Quem nunca fez um pedido ao ver uma estrela cadente no céu?
Presente em muitos contos e alvo de poemas e letras de músicas, as estrelas cadentes já garantiram seu sucesso devido à sua beleza, mas você sabe de fato o que elas são e de onde elas vêm? Com que frequência elas caem na Terra e por que elas caem?

Uma ‘’estrela cadente’’ não é uma estrela de verdade, e sim um meteoroide — um corpo celeste que orbita no espaço, mas é ainda muito pequeno para ser considerado um asteroide ou cometa. Quando esse meteoroide entra na atmosfera da Terra em alta velocidade, ele colide com o ar, aumentando muito a sua temperatura e emitindo luz, esse é o fenômeno que conseguimos enxergar e chamamos de meteoro. Boa parte do meteoroide é desintegrado nessa etapa, mas as partes que conseguem chegar até a superfície do planeta recebem o nome de meteoritos, e é sobre eles que hoje vamos falar um pouco mais.
Existem três tipos de meteoritos. Os meteoritos mais comuns de serem encontrados — rochosos do tipo condrito (85,7%) — são formados por diversos tipos de minerais e apresentam ferro e níquel em menor quantidade, além de conter vários tipos de poeira e pequenos grãos presentes no início do Sistema Solar. Já o tipo rochoso acondrito (7,1%), é mais difícil de ser encontrado e não apresenta côndrulos (pequenas esférulas de minerais e liga Ferro-Níquel). Os tipos menos encontrados são os ferrosos (5,7%) e os rochosos ferrosos (1,5%). Há pouco tempo (2008) foi descoberto que, muito provavelmente, esses meteoritos vieram do cinturão de asteroides entre as órbitas de Marte e Júpiter, descoberta essa feita pela astrofísica brasileira Thais Mothé Diniz (UFRJ — NTNU Noruega).

Mas seriam os meteoros responsáveis pelo início da vida na Terra?

Na Grécia aproximadamente no século V a.C., entre as tentativas de se explicar a existência da vida estava a teoria das “Sementes da Vida” do filósofo grego Anaxágoras (499 ac — 428 ac), de que as primeiras formas vieram parar na Terra através de cometas e meteoros, ao invés de terem sido formadas no próprio planeta. Com o passar dos anos essa teoria foi refutada e esquecida pela maioria dos pesquisadores, até que em 1908 o físico sueco Svante August Arrhenius (1859–1927) sugeriu que a vida surgiu sob a forma de esporos resistentes vindo do espaço e transportados por meteoritos (Teoria Cosmozóica/Panspermia).
Essa teoria só começou a ganhar verdadeira notoriedade na década de 1980, quando descobriram fósseis de bactérias nas geleiras da Antártida, em condições consideradas completamente hostis. A descoberta de bactérias sobrevivendo em ambientes sem exposição ao oxigênio, apenas aos gases carbônico, nitrogênio e hidrogênio, faz a teoria de que a vida tenha vindo de qualquer outro lugar no espaço seja mais aceita. No entanto, esta não é uma teoria comprovada, apenas uma hipótese válida que ainda está em estudo.
E foram os meteoros responsáveis pelas grandes extinções?

Não é uma questão de SE, mas uma questão de QUANDO grandes asteroides atingirão a Terra. Cerca de 66 milhões de anos atrás, marcando o fim do período Cretáceo, um asteroide de 15 km de diâmetro caiu no Golfo do México queimando instantaneamente tudo num raio de 900 km e causando uma extinção em massa, matando 75% da vida da Terra. Logo após o impacto, surgiu uma enorme camada de poeira na atmosfera, que causou o resfriamento do planeta e limitou a incidência de luz solar, impedindo a flora de prosperar e dificultando ainda mais a vida dos seres que sobreviveram e se adaptaram. Até hoje a cratera deste evento é a maior conhecida e registrada, recebendo o nome de cratera Chicxulub.
É de se pensar que grandes eventos como o citado acima só ocorreram em um passado muito remoto — cerca de milhões ou até bilhões de anos atrás -, mas os meteoros continuam caindo! Mas não se preocupe, existem agências que monitoram os meteoroides com risco de queda na Terra e não há nada preocupante, no momento. O maior evento recente registrado é o de Tunguska, um corpo celeste que caiu em 1908 na Sibéria, Rússia. Seu impacto foi tão grande que se calcula equivalente a 185 explosões da bomba de Hiroshima. Este evento, que devastou uma área maior que o município de São Paulo e quebrou janelas a até centenas de quilômetros de distância, foi percebido por sismógrafos da Europa e Ásia e gerou um terremoto de magnitude 5.0 na escala Richter. Uma curiosidade é que não se tem uma cratera no local do impacto, apesar de ter devastado toda a área ao redor, o que levantou várias teorias sobre o assunto e foi até mesmo inspiração para inúmeras obras de ficção, desde H.P. Lovecraft a Star Trek e Dr. Who.
A maior cratera causada por um asteroide na América do Sul está situada no Brasil, na região de Mato Grosso. O local, e o asteroide, são chamados Araguainha. O impacto ocorreu há 250 milhões de anos e a sua cratera possui 40 km de diâmetro. Já o maior meteorito brasileiro encontrado é o Bendegó, que caiu na cidade de Monte Santo, na Bahia, em 1784. Ele ficou na região até o ano de 1888, quando o Imperador Dom Pedro II transportou o meteorito para a cidade do Rio de Janeiro, para integrar o acervo do Museu Nacional, onde está exposto até hoje, tendo sobrevivido ao grande incêndio de 2018.
Laila Berg da Nobrega / Equipe AMLEF 2021
Saiba mais:
- BBC News Brasil: A cratera sob o Golfo do México que pode esconder as chaves sobre a origem da vida na Terra
- National Geographic: Último dia do reinado dos dinossauros capturado em detalhes impressionantes
- Meio Bit: Bendegó, o Meteorito incendiado do Museu Nacional que é a cara do Brasil
- Astronomia no Zênite: O Evento Tunguska
Referências:
- Vistas do Sistema Solar: Meteoroides e Meteoritos
- Revista Pesquisa Fapesp: De onde vêm os meteoritos
- Wikipédia: Condrito
- Meteoritos Brasil
- Site de Curiosidades: Teoria Cosmozóica
- CREF: Meteoro causa do aquecimento e razão da interferência com as telecomunicações
- Wikipédia: Meteorito do Bendegó
