CAA

Prancha de Comunicação Alternativa em Parques Infantis    

Pensar uma cidade para TODOS, requer pensar no povo que a constitui, sua riqueza está na diversidade. E nessa diversidade encontram-se pessoas com e sem deficiência, mas que, independente de sua “caracterização” ou identidade social, devem conviver em sociedade com igualdade de oportunidades. E, para que possam viver em sociedade, a comunicação, enquanto um direito de todos, é essencial.  Desse modo, para atender aos mais diversos públicos, deve-se exercitar a prática de comunicar em múltiplos meios e formatos, ou seja, considerando diferentes interlocutores e suas capacidades.

Pensar em múltiplos formatos é pensar em acessibilidade, uma vez que: a palavra falada pode ser sinalizada (expressa na Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS); ou que a imagem veiculada pode ser descrita (Audiodescrição) ou mesmo ter relevo (Braille e/ou recursos táteis); ou ainda, que um vídeo pode ter legendas descritivas, considerando o público surdo que não utiliza Libras ou mesmo, idosos, estrangeiros; ou qualquer um que possa usar de outro formato como apoio ou base para compreensão do que se comunica. São muitas as possibilidades de comunicação multiformato e são muitos os recursos de Tecnologia Assistiva que podem promover a participação de TODOS, incluindo pessoas com deficiência, sempre com foco na eficiência de cada indivíduo, ou seja, em suas capacidades de acordo com as possibilidades que lhe são ofertadas. Mais especificamente, “Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social” (ATA VII – Comitê de Ajudas Técnicas – CAT, 2007).

Algumas pessoas, por diferentes causas, apresentam uma defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade para expressar e/ou compreender o que é dito e/ou escrito. Neste grupo encontram-se pessoas com deficiência física causada por paralisia cerebral, acidente vascular cerebral, trauma craniano, esclerose lateral amiotrófica; autismo, deficiência intelectual, entre outras. Nesses casos, pode-se disponibilizar recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa e isso envolve o uso integrado de símbolos (gráficos e corporais) e recursos (pranchas de comunicação com símbolos e letras, textos com símbolos, aplicativos em dispositivos móveis, entre outros).

Apesar de o conhecimento e a prática da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) já existir no Brasil há 40 anos essa é uma área relativamente pouco conhecida da população em geral e poderia ajudar muitas pessoas que estão impedidas de se comunicar (expressar e compreender) em função da ausência de recursos nos diversos ambientes educacionais, culturais, de saúde e públicos em geral.

A International Society for Augmentative and Alternativa Comunication – ISAAC elegeu o mês de outubro como o mês dedicado à divulgação, e aprofundamento do tema da comunicação alternativa em todo o mundo. Em nosso país, a ISAAC Brasil está convidando usuários da CAA, familiares, profissionais, instituições de ensino públicas e particulares, agentes públicos em geral a se unir nesta campanha em prol do conhecimento e da prática da CAA nas cidades brasileiras. Desta forma, deseja-se sensibilizar as pessoas e despertar a consciências de que existem formas diferentes e válidas de comunicação benéficas a TODOS, incluindo pessoas com e sem deficiência. A comunicação é condição sem a qual não há inclusão. Somente pela comunicação o indivíduo pode exercer seu papel cidadão e influenciar, com sua participação, o andamento e o rumo da sua história e da sociedade da qual faz parte. Por fim, cabe salientar que os meios e modos alternativos de comunicação são de direito do cidadão brasileiro com deficiência, assim como são um de grande benefício para TODA a população, pois um recurso pensado para um público específico pode beneficiar a muitos outros ao estimular novas experiências e formas de comunicação.

A UFRGS e Assistiva – Tecnologia e Educação, em parceria com a Diretoria de Acessibilidade e Inclusão Social e Diretoria de Turismo de Porto Alegre, acreditam que Porto Alegre pode se tornar uma cidade de referência em acessibilidade na comunicação para seus moradores e também para os turistas que por aqui circulam. Neste sentido apresenta-se o projeto POA Turismo Acessível, para que se possa avançar, incluindo informações em múltiplos formatos acessíveis em trajetos e pontos turísticos de Porto Alegre. Tanto a Assistiva como a UFRGS disponibilizam de conhecimento específicos para a criação e desenvolvimento dos recursos de comunicação e acesso necessários para o projeto e colocam-se à disposição de forma voluntária para realização dessa proposta.

Nesse sentido, a presidente da ISAAC Brasil,  Rita Bersch, propôs para o mês de outubro, enquanto mês de valorização e difusão da Comunicação Alternativa,  a criação de placas temáticas de sinalização com pictogramas de Comunicação Alternativa para os parques infantis de Porto Alegre. Essas placas têm os principais pictogramas para que o público possa, pelo apontamento, indicar suas necessidades, desejos e sensações, promovendo a comunicação e mesmo interação do público infantil nos parques da cidade. Esse tipo de recurso tem ainda a intenção de sensibilizar o público em geral ao vivenciar novas formas de comunicação e contato com recursos de Tecnologia Assistiva.

Um primeiro protótipo foi instalado na Praça Júlio Mesquita, em frente à Usina do Gasômetro, ponto icônico da cidade de Porto Alegre. A iniciativa contou com a  DIRETORIA GERAL DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO SOCIAL  da SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL E ESPORTE DE PORTO ALEGRE; DIRETORIA DE TURISMO DA SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE PORTO ALEGRE; GRUPO COM ACESSO – COMUNICAÇÃO ACESSÍVEL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS;ASSISTIVA – TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO; ISAAC BRASIL E ARASAAC.

A placa tem 1,50m x 1,20m, duas faces e um tubo central para fixação no solo.  A placa conta com a prancha de comunicação alternativa em um dos lados e no outro com orientações gerais e um convite a se divertir ao se comunicação com a prancha. 

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prancha parque – Divulgação