Wuraola Adepeju Esan (1909–1985)
Política, ativista feminista e educadora, nasceu em Calabar, cidade portuária no leste da Nigéria. Seu pai pertencia a uma poderosa família de Ibadan, serviu às autoridades coloniais e era chefe maior da cidade. Sua mãe, Madame Ajitie Ojo, recebeu o apelido de Iya Gbogbo, que significa “a mãe de todos”, por sua riqueza e generosidade enquanto realizava grandes negócios de noz-de-cola e de pimenta.
Wuraola estudou na Escola Batista para Meninas Idi-Aba, em Abeokutá (1927), sendo então admitida na universidade missionária para mulheres na Nigéria. Depois lecionou no Girl’s Training Centre (Centro de Treinamento para Meninas) de Akure, onde introduziu temas relacionados com a promoção de igualdade de oportunidades para a educação de garotas e garotos.
Casou-se em 1934 com Victor Owolabi Esan, membro de uma influente família cristã de Ibadan, com quem se estabeleceu em Lagos, e uma década mais tarde fundou em Ibadan uma escola para meninas com um programa voltado para a formação profissional (1944). Junto com outras mulheres yoruba, como Funmilayo Ransome-Kuti, atuou até a década de 1950 no movimento nacionalista e anti-colonial, em particular na seção feminina do Action Group – AG e na Ibadan Union Progressive (União Progressista de Ibadan).
A imersão de Wuaraola na vida política ocorreu em 1958, quando pela primeira vez ganhou assento no Conselho do distrito de Ibadan, e em 1960 foi eleita como senadora no Parlamento nigeriano, onde atuou até 1965. Foi uma ferrenha crítica da corrupção e tomou várias iniciativas para a promoção das mulheres e a melhoria das condições das mulheres negociantes dos mercados municipais. Representou a Nigéria na Conferência Afro-Asiática no Cairo (1957-1958) e participou das negociações que deram origem ao Conselho da Nigéria e de Camarões.
Quando ocupou uma vaga no Parlamento como senadora (1960-1965), foi uma crítica da corrupção e da sonegação de impostos e lutou pela ampliação da educação das mulheres e provisão de empréstimos e serviços para ajudar mulheres do mercado. Retirou-se formalmente da vida política em 1966, mas permaneceu ativa em projetos pela promoção da igualdade de direitos das mulheres até a sua morte.
Em 1975 ela recebeu a grande honra de ser chamada pelo título de Iyalodê, reservado à chefia feminina na sociedade yoruba. Uma de suas filhas, Jadesola Olayinka Akande (1940-2008) foi notável ativista feminista, como ela.
BIBLIOGRAFIA
AKANDE, Jadesola. The contribution of woman to national development in Nigeria. Lagos: Nigerian Association of University Woman, 1990.
DENZER, LaRay. Gender and decolonization: a study a three women leaders in West African public life. In: CORNWALL, Andrea (Ed.). Readings in gender in Africa. Oxford: James Currey, 2003, pp. 217-223.
RICH, Jeremy. Iyalode Wuraola Adepeju Esan”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 311-312.
































