Primeira dama do Gabão, e cantora. Nome adotado por Marie Josephine Kama Bongo em 1986, após o divórcio do Presidente Omar Bongo Ondimba.
Marie-Josephine Kama, conhecida informalmente como Marie-Jo, nasceu em Akiene, na região do Alto-Ogooue, que até 1946 fazia parte do Congo. Seu pai era oficial do exército colonial francês, fazia parte da Sociedade Secreta de Obamba. Ele e a mãe dela pertenciam ao clã Assele do povo de Obamba, a quem o povo Teke do seu distrito, incluindo a família de Omar Bongo, era tributário.
A menina recebeu todo a sua formação escolar em língua francesa. Formou-se em um programa do governo que preparava professores no nível primário. Depois disso, casou-se com Dieudonne Pascal Ndouna-Okogo (1937-1977), que também era de origem Obamba, tinha formação francesa e viria a se notabilizar como poeta com o nome de Ndouna-Depenaud. Embora o breve casamento tenha terminado em divórcio, contribuiu para o desenvolvimento das habilidades e realizações literárias de Marie-Jo. Tempos depois, em 1977 Ndouna-Okogo foi assassinado por marroquinos não identificados da guarda presidencial, mas os criminosos nunca foram levados à justiça.
Em 31 de outubro de 1959, Marie-Jo casou-se com Omar Bongo em Brazzaville, onde ele prestava serviço militar como segundo-tenente da aeronáutica francesa. Tornou-se assim a madrasta de Pascaline Bongo (1956), que viria a ser ministra e diretora do gabinete presidencial, e de Ali Bongo (1959), futuro ministro da defesa que viria a se tornar presidente do Gabão após a morte de Omar em 2009.
Devido a sua esterilidade, em um país em que a sociedade tradicional valoriza a maternidade e abomina a infertilidade, Madame Bongo passou por grande sofrimento pessoal, ainda mais quando, ao longo do tempo, o parceiro continuou a gerar filhos durante os vinte e sete anos de casamento. Esta situação levou a que ela se preocupasse em melhorar os cuidados que cercam a maternidade no Gabão.
Ao mesmo tempo, Patience perseguia seus próprios interesses literários e artísticos. Duas de suas peças sobre temas sociais, Obali (1978) e Ayouma (1977), foram filmadas pela Les films gabonais, uma empresa de propriedade do marido. Mas não foram as atividades culturais do casal Bongo que atraíram a atenção da imprensa parisiense, e sim o uso indevido de cargos públicos para enriquecimento pessoal em grande escala e a supressão de críticos, rivais e opositores por meios violentos.
Na década de 1980, jornais, semanários e revistas francesas denunciaram diversos casos em que o casal presidencial ou familiares próximos do casal acumularam propriedades imobiliárias ou empresas por meios ilícitos, e escândalos e assassinatos, como o dos amantes de Marie-Jo, Robert Luong e Charles Onanga. Após a morte deste último, que dirigia um nightclub frequentado por ela, Patience abandonou o país a pretexto de acompanhar duas filhas em seus estudos nos Estados Unidos, e depois pediu o divórcio.
Pertencente a uma família que valorizava a música, Patience cultivava a prática da interpretação musical e tinha participações eventuais na banda presidencial chamada Kounabele. Depois da separação ela deu início a uma carreira profissional como cantora, alcançando grande sucesso na área francófona do continente e na França durante a década de 1990. Entre os seus álbuns gravados estão: Chen ton disque est rage, Associé, P. D., Nouvelle atitude, Article 106 e Oboniyya, que ela fez durante uma turnê junto com James Brown.
BIBLIOGRAFIA
GABON. Les 50 hommes et femmes qui comptent. Jeune Afrique, p. 50-84, 2003.
GARDINER, David E.. “Patience Dabany”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 146-148.
YATES, Douglas. The dynastic republic of Gabon. Cahiers d’études africaines, v. 243, n. 2, p. 483-513, 2019.
Última atualização em: 22/01/2021
































