
Aprendendo com a arte de mulheres da América Latina
As crianças nascem livres de julgamento ou preconceito. No entanto, o estranhamento pode ocorrer a partir do relacionamento com a família, amigos e colegas quando a diversidade não é respeitada. Cientes dessa perspectiva, a estudante de Pedagogia do 7º semestre Mariana Prette propôs uma atividade diferente na Escola Municipal de Educação Infantil Tio Barnabé, em Porto Alegre, local onde realiza o estágio obrigatório com 22 meninos e meninas maiores 5 anos (Jardim A). Ela montou um ateliê com propostas inspiradas em trabalhos de mulheres latino americanas denominado “O eu o outro e o nós: expandindo saberes, construindo identidade”. Além disso, na próxima semana, dia 13, levará os jovens estudantes na exposição “Artistas Mulheres: tensões e reminiscências” na Pinacoteca Rubem Berta.
A acadêmica conta que objetivo da atividade é proporcionar a ação, criação e exploração das crianças através de diferentes materiais e suportes tendo como inspiração os trabalhos de artistas mulheres latinoamericanas. “Como educadora, tanto quanto apresentar materiais e suportes diversos para as produções das crianças, é preciso reconhecer, valorizar e utilizar referências diversificadas”, afirma Mariana que paralelo ao estágio escreve o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre artistas negros contemporâneos e educação antirracista com crianças pequenas.
No início do estágio, Mariana descobriu quais conhecimentos prévios as crianças possuíam sobre a América Latina. A discente relata que há um mapa da América Latina na sala e as estudantes podem analisar o Brasil, Rio Grande do Sul e quem são os países vizinhos. “Depois apresentei as imagens e as histórias das artistas que iria utilizar como referência para as crianças conhecerem visualmente essas mulheres e não apenas escutarem seus nomes. Posteriormente trabalhei com essas artistas utilizando suas produções na elaboração das propostas que apresento para as crianças” resume a futura Pedagoga, ao adiantar que na visita à Pinacoteca as crianças conhecerão Mitti Mendonça, artista negra que falará sobre as obras do acervo e a própria arte.
Responsável pela orientação do estágio, o professor Rodrigo Saballa destaca que o ateliê desenvolvido pela acadêmica no estágio de docência na Educação Infantil é contemporâneo, urgente, necessário e extremamente significativo no contexto de vida coletiva. Segundo ele, tendo por base o entendimento de que as crianças constroem relações a partir das interações que estabelecem com seus pares, nos contextos de vida em que habitam, a pauta das relações raciais, enquanto trabalho cotidiano, configura-se como um modo de educar as crianças a partir de uma perspectiva antirracista. “ Ao compartilhar as histórias de vida das artistas, os seus modos de produção do trabalho artístico, bem como suas provocações éticas, políticas e estéticas, a estagiária convida o grupo de crianças com os quais trabalha, a conhecerem a si mesmas, aos outros e ao coletivo do qual fazem parte enquanto sujeitos do tempo presente. Sem dúvida, o trabalho desenvolvido por Mariana, é um convite a exercício dos princípios éticos, políticos e estéticos que pautam o exercício da docência com crianças”.

