Igualmente conhecida como Ma Ngoyi, é considerada a mãe do movimento pela libertação da África do Sul. Nascida em Pretoria, viveu a maior parte de sua vida na pobreza: o pai era operário e a mãe, lavadeira para famílias brancas. Após a morte do pai, foi obrigada a sustentar a mãe, e duas filhas (uma das quais, adotiva). Ficou viúva alguns anos após o casamento, que lhe deixou uma filha.
Apesar de ter abandonado os estudos de enfermagem (para auxiliar na escassa renda familiar), Ngoyi trabalhou como costureira, gaprimorou sua marcante habilidade para a oratória e, com tenacidade e energia, teve proeminência política na luta contra o Apartheid.
Sua condição social não a impediu de destacar-se na luta contra o preconceito de raça e gênero, tendo conquistado posições fundamentais ao longo de sua vida: foi a primeira presidenta da Liga de Mulheres do Congresso Nacional Africano, a primeira mulher eleita para o Comitê Executivo do Congresso Nacional Africano, a segunda presidente da Federação das Mulheres Sul-Africanas.
Em 1955, participou da conferência da Federação Democrática Internacional das Mulheres, na Suíça. Em seguida, visitou países do bloco socialista (Rússia e China entre outros), e discursou em um ato público contra o Apartheid em Londres. Liderou a Marcha das Mulheres até Pretória para protestar contra a Lei do Passe, motivo pelo qual foi presa em 1956 e passou 71 dias em solitária. Nos quinze anos seguintes recebeu diversas interdições, as quais a confinaram ao seu bairro, em Soweto.
Em 1982, tornou-se a primeira mulher a receber o prêmio Isitwalandwe, honraria concedida aos homens e mulheres que, por meio do sacrifício pessoal, destacaram-se na luta pela libertação da África do Sul. Suas palavras em um discurso contra o Apartheid na educação ilustram bem a força tremenda de sua oratória: “Meu útero treme quando se fala da Educação Bantu… Nós, mulheres, somos como galinhas que chocam ovos para que alguém os levem embora”.
BIBLIOGRAFIA
QUNTA, Christine (Ed.). Women in Southern Africa. Nova Iorque: Allison & Busby, 1987.
ALLEN, Judith Van. “Lilian Masediba Ngoyi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 456-457.
DAYMOND, M. J.. Home, exile and resistance in letters from Bessie Head, Dora Taylor and Lilian Ngoyi, English Academy Review, v. 30, n. 2, p. 115-128, 2013: DOI: 10.1080/10131752.2013.834703
Última atualização em: 28/01/2021
































