14 de novembro – Dia Nacional da Alfabetização

Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundoFernando Pessoa

Hoje, no Dia Nacional da Alfabetização (14 de novembro), o Brasil apresenta alguns índices a serem comemorados, mas muitos outros a melhorar. Como tantos outros setores no país, o processo de alfabetização também é desigual. Na sociedade em que vivemos, saber ler e escrever é um privilégio, não um direito. De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Economia e Estatística), 13 milhões de brasileiros ainda não conseguem ler ou escrever, número que preocupa e indica a urgente necessidade de melhorias no ensino público do país. Apesar disso, a melhora nos números acontece – lenta e vagarosa, mas acontece.

A taxa de analfabetismo recuou de 7,2%, em 2016, para 7% em 2017. No entanto, ainda há 11,46 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE. Os números mais preocupantes concentram-se em uma faixa etária e região específica: pessoas com 60 anos ou mais que residem no Nordeste. Mais da metade dos analfabetos estão no Nordeste (6,4 milhões). Destes, três milhões possuem 60 anos ou mais. O perfil do analfabeto brasileiro aponta para um déficit histórico de acesso à educação na região.

Outra questão preocupante no Brasil é o analfabetismo funcional. Três a cada 10 brasileiros têm limitação para ler, interpretar textos, identificar ironia e fazer operações matemáticas em situações da vida cotidiana – e, por isso, são considerados analfabetos funcionais. Ou seja, mesmo quando a criança tem acesso às técnicas de leitura e aprende a decifrar o código que é a língua portuguesa, nem sempre ela irá aprender a entender aquilo que lê. Embora domine a técnica, não consegue compreender a mensagem.

Cerca de 80% da população brasileira reconhece a importância social da leitura, porém quase 50% das pessoas declaram não ler livros. Por quê? Declaram ter graves dificuldades de compreensão. Os dados, colhidos na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, confirmam que o analfabetismo funcional precisa ser tratado com a seriedade que demanda. As mudanças devem começar pela escola, para que o ensino seja completo, uma vez que, ao sair do Ensino Médio como analfabeto funcional, dificilmente um jovem terá nova oportunidade ou acesso a esse conhecimento, especialmente se pertencer às camadas sociais menos favorecidas. É imprescindível o comprometimento de toda a comunidade escolar, assim como as organizações governamentais.

Historicamente, o acesso a direitos básicos, como a educação, é negado a determinados grupos sociais. Um levantamento realizado pelo Núcleo de Pesquisa em Desigualdades Escolares da Universidade Federal de Minas Gerais (Nupede – UFMG) comprova que fatores como classe, raça e gênero afetam não somente no acesso à educação, mas também a padrões de qualidade na educação básica. O estudo, feito com base nas edições da Prova Brasil de 2007 a 2013, aponta que apesar de 99,2% das crianças estarem matriculadas no Ensino Fundamental, o número de jovens pobres matriculados no ensino médio era de apenas 39%.

O fato de termos uma das piores taxas de desigualdade social do mundo não é novidade: somos a 10ª nação mais desigual do planeta, de acordo com o RDH (Relatório do Desenvolvimento Humano), da ONU (Organizações Nações Unidas). Também é de notório conhecimento o potencial que a educação tem de transformar essa realidade. Por isso, o caminho está em oportunizar o acesso à educação, que, sim, promove a igualdade, assim como possibilitar meios de manter as crianças e jovens na escola, lhes oferecendo qualidade de formação, para conquistarmos uma sociedade mais equânime, independente de raça, gênero ou região geográfica. É a mensagem do Portal Humanista nesse dia de reflexão para brasileiros e brasileiras que apostam numa sociedade mais justa e fraterna. 

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