FACED recebe a professora Esther Grossi e planeja parcerias com o GEEMPA

Na tarde da última quarta-feira, 24 de janeiro, a direção da Faculdade de Educação (FACED) promoveu um encontro especial com a renomada professora Esther Pillar Grossi. O evento, marcado por memórias acadêmicas e afetivas, reuniu docentes das áreas de Educação Matemática, Anos Iniciais e Educação de Jovens e Adultos.

Aos 87 anos, Esther Grossi é uma figura emblemática na Educação do Rio Grande do Sul, com uma trajetória marcada por importantes contribuições. Possui formação e mestrado em matemática, doutorado em Psicologia Cognitiva pela Universidade de Paris e fundou o Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa e Ação (GEEMPA) em 1970, no qual ainda atua como pesquisadora.  A educadora também foi Secretária Municipal de Educação de Porto Alegre no período de 1989 a 1992 e Deputada Federal por dois mandatos, de 1995 a 2003. A influência da ONG GEEMPA se estende desde a formação de professores até sua atuação nas escolas.

Durante o encontro, foram discutidos projetos conjuntos para o ano de 2024, com destaque para ações de formação e extensão entre a FACED e o GEEMPA.

Estiveram presentes no encontro com Esther, a diretora da Faced, Liliane Giordani, as professoras da área de Educação Matemática – Helena Dória Lucas de Oliveira, Andreia Dalcin e Virgínia Sanchotene (convidada), as professoras da área de anos iniciais – Sandra Andrade e Marília Forgearini Nunes, o professor da área de Educação de Jovens e Adultos – Rafael Arenhaldt, a professora Analice Dutra Pillar – sobrinha de Esther, e as duas monitoras que acompanharam a pesquisadora do GEEMPA – Débora Medeiros e Kátia Kneipp.

 

 

Helena Dória destacou a trajetória longa e de muitos conhecimentos na história da Educação Matemática de Grossi e faz planos a partir do encontro: “acredito que possamos organizar um grupo de docentes interessado em entender mais sobre os processos cognitivos do aprender, repensando, se for o caso, nossos modos de ensinar e partilhar nossos conhecimentos com as turmas nas quais trabalhamos. Esther demonstrou sua instigante vontade de ser professora para o grupo que desejar se aprofundar na teorização foco de sua tese de doutorado, sob orientação de Gerard Vergnaud. ‘Mas vão ter que estudar!’, já nos avisou”.

Arenhaldt, avalia a tarde como uma tarde de café, boa prosa e de encontros e reencontros de vidas, de sonhos e de ideias. “Do ponto de vista do futuro, iniciamos e esboçamos ideias e projetos conjuntos para o ano de 2024. Ações de formação e extensão estão sendo gestadas. Aguardem!”.

A professora Grossi expressou sua satisfação com a receptividade calorosa e destacou a importância do diálogo contínuo para enfrentar os desafios do ensino: “Percebi que a gente estava sintonizando, no sentido de saber qual é que é o nó que eu vejo que existe no ensino e que está muito além de uma coisa imediata, assim, de uma coisa que vai ser resolvida amanhã, não. Eu estou pensando em dar subsídios para uma coisa em profundidade e a longa distância.”

Sandra Andrade conta que ficou muito honrada em representar sua área no encontro, pois foi aluna de Grossi na década de 1990 nos cursos do GEEMPA. “O curso e o material didático produzido pelo grupo muito contribuiu para a minha formação e docência. Além desse trabalho, Esther foi também uma liderança política importante, inclusive dentro do CPERS”.

 

A diretora da FACED comenta que foi uma tarde memorável, onde foi possível “recuperar a importância do trabalho realizado pela professora Esther, através do GEEMPA, na formação de professores e na atuação junto às escolas. Partilhamos ações que a FACED vem desenvolvendo e as preocupações comuns com relação às praticas e processos de ensino. Seguiremos em diálogo para a construção de possíveis parcerias futuras. Ah, e ganhamos os famosos merengues para adoçar nossa tarde”, conclui Giordani.

Esther Grossi avaliou o encontro muito positivamente. Comentou que ficou muito contente com a acolhida e em observar como as pessoas estavam felizes com a sua presença.  “A conversa evoluiu com uma sintonia entre nós, no sentido de saber qual é o nó que eu vejo que existe no ensino e que está muito além de uma coisa imediata, assim, de uma coisa que vai ser resolvida amanhã, não. Eu estou pensando em dar subsídios para uma coisa em profundidade e a longa distância”.

 

 

O encontro foi encerrado com o agendado de uma nova reunião para fevereiro, com o objetivo de desenvolver ideias iniciadas nesta primeira visita.

 

Sobre o GEEMPA

O GEEMPA (Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa e Ação), é uma ONG com 47 anos de atuação. Sua fundação se deu em 9 de setembro de 1970, primeiramente, como Grupo de Estudos sobre o Ensino da Matemática de Porto Alegre e tinha como intuito proporcionar aos alunos o gosto pela matemática, revertendo a situação de enorme perda de potencial cognitivo causada pela aversão a essa disciplina escolar. Passados mais de dez anos, o GEEMPA passou a se focar na alfabetização, com o intuito de enfrentar o grande desafio de reduzir as taxas de analfabetismo no Brasil (50 milhões de analfabetos adultos, sendo 15 milhões de analfabetos absolutos e 35 milhões de analfabetos funcionais), recebendo premiações e reconhecimento internacional. Posteriormente, vem mergulhando no campo da construção dos conhecimentos teóricos e práticos sobre como se ensina e como se aprende, conforme comprova sua produção científica expressa em um conjunto de várias dezenas de obras publicadas e no elenco de projetos por ele realizados. O GEEMPA tem trabalhado com propostas didático pedagógica construída a partir do diálogo entre as mais bem fundamentadas teorias da aprendizagem e os mais complexos problemas de ensino-aprendizagem em sala de aula, notoriamente, em escolas públicas que atendem às classes populares.

O GEEMPA funciona na Rua Lopo Gonçalves, 511 no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre/RS.