O Brasil há algum tempo não vivia uma situação tão ruim em termos econômicos, políticos e sociais. O país voltou recentemente ao mapa da fome, após ter saído em 2014. Só no Rio Grande do Sul, a cada 10 famílias, duas não tem o que comer. Somam-se, ainda, os problemas sentidos pelo brasileiro no aumento de insumos básicos, no desemprego, nas dificuldades na escolarização de crianças, no enfrentamento de uma pandemia – que ainda não acabou – e que deixou muitos prejuízos.
Estamos oficialmente em período eleitoral, mas isso não significa dizer que os temas que importam aos brasileiros vão ser discutidos seriamente. Com uma semana desde o início das campanhas, é possível perceber que tais temas serão ofuscados por uma disputa incomum, marcada por lados bem opostos e demarcados.
O primeiro turno das eleições ocorre em 2 de outubro, portanto, daqui a pouco menos de 40 dias, e uma questão deve ser colocada a quem cobrirá jornalisticamente o acontecimento e o que o antecede: vale a pena debater propostas para o país neste momento?
Diante de um pleito cujo debate é tão violento, pouco será possível discutir em profundidade aquilo que impacta diretamente a população. Algo que já vem sendo dito por alguns veículos, pessoas públicas e figuras importantes da sociedade é que, agora, os esforços devem ser de garantia das possibilidades democráticas, reforçando que essa eleição é, na verdade, um plebiscito e que demanda que os jornalistas a tratem dessa maneira.
O Humanista, enquanto jornal-laboratório especializado em Direitos Humanos, seguirá buscando cobrir os temas da agenda pública qualificadamente, mas entende que nenhum formato fixo para a cobertura – como, eventualmente, um “raio-x” das propostas dos candidatos e candidatas – será proveitoso agora, uma vez que será imprevisível o rumo do debate público nas próximas semanas.
Porém, justamente por ser um veículo laboratorial, alguns temas lhe são caros. A educação que sofreu cortes de verbas, além de inúmeras trocas de ministros da pasta, aulas online fruto da pandemia de covid-19 e diversos outros fatores, deve ser tema a se pensar no período. Da mesma forma, a ciência, que sofre tanto quanto com as constantes precarizações.
A cultura, que viu seus artistas e profissionais passarem dificuldades com a impossibilidade de exercer seu trabalho e sem auxílios e suporte necessários por parte do governo. E, de modo geral, o emprego que, quando não falta ao brasileiro, é extremamente precário, inseguro, insuficiente para lhe garantir boas condições de vida.
Debater esses temas relacionados aos Direitos Humanos é fundamental e nosso propósito. Direitos Humanos são, inclusive, pauta de apenas 4 dos 12 candidatos à Presidência da República em seu plano de governo, o que demonstra ainda mais a necessidade de seguir reforçando a sua relevância.
O que se sobrepõe agora, reiteramos, é a democracia. Em nenhum outro desde a redemocratização passamos por um risco similar e, tendo a democracia como um pilar central para discutir, entender e pautar qualquer outro tema, é preciso defendê-la em primeiro lugar. É o nosso compromisso, que se expressa diariamente na promoção do debate público qualificado e, acima de tudo, dos direitos de brasileiros e brasileiras.




