Manifestação da Faced sobre a abertura das escolas de educação infantil e de turmas de  1º e 2º anos do Ensino Fundamental durante a pandemia

A Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, emitiu, neste sábado, 27 de fevereiro de 2021, manifestação sobre a abertura das escolas de educação infantil e de turmas de  1º e 2º anos do Ensino Fundamental durante a pandemia.

O documento foi proposto pela Direção da Unidade e elaborado conjuntamente com docentes das áreas de Educação Infantil (Departamento de Estudos Especializados) e da área de Didática dos Anos Iniciais Leitura e Escrita  (Departamento de Ensino e Currículo). Os membros do Conselho da Faculdade de Educação (CONFACED) aprovaram a seguinte manifestação:

” A Faculdade de Educação da UFRGS, em 50 anos de história, tem sido referência na luta pelo direito à educação. As atividades de ensino, pesquisa e extensão que ocorrem nesta Unidade acadêmica pautam temáticas que perpassam diversos aspectos envolvidos nos processos educativos, contemplando variadas perspectivas, metodologias, sujeitos e etapas da escolaridade. Nesse momento crítico do contexto de pandemia da Covid-19, nosso compromisso com a educação manifesta-se igualmente pelo apoio às reivindicações da categoria docente, defendendo que o retorno às atividades presenciais ocorra de modo a preservar a vida daqueles/as que integram a comunidade escolar – professores, funcionários, estudantes e seus familiares –, considerando sua inserção e articulação com os demais segmentos da sociedade e as múltiplas dimensões da vida cotidiana. A decisão, por parte dos gestores públicos, de reabrir as escolas de Educação Infantil e retomar as aulas presenciais para as crianças dos primeiros e segundos anos do Ensino Fundamental, do nosso ponto de vista, não se sustenta pelos argumentos ora apresentados, relativos aos prejuízos emocionais e cognitivos que o isolamento social estendido está causando às crianças, bem como para resolver problemas de toda ordem enfrentados pelos familiares das mesmas, quando o que é imprescindível – mais do que a garantia do direito à escola – é a preservação da vida. Na condição de sujeitos históricos e sociais, nossa escolha é pela vida e não pela morte; pela Ciência e não pelo negacionismo; pela coletividade e não pelo individualismo. Não acreditamos na possibilidade de uma escola sem contato, onde não se pode sair da sala, onde não se pode brincar e aprender junto. Por isso, escolhemos, enquanto Faculdade de Educação, o desafio de continuarmos veiculando e produzindo conhecimento que contribua para a qualificação da relação pedagógica, em período de ensino remoto, e de apresentar alternativas de intervenção aos efeitos negativos já manifestos e que se indicarão com o passar do tempo, concernentes à relação entre pandemia e educação escolar. Entendemos que estas são sequelas recuperáveis, em curto e médio prazo, se houver a devida responsabilidade do poder público e dos sujeitos envolvidos. Enquanto que àquelas, deixadas pela pandemia, tendem a durar bem mais ou serem irreversíveis.

No escopo da garantia do direito à vida e do direito à educação, consideramos urgente a:

  • vacinação de todos/as os/as professores/as e funcionários/as de escola, antes do retorno às atividades presenciais;
  • apresentação de uma agenda com ações propositivas por parte dos gestores públicos, visando às condições sanitárias necessárias para retorno seguro das aulas presenciais, quando estivermos em período de baixa transmissão comunitária do coronavírus, a fim de preservar a vida das crianças e de suas famílias;
  • ampliação dos programas sociais de apoio aos trabalhadores, a fim de minimizar os efeitos da pandemia;
  • criação de programas de formação de professores e projetos educacionais para o período pós-pandêmico;
  • elaboração de estratégias pedagógicas para garantir as aprendizagens das crianças, a manutenção e/ou recuperação dos vínculos e a preservação da vida durante e pós pandemia.

 

Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2021.”

Confira a versão original, em pdf, clicando aqui.

O Conselho Universitário da UFRGS, por proposição da Faculdade de Educação, emitiu, no dia 05 de março de 2021, moção contra o retorno às atividades presenciais no ensino básico.

Leia a moção na íntegra, clicando aqui.