Programa Escola da Terra adquire 400 quilos de sementes crioulas para ações de formação acadêmica e comunitária

No dia 31 de agosto, a comitiva da Faculdade de Educação (FACED) ligada ao Programa Escola da Terra recebeu 400 quilos de sementes crioulas, adquiridas para atividades de formação, pesquisa e extensão e para compartilhamento com escolas e comunidades dos territórios do campo, das águas e das florestas.

As sementes foram entregues aos coordenadores do programa e docentes do curso de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza, Aline Hernandez e Nelton Dresch, e à Técnica em Assuntos Educacionais do curso, Márcia Gonçalves.

O Escola da Terra é desenvolvido pela FACED, em parceria com a Faculdade de Agronomia (FAGRO). A aquisição foi viabilizada por meio da articulação da professora Magnólia Aparecida Silva da Silva, da FAGRO, e do acompanhamento dos extensionistas rurais Adriano Jeferson Dreher e Letícia Fagundes Cremonese, da Emater-ASCAR/RS. As sementes foram adquiridas junto à Associação dos Guardiões das Sementes Crioulas de Ibarama, na região Centro-Serra do Rio Grande do Sul, com recursos do Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo).

Sementes como patrimônio e conhecimento

Para os coordenadores do programa, as sementes crioulas representam muito mais do que um insumo agrícola. Elas carregam memórias, saberes, práticas agrícolas e modos de relação com o ambiente construídos e transmitidos entre gerações. Sua circulação pelos territórios educativos contribui para fortalecer a Educação do e no Campo e valorizar conhecimentos produzidos pelas próprias comunidades.

Nesse sentido, as sementes também assumem uma dimensão pedagógica, podendo ser utilizadas como material didático em práticas de ensino territorialmente referenciadas.

O Programa Escola da Terra, iniciado em dezembro de 2025 e com atividades previstas até novembro de 2026, atende diretamente 18 escolas de 14 municípios, através de uma parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul. Sua atuação, no entanto, ultrapassa os limites das escolas e se amplia por meio do conceito de território educativo, envolvendo comunidades, movimentos sociais, povos do campo, aldeias e retomadas indígenas, comunidades quilombolas, agricultores familiares e outras organizações.

As sementes acompanharão também o movimento entre Tempo Universidade e Tempo Comunidade, característica da formação desenvolvida pelo programa. Entre as possibilidades de utilização estão hortas escolares, roças, feiras de troca, ações de multiplicação e conservação de sementes e práticas de produção agroecológica.

A iniciativa também estará presente em ações de extensão e estágios vinculados à Licenciatura em Educação do Campo, nos núcleos comunitários de Capivari do Sul, Nova Santa Rita e Eldorado do Sul.

Diversidade de culturas

O conjunto adquirido reúne mais de 30 culturas distintas e mais de 60 variedades de alimentos. Entre as principais estão milho crioulo, milho de pipoca, feijão, mandioca, trigo, abóboras, tomate, ervilha, melão, melancia, girassol, pimenta, alface, couve, pepino, porongo.

A diversidade de sementes amplia as possibilidades de trabalho nas atividades de formação inicial e continuada de professores, além de ações de pesquisa, extensão e estágios de docência. Os conhecimentos relacionados ao cultivo, à alimentação, à agroecologia e à conservação das sementes poderão ser incorporados às práticas pedagógicas desenvolvidas pelos estudantes.

A chegada das sementes à FACED também fortalece a relação entre a formação universitária e os territórios onde atuam as escolas do campo. Para Aline Hernandez, a iniciativa amplia a responsabilidade compartilhada pela preservação e circulação desse patrimônio.

“Agora, o Programa Escola da Terra e seus territórios educativos também se tornam guardiões de sementes crioulas, assumimos essa co-responsabilidade com o cuidado da Terra e a produção do alimento”, destaca.

A expectativa é que as sementes crioulas sejam plantadas, estudadas, compartilhadas e multiplicadas, aproximando universidade, escolas e comunidades e fortalecendo práticas educativas comprometidas com os territórios e com o cuidado com a Terra.

Sobre o Escola da Terra

O Escola da Terra é um programa federal de formação continuada voltado a professoras, professores e profissionais que atuam em escolas do campo e junto aos povos do campo, das águas e das florestas. É uma ação do Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo), ligado à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa busca fortalecer a educação das populações do campo, articulando formação docente, escolas, comunidades e diferentes sujeitos dos territórios.

Sobre as sementes crioulas

As sementes crioulas são variedades agrícolas conservadas, selecionadas e aprimoradas por comunidades camponesas, indígenas e quilombolas ao longo de gerações. Adaptadas aos territórios onde são cultivadas, contribuem para a preservação da agrobiodiversidade e da soberania alimentar, além de carregarem conhecimentos e práticas culturais transmitidos entre gerações.