EDITORIAL | Quantos “acidentes” mais?

Derramamento de óleo no litoral nordestino já atinge milhares de quilômetros e escancara a omissão do governo federal frente às questões ambientais

Depois da tentativa de extinção do Ministério do Meio Ambiente pelo governo federal, a diminuição das verbas destinadas à pasta e o fechamento da Secretaria das Mudanças Climáticas e Florestas, mais um crime ambiental acontece no Brasil. Parte do litoral nordestino, contabilizando mais de 200 localidades até então, está carregado de manchas pretas, um óleo de origem ainda desconhecida.

Desde 30 de agosto deste ano, o derivado de petróleo já atingiu milhares de quilômetros não só mar adentro, mas também a costa, atingindo rios, mangues e corais. Mesmo com o trabalho de retirada desse material pela Marinha, pelo Ibama e por outros órgãos, além  de voluntários, os danos do desastre permanecem, visto que há uma contaminação química do habitat natural de várias espécies, o que afeta toda a cadeia alimentar.

Cenas como a de tartarugas cobertas com o líquido viscoso preto pipocaram na internet nos últimos dias. Muitos dos répteis já estavam mortos, visto que o óleo é tóxico. É a tragédia que se repete, e, mais uma vez,  são os animais que pagam pelo preço dos “acidentes” cometidos por mãos humanas e gananciosas. 

Outras cenas que chamaram a atenção foram os esforços de voluntários para retirar  o óleo que repousava na beira de praias. Havia também aqueles que ajudavam na limpeza de animais cobertos com óleo. Entre uma coleta e outra, pessoas reiteravam o que o MPF (Ministério Público Federal) já havia percebido a omissão do governo federal. E é fato: o órgão, inclusive, moveu ação para que o governo lançasse um plano para combater a dispersão do óleo

A crescente omissão do governo federal em questões ligadas ao meio ambiente somente reitera como é importante que sejam exigidas ações mais concretas e imediatas para conter o avanço do óleo que tem se espalhado com rapidez. É inaceitável ver o nosso país ser destruído aos poucos com tantos “acidentes” ambientais, sejam de lama tóxica, como em Mariana e Brumadinho – ambas em Minas Gerais -, sejam do recente vazamento de óleo. Quem pagará por  esses crimes? A resposta é do tamanho do oceano: todos nós, a flora, a fauna e quem ainda virá a habitar este país. Contaminações dessa magnitude reverberam por décadas no ambiente. 

O Humanista acredita que é um dever das autoridades agirem com urgência em casos como esse, uma vez que somente o governo federal e grandes instituições possuem instrumentos e meios para agir com rapidez e maior eficácia em casos como esses. Em vez de apontar culpados sem qualquer embasamento técnico e se manter omisso, o governo deve agir com consciência no âmbito das questões ambientais, porque elas não são somente preocupações de veganos que comem vegetais, como afirmou o presidente Jair Bolsonaro. Temáticas ambientais e climáticas dizem respeito a todos. Enquanto estamos preocupados em produzir cada vez mais petróleo – um combustível fóssil altamente poluente -, o planeta vai adoecendo. Cada gota de óleo derramada no mar é um pouco menos de vida para o nosso planeta.  


FOTO DE CAPA: Felipe Brasil/Fotos Públicas

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