabo com aproximados 35 anos.
No século XX, a trágica história de Eva-Krotoa, que ilustra as consequências desastrosas decorrentes dos primeiros contatos de europeus com africanos(as) na África austral, foi contada em livros, encenada no teatro e exibida em filmes.
BIBLIOGRAFIA
ABRAMS, Yvette. Was Eva raped? An exercise in speculative history. Kronos: Journal of Cape History, v. 23, p. 3-21, 1996.
BLOEM, Trudie. Krotoa-Eva: the woman from Robben Island. Cape Town: Kwela Books, 2002.
MALHERBE, C. V.. Krotoa, called Eva: a woman betwen. Cape Town: Centre for African Studies, 1990.
WELLS, Julia. Eva’s men: gender and power in the establishment of the Cape of Good Rope, 1652-1674. Journal of African History, v. 38, 1998.
WELLS, Julia. “Krotoa”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 430-432.
Última atualização em: 26/01/2021
































