Brasil já registra 141 mortes de LGBT’s em 2019; personalidades se manifestam nas redes socias

Números são monitorados pelo Grupo Gay da Bahia a partir de notícias na imprensa e denúncias em redes sociais; personalidades se manifestam no Dia Internacional de Combate à LGBTfobia.

#RedaçãoHumanista

O Brasil registrou 141 mortes de pessoas lésbicas, gays, bissexuais e travestis, transgêneros e transexuais (que são abarcadas pela denominação genérica trans na sigla LGBT) até o dia 15 de maio de 2019. Os números assustadores são fruto do monitoramento diário realizado pelo GGB (Grupo Gay da Bahia) divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira, 17 de maio, Dia Internacional de Combate à LGBTfobia. Pelo menos uma pessoa LGBT morre por dia no país.

No início de janeiro, quando o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ), gay e ativista da causa LGBT, renunciou ao mandato com medo de ameaças de morte, o Humanista publicou reportagem em que retratava a tensão vivida pela comunidade LGBT brasileira ante à ascensão do pensamento conservador, cujo auge foi a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em 2018. A repórter Patrícia Barbosa (que é lésbica e compôs a redação do portal no segundo semestre de 2018) abre a reportagem com o relato de ameaça que sofreu em Porto Alegre (RS), um dia após o primeiro turno das eleições: “Eu temi pela minha integridade física e psicológica naquele momento: aquela pessoa poderia me humilhar ainda mais, ali mesmo, ou então poderia me seguir, me bater, me matar”.

A avaliação do GGB é de que, infelizmente, a tendência é que os números de 2018 (420 mortes de pessoas LGBT’s) se repitam ao final deste ano. Isso porque no mesmo período do ano passado, 140 pessoas haviam morrido nessa condição em face das 141 mortes de 2019. O ranking dos três estados com mais mortes até maio tem: São Paulo (22); Bahia (14); Pará (11). A principal causa da morte é pelo uso de armas brancas (39), seguida de mortes por armas de fogo (22), espancamentos (13) e estrangulamentos (8).

 

Metodologia x legislação

Na próxima quinta-feira, dia 23, o STF (Supremo Tribunal Federal) deve dar prosseguimento ao julgamento que discute a criminalização da LGBTfobia no Brasil.  A falta de uma legislação específica para crimes com essa motivação – a exemplo do que ocorre com o crime de feminicídio, tipificado no Código Penal em 2015 – gera controvérsia em torno da metodologia empregada no relatório divulgado anualmente pelo Grupo Gay da Bahia, já que não existem dados oficiais.

Os números da organização baiana são fruto de monitoramento diário de notícias publicadas na imprensa e denúncias de redes sociais sobre os crimes que envolvem pessoas LGBT’s. São considerados também suicídios; o GGB sustenta que têm motivação homofóbica porque “LGBTs tendem a se matar quatro vezes mais do que os heterossexuais, sendo a discriminação a causa principal de tais mortes voluntárias”.

No início de maio, a LiHS (Liga Secular Humanista), associação com sede em Porto Alegre, publicou uma checagem realizada por seus membros sobre os dados produzidos pelo GGB referentes ao ano de 2016. Considerando informações possíveis de serem apuradas em cada uma das 347 mortes relatadas no ano, a LiHS reclassificou a motivação das mortes e chegou ao número de 31 que, conforme os seus critérios, poderiam ser consideradas como motivadas por LGBTfobia.

 

Personalidades se manifestam pelo fim da violência

 

 

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Personalidades do Brasil e do Exterior têm utilizado as redes sociais ao longo desta sexta-feira, 17, para marcar a passagem do Dia Internacional de Combate à LGBTfobia. Um dos casos brasileiros de maior destaque é o da cantora baiana Daniela Mercury, casada com a jornalista Malu Verçosa, que usou a conta que mantém no Instagram para dizer que a “discriminação não será tolerada!” (assista o vídeo acima).


Jason Collins, primeiro jogador da NBA a assumir sua homossexualidade, afirmou na sua conta no Twitter que “piadas transfóbicas e homofóbicas não são engraçadas e podem levar a consequências mortais. Transfobia e homofobia levam pessoas a serem mortas todos os dias ao redor do mundo. Por favor, tente lembrar-se disso antes de ‘curtir’ retweetar ou postar alguma coisa”.


A atriz Fernanda Paes Leme utilizou seu Twitter para lembrar que o Brasil tem altos índices de violência contra pessoas LGBTQI+. A artista da Rede Globo também faz um apelo para que seus seguidores acolham e respeitem as diferenças.


FOTO DE CAPA: Marcello Camargo/Agência Brasil

 

 

 

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