
Para celebrar o mês dos povos indígenas e sua presença na Universidade e no cinema nacional, a Sala Redenção, em parceria com a Casa do Estudante Indígena da UFRGS (CEI), apresenta, de 28 a 30 de abril, a mostra “Indígenas e resistência”.
A programação inicia na próxima segunda-feira com dois documentários que abordam aspectos sociais e culturais dos povos originários. Às 16h é exibido “Martírio” (2016), longa-metragem que tematiza o genocídio da população guarani kaiowa por meio de imagens históricas e atuais relativas à retomada de territórios.
Na sequência, às 19h, “Lembrem disso, minhas iambré” (2025) tem sua sessão de estreia. O documentário registra a retomada kaingang no Morro Santana, em Porto Alegre, e a condução da comunidade pela liderança indígena Gäh Té. A exibição é seguida de debate com Gãh Té e Bruno Huyer, realizadores do filme.
Já na terça-feira, dia 29, às 16h, o público pode assistir a “Para’Í” (2018), terceiro longa-metragem da mostra. O filme acompanha os questionamentos de Pará, uma menina guarani que vive com seus pais em área urbana e se depara com a descoberta de conhecimentos ancestrais.
“Indígenas e resistência” termina com uma sessão de curtas-metragens na quarta-feira, 30 de abril, às 16h. São exibidos “A Universidade que se quer: território do bem viver!” (2021), “Ga vī: a voz do barro” (2022), “A Araucária e a Gralha Azul” (2023) e “Nhemboaty kunhangue – do Povo Guarani” (2024). A curadoria da sessão é dos residentes da CEI e a exibição é seguida de roda de conversa sobre a presença indígena na Universidade e os desafios interculturais enfrentados pelos estudantes. Está prevista uma feira de artesanato na entrada do cinema.
A mostra tem entrada franca e é aberta à comunidade em geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. “Indígenas e resistência” tem apoio de Taturana Filmes, Descoloniza Filmes, COMIN, Tela Indígena e Museu da UFRGS.
PROGRAMAÇÃO:
Martírio
(dir. Vincent Carelli | Brasil | 2016 | 162 min | Documentário | Sem classificação)
A grande marcha de retomada dos territórios sagrados guarani kaiowá através das filmagens de Vincent Carelli, que registrou o nascedouro do movimento na década de 1980. Vinte anos mais tarde, tomado pelos relatos de sucessivos massacres, Carelli busca as origens deste genocídio, um conflito de forças desproporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos despossuídos guarani kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio.
28 de abril | segunda-feira | 16h
Lembrem disso, minhas iambré
(dir. Gãh Té e Bruno Huyer | Brasil | 2025 | 50 min | Documentário | Livre)
Mobilizando cantos e falas inspiradas, Gãh Té, mulher indígena kaingang, conduz suas parentes iambré pelo caminhar de seus antepassados através de uma ética do cuidado com todos os seres do cosmos, humanos e não-humanos. Entrelaçando o tempo dos antigos e sua luta contemporânea na retomada de um território kaingang no Morro Santana em Porto Alegre, defende que os Kaingang são os cuidadores da Terra em contraposição aos brancos, que precisam ser amansados para aplacar sua estupidez violenta que tudo destroi.
28 de abril | segunda-feira | 19h
Para’Í
(dir. Vinicius Toro | Brasil | 2018 | 81 min | Drama | Sem classificação)
Para’Í conta a história de Pará, menina guarani que encontra por acaso um milho guarani tradicional, que nunca havia visto e, encantada com a beleza de suas sementes coloridas, busca cultivá-lo. A partir dessa busca ela começa a questionar seu lugar no mundo, quem ela é, por que fala português e não guarani, por que é diferente dos colegas da escola, por que seu pai vai à igreja cristã, porque moram numa aldeia tão perto da cidade, por que seu povo luta por terra.
29 de abril | terça-feira | 16h
A Universidade que se quer: território do bem viver!
(dir. Daniela Silva Huberty e Kassiane Schwingel | Brasil | 2021 | 4 min | Doc | Livre)
Para a transformação da universidade ou sua construção com novas bases, é fundamental pensar no abandono das práticas colonialistas e eurocêntricas. Assim, abre-se espaço para a diversidade de compreensões de mundo, diversidade de saberes e ciências. Aline Kayapó e Walderes Coctá Priprá nos descrevem, neste vídeo, o que seria a universidade ideal para os povos indígenas. Uma universidade que amplie nossas chances de seguir existindo enquanto humanidade e de maneira digna
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Ga vī: a voz do barro
(dir. Ana Letícia Meira Schweig, Angélica Domingos, Cleber kronun de Almeida, Eduardo Santos Schaan, Geórgia de Macedo Garcia, Gilda Wankyly Kuita, Iracema Gãh Té Nascimento, Kassiane Schwingel, Marcus A. S. Wittmann, Nyg Kuita, Vini Albernaz | Brasil | 2022 | 11 min | Animação | Livre)
“Ga vī: a voz do barro” é uma animação que conta histórias Kaingang sobre a tradição da cerâmica, barro, território e ancestralidade, a partir das memórias narradas por Gilda Wankyly Kuita e Iracema Gãh Té Nascimento, com imagens e sons captados na Terra Indígena Kaingang Apucaraninha, localizada no norte do Paraná, durante o encontro de mulheres “Ga vī: a voz do barro, conversando com a terra”, em 2021.
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A Araucária e a Gralha Azul
(dir. Maurício Ven Táhn Salvador Kaingang e Alexandre Ven Kyg Tomais Pereira Kaingang | Brasil | 2023 | 13 min | Drama | Livre)
Reunidos na retomada Koguhn Mag, na Floresta Nacional de Canela, estado do Rio Grande do Sul, o cacique da etnia kaingang Maurício Ven Tanh compartilha com as famílias em luta pela terra uma história dos antigos ancestrais sobre a origem do seu povo e a importância da árvore araucária na sua cosmologia. No contexto de uma oficina de formação audiovisual ministrada por cineastas indígenas da etnia mebengokre/kayapó, que vieram de São Felix do Xingu, Estado do Pará, os indígenas kaingang passam a encenar a história e a ocupar os postos-chave na produção e direção de um registro audiovisual.
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Nhemboaty kunhangue – do Povo Guarani
(dir. Para Yxapy e Geórgia Macedo | Brasil | 2024 | 24 min | Documentário | Livre)
Ajaka rete’i kuery são as mulheres mbya guarani quem tem as belas palavras. Suas falas guiam o modo de ser, a língua e espiritualidade de seu povo. Nhemboaty kunhangue é um curta-metragem documental gravado durante durante uma oficina de audiovisual no Kunhangue Nhemboaty – 3º Encontro Nacional de Mulheres Guarani, ocorrido em novembro de 2023 na tekoa Koenju (São Miguel das Missões – RS).
30 de abril | quarta-feira | 16h