
O Centro Cultural da UFRGS inaugura, no próximo dia 24 de março, às 18h, a exposição “PANAPANÃ – Papilionis Transectum”, do artista Mauro Espíndola. Com curadoria de Marilice Corona, a mostra reúne gravuras experimentais, livros de artista, objetos e trabalhos in situ que operam como dispositivos de investigação poética sobre o tempo, a memória e a transitoriedade. A abertura da exposição conta com uma performance musical inédita feita pelo maestro Antônio Carlos Borges-Cunha, professor no Departamento de Música da UFRGS, com participação do músico Vagner Cunha e da Passaredo – Orquestra de Flauta Doce do IFRS/UFRGS.
Desenvolvido a partir das pesquisas do artista no Moinho da Capivara, estúdio localizado na zona rural de Lindolfo Collor, no interior do estado, o projeto apresenta obras construídas com materiais coletados no lugar, como galhos queimados, troncos necrosados e borboletas encontradas sem vida, reorganizados em composições que evocam sistemas de catalogação científica, ao mesmo tempo em que propõem reflexões sobre a impermanência.
A exposição, uma das ações selecionadas no Edital de Ocupação 2025 do Centro Cultural da UFRGS, evoca a atmosfera dos gabinetes de curiosidades, espaços surgidos na Europa entre os séculos XVI e XVIII que reuniam artefatos naturais, científicos e culturais como tentativa de apreender e ordenar o mundo. Em “PANAPANÔ, classificações e nomenclaturas científicas são apropriadas como ferramentas poéticas. O projeto é conduzido também por meio dos heterônimos do artista – Emanoel Leichter e Francysca Omolara –, borrando fronteiras entre autor, pesquisador e pseudocientistas imaginários.
Como desdobramento da mostra, no dia 28 de abril, às 18h30, Mauro Espíndola se reúne com Beatriz Zampieri, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Daiana Schröpel, bacharela, mestre e doutora em Artes Visuais pela UFRGS; e Flávio Gonçalves, professor titular do Instituto de Artes da Universidade, para debater o tema “Acúmulos e coleções: contextualizações dos gabinetes de curiosidades nas artes visuais”. O bate-papo acontece na Sala Araucária do Centro Cultural, com mediação da curadora Marilice Corona.
Já no dia 21 de maio, às 18h, Mauro Espíndola realiza uma mediação à exposição, com tradução e interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras). As obras da mostra também contam com recurso de audiodescrição.
“PANAPANÃ – Papilionis Transectum” encerra no dia 16 de junho, às 18h. O evento tem performance do maestro Antônio Carlos Borges-Cunha, junto ao músico Vagner Cunha e à Passaredo – Orquestra de Flauta Doce do IFRS/UFRGS; e da bailarina contemporânea Daggi Dornelles, bacharela em Educação Física e Artes Cênicas na UFRGS. Na mesma data será lançado o catálogo da exposição.
A mostra permanece aberta à visitação até o dia 16 de junho, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h. A entrada é gratuita e aberta à comunidade em geral.
O agendamento de visitas mediadas para grupos pode ser feito por email (educativocentrocultural@ufrgs.br) ou telefone (51 3308-1982).
Sobre Mauro Espíndola
Artista visual e doutorando em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV/UFRGS). Elabora pesquisas no campo simulado da ciência, com interesse por questões relativas à heteronímia, memória, identidade, natureza e ambivalências entre real e imaginário. Foi contemplado com o XVI Prêmio Açorianos na categoria “Destaque Artista” e Prêmio de Residência Artística no Ateliê̂ de Gravura da Fundação Iberê Camargo. Atualmente vive e trabalha no estúdio instalado no Moinho da Capivara, na zona rural de Lindolfo Collor.
Sobre Marilice Corona
Artista visual, curadora, pesquisadora e professora do Departamento de Artes Visuais e do PPGAV/UFRGS, com estágio doutoral pela Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne (França). Desde 2016 coordena o projeto “Studio P: Atelier Aberto de Pintura”. Em 2018 foi agraciada com o Prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria “Destaque em Exposição Individual”, com a mostra “Entre o Acervo e o Studio”, exibida no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS); e, em 2008, na categoria “Destaque em Pintura”. Desenvolve o projeto de pesquisa “A representação na pintura contemporânea: procedimentos metapicturais e outras estratégias”. Como artista, dedica-se à pintura, ao desenho e à fotografia.