Ririkumutima (+ 1927)

Ririkumutima
Fonte da imagem: Black Unity Matters. Disponível em: https:// panafricanrevoluntionmovement.wordpress.com/2017/10/10/african-queen-ririkumutima-of-burundi-kingdom/. Acesso em: 15 de dez. de 2020.

Rainha-mãe do Burundi e líder política. Quando as forças alemãs chegaram ao reino em meados da década de 1890, Mwezi Gisabo, seu marido, deteve os esforços dos oficiais alemães para derrotar seu reino através da força militar, mas aceitou a autoridade alemã em 1903 no Tratado de Kiganda.

Ririkumutima era a esposa favorita de Mwezi Gisabo com quem teve quatro filhos: Karabona, Bishinga, Nduwumwe e Bangura. Possuía grande poder por direito próprio. De acordo com relatos orais, ela interveio em nome de um homem falsamente acusado por membros da corte real e exigiu que o caso fosse julgado pelo conselho real de Bashingantahe, que absolveu o réu.

Depois da morte do rei em 1908, Ririkumutima  exerceu influência pessoal na sucessão que decidiu pela ascensão de Mwezi Gisabo, entronizado como Rei Mutaga, e disputou com um alto membro da linhagem real, o tio do rei, Ntarurega,  pelas principais responsabilidades de administrar o governo do Burundi.

Aproveitando essas dissenções internas, os alemães passaram a apoiar outro governante no Estado de Burundi Kilima, o que fez com que o reino ficasse dividido entre três grupos governantes. Com a morte de Mutaga em 1915 Ririkumutima eliminou outros pretendentes e se aliou aos germânicos, enquanto Ntarurega apoiou o avanço dos belgas. Esse clima de guerra se prolongou até 1917, quando ela morreu em circunstâncias mal explicadas – segundo a tradição, por estrangulamento.

Sua morte favoreceu a nova administração belga e seus inimigos na corte. Ela foi enterrada na floresta sagrada de Mpotsa, com as demais rainhas-mães do Burundi. Sua posição de poder e a excepcional capacidade de manobra e de manipulação sugerem não apenas o poder de mulheres governantas antes do período colonial, mas que algumas delas podiam ser tão maquiavélicas quanto qualquer líder do sexo masculino.

BIBLIOGRAFIA

GAHAMA, Joseph. Le Burundi sous administration belge.  Paris: Karthala, 1983.

NDIHOKUBWAYO, Jean Berchmans; Ndayisenga; Appolinaire. Reflection on the place of women in burundian society. Disponível online: https://www.researchgate.net/profile/Jean_Ndihokubwayo/publication/331284817_Reflection_on_the_place_of_women_in_Burundian_society/links/5c7012af299bf1268d1df807/Reflection-on-the-place-of-women-in-Burundian-society

RICH, Jeremy. “Ririkumutima”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 204-205.

Última atualização em: 07/03/2021

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