ARCHGEN: o primeiro laboratório brasileiro exclusivo para estudo de DNA antigo
DNA antigo (aDNA) é aquele DNA extraído de amostras anciãs tais como subfósseis, múmias e espécimes de museus coletados nos séculos passados. Além destes, todo DNA proveniente de amostras que não foram especificamente fixadas para estudos moleculares, como por exemplo espécimes de museus de até algumas décadas atrás, deve ser considerado DNA antigo.
O primeiro registro da técnica de aDNA deu-se em 1984 para recuperar o DNA de um exemplar de Equus quagga, uma subespécie extinta de zebra da planície africana (Higuchi et al., 1984), tombado há pelo menos 150 anos em um museu. O DNA extraído desse espécime ajudou não apenas na determinação do posicionamento filogenético deste animal, mas permitiu o desenvolvimento de um projeto para o cruzamento, reprodução e reintrodução de quaggas em ambiente natural. Desde então, a técnica de DNA antigo tem sido empregada para diferentes finalidades e estudos, como genética e filogenia envolvendo espécies extintas, conservação e recuperação de comunidades impactadas, reposição de recursos pesqueiros depauperados, entre outras.
Entretanto, devido ao elevado grau de fragmentação e degeneração, o DNA antigo é altamente suscetível a contaminações, e seu estudo requer uma série de medidas visando o isolamento e esterilização do espaço onde serão processadas as amostras. Para atender estas medidas foi criado o ARCHGEN: um laboratório dedicado exclusivamente à análise e processamento de DNA antigo e difícil. O ARCHGEN obedece aos requisitos básicos exigidos para a manipulação segura das amostras e, consequentemente, para a confiabilidade dos resultados. Para isto, a Dra. Priscilla C. Silva, então doutoranda do PPG-Biologia Animal, estagiou durante 10 meses junto ao LAB, o laboratório de Biologia Molecular da Smithsonian Institution em Washington DC, EUA. Durante este período, ela desenvolveu e testou protocolos para extração de DNA de materiais antigos depositados em museus
Dando continuidade a este projeto no ARCHGEN, as Dras. Priscilla Caroline Silva e Maria Claudia Malabarba buscam descobrir a real identidade de espécimes-tipo da familia Characidae (lambaris) depositados em diferentes museus da Europa e América do Norte há mais de 100 anos! Em 1917, foi publicado um artigo desvendando a identidade de uma espécie de lambari coletada pela Thayer expedition em 1864 e nomeada em homenagem a D. Pedro: o Deuterodon pedri (Silva et al. 2017). Atualmente, está sendo finalizado um artigo sobre a verdadeira identidade e localidade de coleta de Tetragonopterus taeniatus: um lambari coletado por Charles Darwin durante a viagem do Beagle, em 1832. Entretanto, as pesquisadoras enfatizam que espécimes de museus pertencentes a outros grupos biológicos preservados em via umida ou seca, são passíveis de sequenciamento como insetos, peles, pelos, dentes, plantas, etc.
