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Aicha Ech-Chenna (1941)

Assistente Social marroquina e ativista pelo direito das mulheres. Nasceu em Casablanca e passou sua infância em Marrakech. Retornou para Casablanca em 1953 para continuar seus estudos em francês na Escola Foch e no Lycée Joffre.

Começou a carreira como secretária  de uma clínica médica, trabalhando em um programa de assistência portadores de hanseníase e também em um laboratório especializado em tuberculose. Posteriormente estudou e se formou em Enfermagem

As dificuldades financeiras que teve durante sua infância e vida adulta influenciaram na sua atuação em serviço comunitário. Foi voluntária social por mais de cinquenta anos. Dedicou sua carreira a lidar com problemas relacionados a consciência médica, proteção de crianças abusadas e mulheres em situação de vulnerabilidade. Ficou conhecida e foi muito criticada por discutir tabus sociais, inclusive recebendo ameaças por isso.

Entre 1962 e 1980, trabalhou no Ministério da Saúde em Casablanca e foi pioneira no debate nacional de planejamento familiar, assim como desafiou as visões tradicionais sobre gravidez e papel da mulher na família, forçando tais discussões na sociedade. Em 1985 criou em Casablanca a Association Solidarité Féminine (Associação de Solidaridade Feminina),  para auxiliar mães solteiras e crianças abusadas, com sedes espalhadas em todo o Marrocos.

Também escreveu o livro intitulado Miseria: témoignages (Miséria: testemunhos) (1996), com histórias de vinte mulheres donas de casa abusadas e crianças abandonadas.

Aicha recebeu prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio de Direitos Humanos da República Francesa (2002) e o Prêmio do Clube Internacional das Mulheres em Frankfurt (2005). 

BIBLIOGRAFIA

BOUGROUM, lham. Aïcha Ech-Chenna, la voix des femmes sans voix au Maroc. In: Colloque international Pleins feux sur les femmes (in)visibles, Université de Lorraine, Nancy, 2018: https://hal.univ-lorraine.fr/hal-01915896

BOUM, Aomar. “Aicha Chenna”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2,  p. 63-64.

ECH-CHENNA, Aïcha, Miseria: témoignages. Casablanca: Le Fennec,1996.

Albertina Nontsikelelo Sisulu (1918- 2011)

Ativista antiapartheid, esposa do líder do African National Congress – ANC (Congresso Nacional Africano) Walter Sisulu, ganhou proeminência por conta própria e recebeu a denominação MaSisulu, “mãe da nação”.

Nasceu em Transkei, no Cabo Oriental, sendo a segunda de cinco crianças. Frequentou a escola primária no distrito de Tsomo, a escola secundária e depois a faculdade católica chamada Maria Zell, que lhe permitu ser professora. Ela mudou-se para Johanesburgo em 1941 e foi treinada no Hospital Geral de Não-Europeus, qualificando-se como enfermeira geral e parteira. Trabalhava no Hospital Geral de Johanesburgo quando conheceu Walter Sisulu, que era membro da ANC, e com quem se casou em 1944.

Em 1949 Albertina passou a fazer parte da Liga das Mulheres do ANC, já durante o regime do Apartheid. Ela foi uma das 20.000 mulheres que marcharam rumo a Pretória em protesto contra as leis do passe (1956). Sua maior preocupação era com o impacto da segregação racial sobre as crianças em decorrência da Bantu Education Act (Lei de Educação Bantu), criada em 1953, que restringia a formação das crianças nas línguas bantu ao Departamento de Assuntos dos Nativos, criando além disso escolas segregadas, o que motivou reações, protestos e boicotes.

Por sua liderança ela foi presa em 1958 e detida em vários outros momentos, enquanto Walter foi condenado à prisão perpétua em 1964. Seu ativismo teve continuidade, e em 1983 ela foi co-presidente da recém formada Frente Democrática Unida, que a colocou mais uma vez na mira das autoridades sul-africanas que detinham o poder. Após a libertação do marido, em 1989, Albertina voltou a participar da organização da Liga das Mulheres e em 1994 foi eleita para o parlamento, onde atuou até 1999, quando ela e o marido deixaram a vida pública.

Em 2011 ela morreu aos 92 anos de idade, e continua sendo uma fonte de inspiração. Como disse: “Embora a política tenha feito minha vida áspera, não há absolutamente nada de que me arrependa sobre o que fiz e o que aconteceu comigo e com a minha família ao longo de todos esses anos. Em vez disso, eu fui fortalecida e me sinto mais mulher do que eu teria sido se minha vida tivesse sido diferente”.

BIBLIOGRAFIA

CHETTY, Suryakanthie. “Albertina Nontsikelelo Sisulu”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 398-399.

SISULU, E..   Walter and Albertina Sisulu: in our lifetime. Cape Town: David Philip, 2002.

WORDEN, N. The making of modern South Africa: conquest, segregation and Apartheid. Oxford: Blackwell Publishers, 1994.

Grace Ogot (1930-2015)

Escritora queniana, nascida em em Asembo, Distrito de Nyanza na região oeste do Quênia. Cresceu em uma família anglicana; o pai lecionava na Ng’iya Girls’ School (Escola para Meninas de Ng’iya), dirigida pela Church Mission Society – CMS (Sociedade Missionária da Igreja), onde ela estudou o primário, e completou o secundário no Buture Girls High School (Escola de Ensino Médio de Buture). Nos anos 1950, estudou enfermagem, primeiramente em Uganda e mais tarde na Inglaterra, sendo uma das primeiras mulheres quenianas a ir ao exterior para obter formação de nível superior.

Em Londres Grace trabalhou como radialista e roteirista da British Broadcasting Corporation – BBC. Após retornar para o leste da África, trabalhou como enfermeira-chefe em dois hospitais, exerceu cargos de representação comunitária, de relações públicas da Air India e foi apresentadora de um popular programa de rádio em língua luo. Ela também teve êxito no empreendedorismo, gerindo um número significativo de lojas de roupas em Nairobi.

Em 1975 e 1976, Ogot viveu em Nova Iorque onde foi eleita para ser delegada da Assembleia Geral das Nações Unidas, depois fez parte da delegação queniana UNESCO. Na mesma época, fundou a Writers’ Association of Kenya (Associação dos Escritores do Quênia) (1975) e deu início à vida política, atuando no Ministério da Cultura e Assistência Social e no parlamento (1988).

Foi a primeira queniana a ter reconhecimento internacional como escritora, tendo publicado contos e romances em inglês e na língua luo, Seu romance mais importante chama-se The Promise Land (A terra prometida) (1966), lançado no mesmo ano do livro Efuru, da nigeriana Flora Nwapa.

Casou-se em 1959 com o historiador Bethwell Alan Ogot, formando um dos casais proeminentes de seu país.

BIBLIOGRAFIA

KURTZ, J. Roger. “Grace Emily Akinyi Ogot”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 08-09.

LINDFORS, Bernth. Grace Ogot. In: Africa talks back: interview with anglophone african authors. Trenton: Africa World Press, 2001, p. 268-280.

OGOT, Grace. The other woman and other stories. Nairobi: Transafrica Publishers, 1976.

Kofoworola Abeni Pratt (1915-1992)

Nascida em Lagos, foi educada na Escola Secundária de São João e na escola para meninas de Lagos, e cursou magistério no United Missionary College  (Colégio Missionário Unido ) em Ibadan.

No período de 1936-1940 ela ensinou em uma escola para meninas da Sociedade Missionária da Igreja na Nigéria, casou-se com um médico e mudou-se com ele para a Inglaterra em 1946.  Dando continuidade a um desejo de infância, estudou enfermagem na Nightingale School, vinculada ao Hospital de Saint Thomas (Londres), onde se qualificou em 1950. Começou a atuar como enfermeira no Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha em 1948, quando também participava da União dos Estudantes da África Ocidental – entidade que militava em defesa da independência das colônias da África.

De retorno à Nigéria em 1954, trabalhou no Hospital Universitário de Ibadan, onde criou uma Escola de Enfermagem (1965). Ela também foi líder da Associação Profissional de Enfermeiras Treinadas na Nigéria e fundadora e co-editora da revista Nigerian Nurse (Enfermagem Nigeriana). Além disso, foi chefe de enfermagem do Ministério Federal da Saúde da Nigéria e depois nomeada Comissária de Saúde de Lagos na década de 1970. Paralelamente,  em 1971 tornou-se presidente do Conselho Nacional das Sociedades de Mulheres na Nigéria. 

Por seu pioneirismo, engajamento e competência, ganhou vários prêmios e recebeu homenagens, um dos quais, recebido em 1975, foi o título de “chefe”  pelos serviços prestados à nação.

BIBLIOGRAFIA

AKINSANYA, Justus A.  An african “Florence Nightingale”: a biography of Chief (dr.) Mrs. Kofoworola Abeni Pratt. Ibadan: Vantage, 1997.

Lilian Masediba Ngoyi (1911-1980)

Igualmente conhecida como Ma Ngoyi, é considerada a mãe do movimento pela libertação da África do Sul. Nascida em Pretoria, viveu a maior parte de sua vida na pobreza: o pai era operário e a mãe, lavadeira para famílias brancas. Após a morte do pai, foi obrigada a sustentar a mãe, e duas filhas (uma das quais, adotiva). Ficou viúva alguns anos após o casamento, que lhe deixou uma filha.

Apesar de ter abandonado os estudos de enfermagem (para auxiliar na escassa renda familiar), Ngoyi trabalhou como costureira, gaprimorou sua marcante habilidade para a oratória e, com tenacidade e energia, teve proeminência política na luta contra o Apartheid.

Sua condição social não a impediu de destacar-se na luta contra o preconceito de raça e gênero, tendo conquistado posições fundamentais ao longo de sua vida: foi a primeira presidenta da Liga de Mulheres do Congresso Nacional Africano, a primeira mulher eleita para o Comitê Executivo do Congresso Nacional Africano, a segunda presidente da Federação das Mulheres Sul-Africanas.

Em 1955, participou da conferência da Federação Democrática Internacional das Mulheres, na Suíça. Em seguida, visitou países do bloco socialista (Rússia e China entre outros), e discursou em um ato público contra o Apartheid em Londres. Liderou a Marcha das Mulheres até Pretória para protestar contra a Lei do Passe, motivo pelo qual foi presa em 1956 e passou 71 dias em solitária.  Nos quinze anos seguintes recebeu diversas interdições, as quais a confinaram ao seu bairro, em Soweto.

Em 1982, tornou-se a primeira mulher a receber o prêmio Isitwalandwe, honraria concedida aos homens e mulheres que, por meio do sacrifício pessoal, destacaram-se na luta pela libertação da África do Sul. Suas palavras em um discurso contra o Apartheid na educação ilustram bem a força tremenda de sua oratória: “Meu útero treme quando se fala da Educação Bantu… Nós, mulheres, somos como galinhas que chocam ovos para que alguém os levem embora”.

BIBLIOGRAFIA

QUNTA, Christine (Ed.). Women in Southern Africa. Nova Iorque: Allison & Busby, 1987.

ALLEN, Judith Van. “Lilian Masediba Ngoyi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 456-457.

DAYMOND, M. J..  Home, exile and resistance in letters from Bessie Head, Dora Taylor and Lilian Ngoyi,  English Academy Review, v. 30, n. 2, p. 115-128, 2013:  DOI: 10.1080/10131752.2013.834703

Paula Fortes (1945–2011)

Nascida em Mindelo, na Ilha de São Vicente, Arquipélago de Cabo-Verde, destacou-se na luta armada contra o colonialismo português.

            No início da década de 1970 era aluna no Liceu Gil Eanes, e dos debates políticos sobre abusos coloniais decidiu entrar para a clandestinidade e assumir a luta armada. Estudou enfermagem no Hospital Santa Maria, em Lisboa, quando entrou formalmente no campo da saúde, e redirecionou os seus conhecimentos para a Escola Piloto de Conakry, onde também atuou nos cuidados com crianças. Serviu no hospital militar e civil de Boké (Guiné-Conacri) e trabalhou como formadora de enfermeiras militares. Nesta época, foi representante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde – PAIGC,  na 10ª Juventude de Berlim (Leste), Festival focado na Paz Mundial e Libertação Nacional.

Após a independência, em 1975, ela e outras “mulheres armadas” criaram a Organização de Mulheres de Cabo Verde – OMCV para continuar a luta pelos direitos das mulheres e melhorar sua condição social, política e econômica em Cabo Verde. Foi eleita delegada na Assembléia Nacional Popular – ANP da Ilha do Sal. Ficou conhecida por seu trabalho que vincula questões de juventude, sociais e de saúde, como planejamento familiar e divórcio relacionados ao desenvolvimento e reconstrução nacional. Em 2013, dois anos após sua morte, ocorrida em Portugal, foram publicadas suas memórias pessoais em volume autobiográfico, com o título Minha Passagem (2013). 

  
BIBLIOGRAFIA

FORTES, Paula. Minha passagem. Praia: Fundação Amílcar Cabral, 2013.

Pauline Berthé (1912–?)

Nascida em Sikasso, na área cultural Bambara, no Mali, de uma família muçulmana distinta na região. O pai, Keletigui Berthé, tinha sido chefe de guerra durante o período da ocupação francesa e se tornou chefe de administração local no período colonial; a mãe pertencia ao grupo étnico Senufo.

Na juventude, passou por treinamento em obstetrícia, tornando-se parteira, atividade que a distinguiu em toda a África ocidental. No período de 1920-1928 estudou em uma escola primária para crianças mestiças em Bamako e depois entrou para a Escola de Medicina e de Farmácia em Dakar (1931), onde estava a sede do governo francês.  

Ela atuou no período de 1931-1932, durante o período colonial, na Maternidade de Dakar, no Senegal, em 1939 casou-se com o médico Sidi Yaya Diallo, com quem teve seis filhos.  De retorno ao Mali, concluiu um estágio de um ano em Bamako, e a seguir trabalhou em hospitais em Nyoro, Djenné, em condições por vezes muito adversas. Diz-se que, em certas ocasiões ela se deslocava às aldeias em lombo de burro ou de boi.

Aposentada em 1969, continuou a atuar na direção de uma maternidade em Boundial, na Costa do Marfim por mais uma década.  Por sua notoriedade como mulher sábia, enfermeira e parteira, foi condecorada em 1992 com a Ordem Nacional do Mali, distinção reservada a apenas três mulheres até aquela época.

BIBLIOGRAFIA

KONARÉ, Adama Ba. Dictionnaire des femmes célèbres du Mali. Bamako: Editionss Jamana, 1993.

Pauline Berthé : la brillante sage-femme et petite fille de Kélétigui Berthé. In: Maliweb.net: virtuellement au Mali: https://www.maliweb.net/societe/femmes-celebres-mali-sage-femme-politiciennes-reines-meres-2295242.html

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