• Galvanômetro Balístico

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Figura 1: desenho esquemático.

O Gal­vanô­me­tro Balís­tico é um ins­tru­mento de quadro móvel des­ti­nado à medição de cargas elé­tri­cas a partir da detec­ção de uma cor­rente. É inte­res­sante per­ce­ber que o refe­rido ins­tru­mento possui uma pro­posta de medição dife­rente dos gal­vanô­me­tros vistos até agora: enquanto aqueles medem a inten­si­dade da cor­rente elé­trica pas­sante, esse mede a carga elé­trica a partir da cor­rente que flui. 

A cons­tru­ção dos gal­vanô­me­tros balís­ti­cos é similar àquela dos gal­vanô­me­tros comuns, espe­ci­al­mente o de d’Arsonval. Con­forme pode ser visu­a­li­zado na figura 1, uma bobina é sus­pensa entre os polos de um ímã per­ma­nente, em formato de fer­ra­dura; no inte­rior da bobina está situado um núcleo de ferro cilín­drico (1), de modo a aumen­tar o fluxo mag­né­tico no vão entre os polos e, somando-se ao peso fixado à bobina (2), aumen­tar o momento de inércia do sistema. Inte­res­sante des­ta­car o pequeno espelho (3), cuja uti­li­dade con­siste em refle­tir o feixe de luz numa escala externa, ser­vindo como método de medição e defi­nindo este como um Gal­vanô­me­tro de Espelho. 

Quando cor­rente é passada pela bobina, ocorre uma defle­xão; a ampli­tude desta é pro­por­ci­o­nal à carga \inline q pas­sando pela bobina. De acordo com o seguinte roteiro prático, da Uni­ver­si­dade St. Pius, a carga total que passa pela bobina é cal­cu­lada por:
q=\frac{TC\Theta }{2\pi NAB}\, ,onde T é o período de osci­la­ção, C é a cons­tante de torção, \Theta é o ângulo de torção, N o número de voltas da espira, A é a área da seção retan­gu­lar da espira e B o campo mag­né­tico do ímã. Podemos sim­pli­fi­car a equação acima agru­pando \frac{TC}{2\pi NAB} em um termo somente, deno­mi­nado K. Dessa forma temos: q=K\Theta, onde K é deno­mi­nado fator de redução balístico.

Figura 2: item 084 do acervo AMLEF.

Durante o pro­cesso de medição, a des­carga elé­trica é com­ple­tada antes de qual­quer defle­xão apre­ciá­vel do sistema ocorrer; por se tratar de um acon­te­ci­mento muito rápido, pode-se uti­li­zar a expres­são “pulso de cor­rente”, no entanto, o sistema já adqui­riu velo­ci­dade. Mesmo após esse pulso cessar, a velo­ci­dade adqui­rida con­ti­nua a ter efeito no gal­vanô­me­tro por causa da inércia, fazendo com que ele con­ti­nue o movi­mento ser freado e, então, retor­nar à posição inicial. Essa carac­te­rís­tica permite a leitura do valor indi­cado mesmo que o pulso dure um tempo muito pequeno, pois aumenta o período de osci­la­ção do espelho e pos­si­bi­lita a sua leitura. Por essa razão, o sistema móvel desse gal­vanô­me­tro deve possuir um elevado momento de inércia, o que é obtido através da inser­ção do núcleo ferroso bem como ao prender-se um pequeno peso à bobina; seu prin­cí­pio de fun­ci­o­na­mento se asse­me­lha, dessa forma, ao de um Pêndulo Balís­tico, sendo jus­ta­mente esse o motivo pelo qual o ins­tru­mento leva o nome de Gal­vanô­me­tro Balístico. 

Quando a bobina gira no campo mag­né­tico, uma Força Ele­tro­mo­triz é indu­zida através da bobina, de acordo com a Lei de Lenz; esta opõe-se ao movi­mento da bobina e é conhe­cida como amor­te­ci­mento ele­tro­mag­né­tico. Para mini­mi­zar esse efeito, a bobina deve ser enro­lada numa armação de madeira e a sus­pen­são inteira é enclau­su­rada num invó­lu­cro metá­lico. O aparato inteiro é então envol­vido em uma cápsula para evitar dis­túr­bios exter­nos. A con­fi­gu­ra­ção externa dos Gal­vanô­me­tros Balís­ti­cos asse­me­lha-se à figura 2, refe­rente ao item 084 do acervo do AMLEF.

O gal­vanô­me­tro balís­tico também pode ser uti­li­zado na medição de campos mag­né­ti­cos uni­for­mes — por meio de uma bobina conec­tada ao gal­vanô­me­tro, que gira meia volta dentro do campo mag­né­tico uni­forme a ser medido.

Daniel Zorrer / Equipe AMLEF 2020

Saiba Mais:

Quer ver como um Gal­vanô­me­tro Balís­tico fun­ci­ona e ao mesmo tempo pra­ti­car inglês? Dá uma olhada nesse vídeo!


Referências:

  1. New Elec­tric Library, volume 3.
  2. Bal­lis­tic Gal­va­no­me­ter, por engineeringdone.com
  3. Medida de la inten­si­dade del campo mag­né­tico, por Uni­ver­si­dad del Pais Vasco
  4. El gal­va­nó­me­tro, por Uni­ver­si­dad del Pais Vasco
  5. Bal­lis­ti­che Gal­va­no­me­ter, por http://www.historische-messtechnik.de
  6. Bal­lis­tic Gal­va­no­me­ter, por freelyelectrons.blogspot.com
  7. Campos depen­di­en­tes del tiempo, por Uni­ver­si­dad del Pais Vasco
  8. Bal­lis­tic Gal­va­no­me­ter, por engineeringslab.com
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