Combatente da liberdade no Zimbábue e mulher pública com carreira política independente. Nasceu no seio de uma família simples que se opunha ao governo de minoria branca, e lembra-se de aos sete anos visitar o pai, que era pedreiro, na prisão. Aos quinze anos abandonou a escola secundária e caminhou cerca de 300 km até Moçambique para se juntar aos combatentes da liberdade da União Nacional Africana do Zimbábue -ZANU, que empreendia a guerra de libertação contra o regime colonial liderado por Ian Smith, líder da Rodésia, atual Zimbábue. Atuou como assistente médica e participou do campo do combate.
Quando retornou ao seu país em 1980, após a independência, assumiu o cargo de Secretária dos Assuntos da Mulher na sede nacional da ZANU-PF em Harare. Três anos mais tarde passou a integrar o Ministério de Segurança do Estado, atuando como porta-voz de veteranos de guerra – o que a levou a ajudar a fundar a Associação dos Veteranos de Guerra da Libertação Nacional (1989), um grupo de defesa dos antigos combatentes da liberdade. Com o apoio desta associação, tornou-se, aos trinta anos de idade, a parlamentar mais jovem do Parlamento do Zimbábue.
Nas décadas seguintes, travou no parlamento combate incessante contra a corrupção praticada por membros do ZANU-PF. Como, por este motivo, não foi indicada pelo partido para as eleições de 1995, decidiu concorrer como candidata independente e conseguiu uma vaga após denunciar e provar a ocorrência de fraude no resultado da apuração. Numa ocasião, exigiu que o governo revelasse uma lista daqueles que se beneficiaram do programa de redistribuição de terras (2000), denunciou a a reimposição de taxas nas escolas do governo (2003) e contestou os critérios para determinar quem deveria ser enterrado no cemitério oficial do país, o National Heroes Acre .
Vista por alguns como símbolo de renovação e crítica ao sistema político, apesar de representar uma resistência corajosa tornou-se gradualmente uma força política marginalizada. Embora em posição minoritária, mostra alternativas de mudança como porta-voz das mulheres no continente e como símbolo do ideal democrático: presidiu a União dos Democratas do Zimbábue até o fim deste partido em 2006.
BIBLIOGRAFIA
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KILGORE, James. “Margaret Dongo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 242-244.
MEREDITH, Martin. Robert Mugabe: power, plunder and tyranny. Johanesburgo: Jonathan Ball, 2002.
Última atualização em: 22/01/2021
































