• Capítulo 5: Lançando-se no espaço

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Figura 1. Repre­sen­ta­ção da queda de uma folha de papel e de uma bolinha de papel.

No capí­tulo “como sair da Terra” apren­de­mos que há uma relação forte entre a gra­vi­dade e qual­quer pos­si­bi­li­dade de sair da atmos­fera ter­res­tre, porém outro ele­mento impor­tante da nossa jornada ao espaço é a resis­tên­cia do ar. No ensino médio apren­de­mos a des­con­si­de­rar a resis­tên­cia do ar, mas em altas velo­ci­da­des e na nossa viagem espa­cial con­si­derá-la é fun­da­men­tal. Um expe­ri­mento simples da influên­cia da resis­tên­cia do ar, que você pode fazer em casa, é obser­var o movi­mento de queda de uma folha e uma bolinha de papel.

Figura 2. Dia­grama de forças atuando em um foguete, durante seu lan­ça­mento. Adap­tado de: Pixabay .

Para sair da atmos­fera rumo ao espaço, pre­ci­sa­mos pensar em como con­tor­nar essa “resis­tên­cia” que ocorre na atmos­fera. Algumas peças fun­da­men­tais para enten­der esse movi­mento são: as forças de resis­tên­cia do ar (ou de arrasto), o empuxo (ou empuxo dinâ­mico) e a força da gra­vi­dade, como demons­trado na figura 2.  A força de arrasto depende de dois fatores essen­ci­al­mente, a velo­ci­dade do objeto em relação ao ar e a forma do foguete. Para mini­mi­zar a força de arrasto asso­ci­ada à forma, os fogue­tes têm sua extre­mi­dade em forma de cone inver­tido, chamado de nariz (ogiva). O empuxo dinâ­mico é a força que impul­si­ona o foguete na libe­ra­ção dos gases oriun­dos da com­bus­tão em seus motores. 

Durante seu per­curso, o foguete expe­ri­menta, como parte do arrasto, a chamada pressão dinâ­mica, que é uma pressão que se deve ao movi­mento. É aquela mesma que expe­ri­men­ta­mos quando andamos em um veículo com a janela aberta: mesmo que não haja vento, sen­ti­mos como se hou­vesse, pois nos des­lo­ca­mos com velo­ci­dade em relação ao ar que está parado. Essa pressão pode ser tão intensa a ponto de dani­fi­car o foguete e, por­tanto, precisa ser considerada.

A pressão dinâ­mica segue a equação \inline q= \frac{1}{2}\rho v^{2}, onde \inline q é a pressão, \inline \rho é a den­si­dade do ar junto ao objeto e \inline v é a velo­ci­dade deste. Ora, se a velo­ci­dade é nula no lan­ça­mento e a den­si­dade atmos­fé­rica é nula no vácuo do espaço, essa pressão também vai ser nula nesses pontos; mas em algum ponto durante o lan­ça­mento dentro da atmos­fera, ela vai passar por um máximo. Con­si­de­rando que a cons­tru­ção do foguete pos­si­bi­lita que ele aguente até certos valores de pressão com segu­rança, a velo­ci­dade de lan­ça­mento tem que ser con­tro­lada para que a pressão máxima durante o voo não ultra­passe esse limiar. Por esse motivo, os fogue­tes não são lan­ça­dos com seus motores em potên­cia máxima até atingir certa altura na atmos­fera, onde o ar é mais rarefeito.

A atmos­fera também demons­tra sua influên­cia no retorno à Terra. Durante a reen­trada, ao ingres­sar na atmos­fera ter­res­tre, a nave encon­tra-se em velo­ci­da­des ultras­sô­ni­cas, com grande energia ciné­tica. Para não espa­ti­far-se no chão, é neces­sá­rio reduzir a velo­ci­dade da nave, e isso ocorre em diver­sas etapas.

Figura 3. Dia­grama de forças atuando em um para­que­das. Foto ori­gi­nal: Ama­ra­gem da nave espa­cial Apollo 9. Adap­tado de: NASA.

Em um pri­meiro momento, a nave colide com a atmos­fera. Essa colisão causa um enorme aumento de pressão, que leva à com­pres­são adi­a­bá­tica do gás e seu aumento de tem­pe­ra­tura. Este efeito pode ser tão intenso a ponto de ionizar o gás, emi­tindo luz e outras ondas ele­tro­mag­né­ti­cas, como rádio e micro-ondas. Todo esse pro­cesso causa uma grande dis­si­pa­ção de energia, redu­zindo muito a velo­ci­dade da nave. Depen­dendo da incli­na­ção com que a nave entra na atmos­fera, ela pode ser empur­rada de volta ao espaço ou passar por um estresse tão grande que cause danos à sua estru­tura ou carga e passageiros.

Após a reen­trada, a nave con­ti­nua sofrendo efeitos da resis­tên­cia do ar. Devido a sua alta velo­ci­dade, a força de arrasto é maior do que a força gra­vi­ta­ci­o­nal, e a nave segue desa­ce­le­rando. Como a den­si­dade atmos­fé­rica é maior quanto mais próximo da super­fí­cie, esse efeito é gra­da­tivo e, quando a velo­ci­dade é pequena o sufi­ci­ente, a nave pode abrir seus para­que­das sem risco de que estes se rompam.

O efeito do para­que­das pode ser enten­dido da seguinte maneira: a super­fí­cie de contato com o ar é ampli­ada no momento em que ele se abre, fazendo com que a força de resis­tên­cia do ar aumente, alte­rando o equi­lí­brio das forças de arrasto e da gra­vi­dade. Quando a força de arrasto e da gra­vi­dade se equi­li­bram, a nave atinge o que é chamado de velo­ci­dade terminal, pois a força total que age sobre ela é nula e não há ace­le­ra­ção. Com o para­que­das aberto, a velo­ci­dade ter­mi­nal da nave é baixa o sufi­ci­ente para que ela caia no chão, ou na água, sem maiores danos.


Curi­o­si­dade: O para­que­das do gato! Gatos podem sobre­vi­ver à queda de grandes alturas!? Na queda de um gato de grandes alturas, ocorre o mesmo efeito do para­que­das. Durante a queda, a força da gra­vi­dade atua em favor do movi­mento de queda livre e a força resis­tên­cia do ar atua no sentido oposto ao movi­mento, para equi­li­brar as forças o gato se estica, aumen­tando a sua área de contato com o ar.  No equi­lí­brio das forças, o gato passa a ter uma velo­ci­dade ter­mi­nal baixa o sufi­ci­ente para não se esbor­ra­char no chão.

Figura 4. Foto de um gato durante queda. Adap­tado de: Free Wall­pa­per.
Álisson Francisco Schneider Siebeneichler e Rogério Nunes Wolff / Equipe AMLEF 2021

Saiba mais:


Referências:

  1. Ufpel: Os aspec­tos físicos e mate­má­ti­cos do lan­ça­mento do foguete de garrafa pet 
  2. COMO FUNCIONAM OS FOGUETES?
  3. Aero­di­nâ­mica de foguetemodelo
  4. Wiki­pé­dia inglês: Rocket
  5. Como fun­ci­ona o lan­ça­mento de um foguete
  6. Estágio do lan­ça­mento de um foguete
  7. Bri­tan­nica: Foguete
  8. Reação de empuxo — Como os fogue­tes se locomovem?
  9. Força de Resis­tên­cia do Ar
  10. Wiki­pé­dia inglês: Pressão dinâ­mica máxima
  11. Wiki­pé­dia por­tu­guês: Amaragem
  12. Como os astro­nau­tas voltam à Terra após missões espaciais?
  13. Pro­pul­são de fogue­tes no espaço: como é pos­sí­vel o empuxo se não existe atmosfera?
  14. Dúvida sobre meteoro: causa do aque­ci­mento e razão da inter­fe­rên­cia com as telecomunicações
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