Sue Williamson (1941)

Sue Williamson | Marc Newton & SCAD Museum of Art
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/ File:SAV_2015Fall_Exhibitions_Portrait_SueWilliamson_MN_WEB.jpg. Acesso em: 15 de dez. de 2020.

Artista plástica, escritora e ativista de direitos humanos, nasceu em Lichfield, Inglaterra, em 1941. Sua família emigrou para a África do Sul em 1948, poucos meses antes de o Partido Nacionalista chegar ao poder. Criada no que era então o Transvaal Ocidental, ela estudou jornalismo na Universidade de Natal (1969), obteve um diploma de Belas Artes na Art Students League de Nova York e um diploma de estudos avançados em Belas Artes pela Escola de Belas Artes Michaelis na Cidade do Cabo (1984). Sue Williamson adquiriu cidadania sul-africana em 1990, quando o regime do Apartheid chegou ao fim.

Como artista e ativista, ela se envolveu em organizações de direitos humanos associadas ao movimento antiapartheid, e desenvolveu projetos que tinham por objetivo tornar visíveis as experiências de pessoas e comunidades marginalizadas e racialmente discriminadas. Foi membro fundadora e presidenta do Movimento das Mulheres pela Paz, uma organização de direitos humanos da Frente Democrática Unida), e se envolveu diretamente na luta para impedir a demolição de Crossroads, uma comunidade de posseiros das vizinhanças da Cidade do Cabo. Paralelamente, no período de 1982-1987 criou uma série de retratos que celebravam mulheres sul-africanas que contribuíam para a luta contra o apartheid, em geral mantidas no anonimato Albertina Sisulu, Lilian Ngói, Amina Cachalia, Mamphela Ramphele.

Em outras obras, Sue Williamson deu visibilidade e conferiu valor estético à vida de indivíduos e comunidades deslocadas e destruídas pelo Apartheid.  Na obra A Última Ceia (1981), ela retratou a destruição do Distrito Seis, uma comunidade histórica ocupada por grupos inter-raciais e inter-religiosos na Cidade do Cabo que foi demolida pelo estado. Ela reuniu escombros e objetos quebrados que foram deixados para trás e os apresentou em uma pilha no centro de uma galeria da Cidade do Cabo. A peça de instalação foi acompanhada por uma gravação de som que incluía declarações e memórias de antigos residentes, sons de escavadeiras destruindo casas e chamadas para a oração da mesquita local.

Depois de 1994, seu trabalho tratou dos dilemas e impasses no pós-Apartheid, como o trauma revelado durante a Comissão da Verdade e Reconciliação, na série denominada Truth Games (Jogos da verdade) (1998), e a devastação provocada pela AIDS, na série From the Inside (De dentro) (2000-2002), e a escalada da xenofobia e restrições impostas aos imigrantes na série Better Lives (Vidas melhores) (2003).

Além do trabalho como artista, Sue Williamson atua como crítica de arte. Seu primeiro livro, Resistance art in South Africa (Arte da resistência na África do Sul) (1989, reeditada em 2004), apresenta o perfil da obra de  mais de 100 artistas que dedicaram seu trabalho ao campo de batalha política durante do  Apartheid, tanto alguns aclamados como muitos outros que até então permaneciam no anonimato. O livro fornece um diagnóstico do quanto o regime segregacionista moldou o curso da arte contemporânea na África do Sul. Por seu papel seminal na crítica e consciência artística, seu nome passou a estar vinculado a importantes centros de debate, na fundação que leva o seu nome e na organização de artes da Cidade do Cabo Public Eye (1999).

BIBLIOGRAFIA

ENWEZOR, Okwui;  Chika, Okeke-Agulu. Contemporary african art since 1980.Bolonha: Damiani, 2009.

MILLER, Kim. Trauma, testimony, and truth: contemporary south african artists speak. African Arts, v. 38, n.3, p. 40-51, 2005.

MILLER, Kim. “Sue Williamson”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 173-174.

WILLIAMSON, Sue. Resistance art in South Africa. Cape  Town: Double Storey Books, 1990.

Última atualização em: 28/01/2021

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