Ensaios de toxicidade com organismos aquáticos têm sido exigidos pela legislação brasileira para o monitoramento de efluentes e corpos receptores. Dentre esses ensaios, o uso de peixes como organismos-teste é frequentemente negligenciado, sob a justificativa de apresentarem menor sensibilidade em comparação a outros grupos. No entanto, essa aparente baixa sensibilidade, muitas vezes, decorre da aplicação de metodologias inadequadas, e não necessariamente da escolha do organismo-teste.
Nesse contexto, o Laboratório de Ecotoxicologia da UFRGS tem direcionado seus esforços à análise crítica, adaptação e aprimoramento de métodos aplicados aos ensaios com peixes. Durante muitos anos, concentrou-se na implementação, avaliação e questionamento dos protocolos regulatórios com o peixe-zebra (Danio rerio), conduzindo ensaios de toxicidade aguda e crônica em diferentes fases de desenvolvimento, incluindo embriões e larvas.
Recentemente, as atividades experimentais com Danio rerio foram temporariamente suspensas, e o laboratório passou a empregar Pimephales promelas (Fathead Minnow) como novo modelo biológico. Essa transição visa ampliar o uso de um organismo-teste com reconhecida sensibilidade toxicológica e facilidade de manejo em laboratório.
Atualmente, são conduzidos ensaios de toxicidade aguda e crônica com P. promelas, em conformidade com os protocolos estabelecidos pela USEPA e pela ABNT. Ensaios embriolarvais estão em fase de implantação. As avaliações são complementadas pelo desenvolvimento de estudos comportamentais, bem como por contínuas melhorias no cultivo e nas condições de bem-estar dos organismos.
Paralelamente, o laboratório mantém parcerias com outros grupos de pesquisa, aplicando os ensaios ecotoxicológicos à geração de dados voltados ao monitoramento de áreas impactadas, avaliação da eficácia de tecnologias de tratamento de efluentes, caracterização da toxicidade de insumos industriais e outras aplicações relacionadas à avaliação de risco ambiental.
