João Castilho: A banalização das imagens na web 2.0

 

Foto: João Castilho. Link: http://www.joaocastilho.net/v2/pt/trabalhos/erupcao/

Qual o efeito que a superabundância de imagens na internet tem sobre nós? Como nos portamos neste meio, o que compartilhamos com as outras pessoas? O trabalho de João Castilho faz estas reflexões sobre o comportamento das pessoas online através do seu trabalho artístico. O artista, nascido em Belo Horizonte em 1978, trabalha com  fotografia, vídeo, escultura e instalação. Ele tem diversos trabalhos que abordam a vigilância, a interatividade, e a superexposição ou os limites da privacidade na internet.

O primeiro trabalho dele que toca em questões da Internet é o Pulsão Escópica (2012) que é uma videoinstalação na qual o artista fez fotografias de cenas de webcam. Este trabalho remete a cultura de chats online, onde é possível ter contato com pessoas desconhecidas, e a uma questão de anonimato e exibicionismo. Outro trabalho do artista é o Erupção (2013), uma vídeo instalação com telas de TV tubo, que mostra vários ônibus queimando na cidade de SP e em outras cidades. Estas gravações foram encontradas online e exploram questões políticas de uma forma menos direta. Não sabemos o motivo pelo qual estes veículos públicos foram queimados, mas o ano de execução da obra (2013) foi um ano de muitos protestos no Brasil.

Na obra Morte Súbita (2012) de João Castilho o artista também seleciona vídeos, todos da plataforma de vídeos Youtube, tendo eles em comum serem situações de conflito e reféns. Ele juntou nove vídeos deste tipo, criando um só em formato de grade em que podemos ver todos simultaneamente. O artista também manipulou os vídeos e criou um momento em que todos os vídeos se alinham com o momento do tiro.

O que João Castilho nos aponta com esses trabalhos não são coisas que não queremos ver, pois cada vez mais há uma cultura de consumo de imagens violentas e grotescas. Isso se iniciou antes da Internet, como por exemplo programas de TV ou mesmo jornais sensacionalistas que já focavam em mostrar cenas de tragédia. Porém com a web 2.0 isso se potencializa, já que nós podemos nós mesmos produzir e compartilhar nossos conteúdos para todos. Além disso a própria circulação e abundância de imagens faz com que banalizemos certos assuntos que deveriam ser tratados com mais cuidado.

Assim como a vídeo instalação Odiolândia (2018) de Giselle Beiguelman, aqui já comentado em uma postagem no blog, os materiais utilizados para o trabalho já estavam disponíveis a todos. Mas quando o artista tira essas informações do seu contexto podemos olhar de uma forma distanciada e fora do ambiente em que essas imagens são geralmente consumidas. Por isso, um dos papéis do artista é nos apontar esses comportamentos ou pensamentos da nossa sociedade que são tidos como naturais ou automáticos. São obras que nos fazem questionar o que nós estamos consumindo, compartilhando e produzindo, ou seja qual a nossa responsabilidade em relação a internet.

Acesse o site de João Castilho aqui.

 

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