• Capítulo 06: Visitantes do Espaço!

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Quem nunca fez um pedido ao ver uma estrela cadente no céu? 

Pre­sente em muitos contos e alvo de poemas e letras de músicas, as estre­las caden­tes já garan­ti­ram seu sucesso devido à sua beleza, mas você sabe de fato o que elas são e de onde elas vêm? Com que frequên­cia elas caem na Terra e por que elas caem? 

Ilus­tra­ção animada do mesmo Mete­o­roide, Meteoro e Mete­o­rito. Por Any­no­body, CC BY-SA 3.0, via Wiki­me­dia Commons.

Uma ‘’estrela cadente’’ não é uma estrela de verdade, e sim um mete­o­roide — um corpo celeste que orbita no espaço, mas é ainda muito pequeno para ser con­si­de­rado um aste­roide ou cometa. Quando esse mete­o­roide entra na atmos­fera da Terra em alta velo­ci­dade, ele colide com o ar, aumen­tando muito a sua tem­pe­ra­tura e emi­tindo luz, esse é o fenô­meno que con­se­gui­mos enxer­gar e cha­ma­mos de meteoro. Boa parte do mete­o­roide é desin­te­grado nessa etapa, mas as partes que con­se­guem chegar até a super­fí­cie do planeta recebem o nome de mete­o­ri­tos, e é sobre eles que hoje vamos falar um pouco mais. 

Existem três tipos de mete­o­ri­tos. Os mete­o­ri­tos mais comuns de serem encon­tra­dos — rocho­sos do tipo con­drito (85,7%)  — são for­ma­dos por diver­sos tipos de mine­rais e apre­sen­tam ferro e níquel em menor quan­ti­dade, além de conter vários tipos de poeira e peque­nos grãos pre­sen­tes no início do Sistema Solar. Já o tipo rochoso acon­drito (7,1%), é mais difícil de ser encon­trado e não apre­senta côn­dru­los (peque­nas esfé­ru­las de mine­rais e liga Ferro-Níquel). Os tipos menos encon­tra­dos são os fer­ro­sos (5,7%) e os rocho­sos fer­ro­sos (1,5%). Há pouco tempo (2008) foi des­co­berto que, muito pro­va­vel­mente, esses mete­o­ri­tos vieram do cin­tu­rão de aste­roi­des entre as órbitas de Marte e Júpiter, des­co­berta essa feita pela astro­fí­sica bra­si­leira Thais Mothé Diniz (UFRJ — NTNU Noruega). 

Espé­cime do mete­o­rito de Chelya­binsk, apre­sen­tando veias de fusão por impacto finas e bolhas de fusão por impacto. Cré­di­tos: Qingzhu Yin, Univ. Califórnia-Davis

Mas seriam os meteoros responsáveis pelo início da vida na Terra?

Cratera Pin­gua­luit, no Canadá. A cratera é resul­tado do impacto de um mete­o­rito há 1,2 milhões de anos, que formou um lago pre­en­chido apenas por pre­ci­pi­ta­ções flu­vi­ais. Cré­di­tos: NASA. Cor­te­sia de Denis Sar­ra­zin, Domínio Público, via Wiki­me­dia Commons.

Na Grécia apro­xi­ma­da­mente no século V a.C., entre as ten­ta­ti­vas de se expli­car a exis­tên­cia da vida estava a teoria das “Semen­tes da Vida” do filó­sofo grego Ana­xá­go­ras (499 ac — 428 ac), de que as pri­mei­ras formas vieram parar na Terra através de cometas e mete­o­ros, ao invés de terem sido for­ma­das no próprio planeta. Com o passar dos anos essa teoria foi refu­tada e esque­cida pela maioria dos pes­qui­sa­do­res, até que em 1908 o físico sueco Svante August Arrhe­nius (1859–1927) sugeriu que a vida surgiu sob a forma de esporos resis­ten­tes vindo do espaço e trans­por­ta­dos por mete­o­ri­tos (Teoria Cosmozóica/Panspermia). 

Essa teoria só começou a ganhar ver­da­deira noto­ri­e­dade na década de 1980, quando des­co­bri­ram fósseis de bac­té­rias nas gelei­ras da Antár­tida, em con­di­ções con­si­de­ra­das com­ple­ta­mente hostis. A des­co­berta de bac­té­rias sobre­vi­vendo em ambi­en­tes sem expo­si­ção ao oxi­gê­nio, apenas aos gases carbô­nico, nitro­gê­nio e hidro­gê­nio, faz a teoria de que a vida tenha vindo de qual­quer outro lugar no espaço seja mais aceita. No entanto, esta não é uma teoria com­pro­vada, apenas uma hipó­tese válida que ainda está em estudo.

E foram os meteoros responsáveis pelas grandes extinções?

UMA FOTO RECENTE (colo­rida) ainda mostra ves­tí­gios notá­veis da devas­ta­ção. As imagens em preto e branco foram obtidas durante as expe­di­ções da década de 1920, mais de 20 anos depois do evento. Fonte: Costa, J. R. V. O evento Tun­guska. Astro­no­mia no Zênite, jun 2008.

Não é uma questão de SE, mas uma questão de QUANDO grandes aste­roi­des atin­gi­rão a Terra. Cerca de 66 milhões de anos atrás, mar­cando o fim do período Cre­tá­ceo, um aste­roide de 15 km de diâ­me­tro caiu no Golfo do México quei­mando ins­tan­ta­ne­a­mente tudo num raio de 900 km e cau­sando uma extin­ção em massa, matando 75% da vida da Terra. Logo após o impacto, surgiu uma enorme camada de poeira na atmos­fera, que causou o res­fri­a­mento do planeta e limitou a inci­dên­cia de luz solar, impe­dindo a flora de pros­pe­rar e difi­cul­tando ainda mais a vida dos seres que sobre­vi­ve­ram e se adap­ta­ram. Até hoje a cratera deste evento é a maior conhe­cida e regis­trada, rece­bendo o nome de cratera Chicxulub.

É de se pensar que grandes eventos como o citado acima só ocor­re­ram em um passado muito remoto — cerca de milhões ou até bilhões de anos atrás -, mas os mete­o­ros con­ti­nuam caindo! Mas não se pre­o­cupe, existem agên­cias que moni­to­ram os mete­o­roi­des com risco de queda na Terra e não há nada pre­o­cu­pante, no momento. O maior evento recente regis­trado é o de Tun­guska, um corpo celeste que caiu em 1908 na Sibéria, Rússia. Seu impacto foi tão grande que se calcula equi­va­lente a 185 explo­sões da bomba de Hiroshima. Este evento, que devas­tou uma área maior que o muni­cí­pio de São Paulo e quebrou janelas a até cen­te­nas de quilô­me­tros de dis­tân­cia, foi per­ce­bido por sis­mó­gra­fos da Europa e Ásia e gerou um ter­re­moto de mag­ni­tude 5.0 na escala Richter.  Uma curi­o­si­dade é que não se tem uma cratera no local do impacto, apesar de ter devas­tado toda a área ao redor, o que levan­tou várias teorias sobre o assunto e foi até mesmo ins­pi­ra­ção para inú­me­ras obras de ficção, desde H.P. Love­craft a Star Trek e Dr. Who.

A maior cratera causada por um aste­roide na América do Sul está situada no Brasil, na região de Mato Grosso. O local, e o aste­roide, são cha­ma­dos Ara­guai­nha. O impacto ocorreu há 250 milhões de anos e a sua cratera possui 40 km de diâ­me­tro. Já o maior mete­o­rito bra­si­leiro encon­trado é o Bendegó, que caiu na cidade de Monte Santo, na Bahia, em 1784. Ele ficou na região até o ano de 1888, quando o Impe­ra­dor Dom Pedro II trans­por­tou o mete­o­rito para a cidade do Rio de Janeiro, para inte­grar o acervo do Museu Naci­o­nal, onde está exposto até hoje, tendo sobre­vi­vido ao grande incên­dio de 2018.

Laila Berg da Nobrega / Equipe AMLEF 2021

Saiba mais:


Referências:

  1. Vistas do Sistema Solar: Mete­o­roi­des e Meteoritos
  2. Revista Pes­quisa Fapesp: De onde vêm os meteoritos
  3. Wiki­pé­dia: Condrito
  4. Mete­o­ri­tos Brasil
  5. Site de Curi­o­si­da­des: Teoria Cosmozóica
  6. CREF: Meteoro causa do aque­ci­mento e razão da inter­fe­rên­cia com as telecomunicações
  7. Wiki­pé­dia: Mete­o­rito do Bendegó
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