Tese sobre pedagogia performativa da memória é indicada a prêmio da Capes

“Minha tese ter sido escolhida dentre diversas pesquisas extremamente relevantes, representa em primeiro lugar o reconhecimento de um percurso, que sempre é coletivo. Significa que o tema da tese reverbera socialmente e ainda precisa ser amplamente debatido na esfera pública”, detalha a doutora Marta Hass, responsável pela pesquisa “Por uma pedagogia performativa da memória: performance e testemunho sobre violência de Estado na escola” que representará o Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no Prêmio CAPES de Tese – Edição 2024.

Marta explana que a pesquisa teve como objetivo principal investigar como a performance pode contribuir na transmissão da memória traumática relacionada à violência de Estado no contexto escolar. Para tanto, foram realizadas experiências performáticas com estudantes da rede pública de ensino de Porto Alegre. “A investigação demonstra que a reparação da violência praticada pelo Estado pode advir de uma pedagogia performativa da memória, na medida em que reconhece e desnaturaliza a violência incorporada, engendra um sentido de responsabilidade coletiva, reencarna e reatualiza a memória, assim como a partir da imaginação, vislumbra um futuro diferente”, resume, enquanto conta que devido ao convênio de cotutela com a Universidade Paris Nanterre (França), envolveu dois orientadores (Gilberto Icle na UFRGS e Graça dos Santos em Nanterre) e dois grupos de pesquisa (GETEPE – Grupo de Estudos em Educação, Teatro e Performance e CRILUS – Centre de Recherches Interdisciplinaires sur le monde Lusophone).

A doutora explica que, embora seja graduada como bacharela em Filosofia, paralelamente sempre atuou no teatro.  Marta faz parte do grupo teatral Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz desde 2001. “Fazer mestrado e doutorado no PPEDU, na linha de pesquisa Arte, Linguagem e Currículo me permitiu aprofundar a pesquisa sobre artes cênicas e educação”, resume ao lembrar que durante toda a trajetória na Faculdade de Educação foi orientada pelo professor Gilberto Icle. “Após a defesa, tenho me aventurado em realizar intervenções híbridas, que incluem tanto a performance quanto a pesquisa num formato mais acadêmico. Ainda durante o doutorado, como desdobramento da pesquisa, criei a palestra-performance intitulada Dopinho: um lugar de memórias sensíveis (sobre o primeiro centro clandestino de prisão e tortura do Cone Sul). Recentemente, em parceria com Pedro Isaias Lucas, criei Auroras: havemos de amanhecer, sobre a resistência feminina às ditaduras brasileira e portuguesa. Essa palestra-performance foi apresentada em junho em Paris, com apoio do Ministério da Cultura, na 17a edição do Festival Parfums de Lisbonne”.

Marta é objetiva ao elencar o que mais a animou a vivenciar a realidade do Prédio Azul. “A pluralidade e diversidade das linhas de pesquisa, ter um coletivo de discentes atuante também foi fundamental, pois sempre encontrei apoio e diálogo”. Além disso, ela confessa que  fazer o doutorado foi muito desafiador desde o princípio. “A possibilidade de fazer em cotutela com outra universidade de fora do Brasil, exigiu aprender o básico de uma língua que eu não conhecia, assim como lidar com a burocracia de um outro país para lá poder viver e estudar durante um período”.

Premiação

Os autores das teses selecionadas receberão bolsa de até um ano para estágio pós-doutoral em instituição nacional, certificado e medalha. Seu orientador ganhará um prêmio no valor de até R$3 mil, além de certificado, que também será oferecido aos coorientadores e ao programa de pós-graduação no qual o trabalho foi defendido.