Modelo da Ética da Responsabilidade 

José Roberto Goldim


Autores básicos

Hans Jonas e Max Weber
Obra de referência

Hans Jonas. Ética, medicina e técnica. Lisboa: Vega Passagens, 1994.

Referência histórica
Georg Wilhelm Friedrich Hegel
Proposta básica

(Karl-Otto) "Apel pensa uma ética da responsabilidade, isto é, uma ética que leva em conta as conseqüências e efeitos colaterais dos atos dos sujeitos agentes.  O meio pelo qual se chega a normas consensuais na moral e no direito é o discurso argumentativo, exercido por todos os indivíduos.
Isso os tornará co-responsáveis pelas conseqüências de suas ações". (
Thadeu Weber. Ética e Filosofia Política: Hegel e o Formalismo Kantiano. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999:104).

Existem dois tipos de Responsabilidade: retrospectiva e prospectiva. A primeira revisa ações já realizadas e a segunda antecipa as consequências das ações que estão por vir.
(Hans Jonas. Principio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnologica. Rio de Janeiro: Contraponto; 2006.)

A Responsabilidade Retrospectiva se baseia na avaliação da
relação de causa-efeito. Na perspectiva pessoal, o indivíduo pode ter orgulho ou remorso associado às consequências da ação já realizada. Na visão dos outros, esta ação pode ser considerada como elogiável ou censurável, merecendo recompensa ou punição, respectivamente, pela ação, considerando as suas consequências. É impossível dissociar as ações de suas consequências, pois elas são a própria ação, de acordo com Hegel. A responsabilização, desde o ponto de vista subjetivo, de acordo com Hegel, exige a presença de duas condições: saber e querer.

A Responsabilidade Prospectiva se baseia na precaução, ou seja, é uma ação que se antecipa ao agir, e antevendo as consequências previsíveis associadas. É uma responsabilidade pelo que ainda esta por vir. 
A perspectiva da Responsabilidade Prospectiva é adotada na gestão de riscos contemporânea, especialmente em instituições de saúde. Mais do que buscar culpados, o importante é prevenir situações futuras onde estas consequências possam vir a ocorrer. Um exemplo de aplicação da Responsabilidade Prospectiva foi a Conferência de Asilomar.

O Princípio da Precaução, base do pensamento conservacionista ecológico, estabelece que se uma ação pode ter consequências previsíveis nocivas, que não possam ser evitadas, devem ser planejadas medidas de contingência associadas que previnam ou minimizem os seus efeitos.


"...o sujeito pode ter justificativas, mas nunca um álibi que o isente de responsabilidade perante o outro..." (Adail Sobral. O conceito de ato ético de Bakhtin e a responsabilidade moral do sujeito. Bioethikos 2009;3(1):121-126)

Crítica
A maior crítica a este modelo é quando ele é utilizado apenas na perspectiva retrospectiva, sem se preocupar com as ações futuras. A responsabilidade retrospectiva como única abordagem apenas resgata, mas nunca antecipa.


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Texto incluído em 20/03/2016
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