ASSOCIAÇÃO NEGRA DE CULTURA

Sopapo Poético – Sarau de Poesia no extremo sul do Brasil

Apresentamos o Sopapo Poético, sarau de poesia negra que acontece em Porto Alegre desde 2012. Entendemos que nesse evento ocorre um encontro de duas tendências: a recente difusão dos saraus periféricos em São Paulo e outras cidades do Brasil com a tradição da poesia negra brasileira, especialmente a produzida desde a década de 1970. Esse encontro ocorre em um contexto específico que condiciona a atuação do movimento negro gaúcho: Porto Alegre, significativa “cidade letrada” e capital do Rio Grande do Sul, estado marcado por uma identidade regional racializada no mito do gaúcho europeizado.

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Roda de poesia

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Descrevemos o funcionamento do sarau, desenvolvido em três momentos: a roda de poesia, com participação espontânea da audiência; a apresentação do Sopapinho, onde as crianças são levadas ao centro da roda; e o homenageado da noite, que combina o relato de trajetória com a performance artística. Entre os homenageados, destacamos duas figuras relevantes para a estética do sarau: o poeta Oliveira Silveira e o sopapeiro Giba Giba. Analisando as intervenções poéticas nas suas dimensões textual e performática, somos levados a pensar na íntima ligação entre o estético e o político que se constrói no sarau. As ideias de Paul Gilroy sobre a política cultural diaspórica no Atlântico negro servem para compreender o contexto de conflito e as formas de elaboração da identidade cultural afro-gaúcha.

Documentário Sopapo Poético – Ponto Negro da Poesia

FONTOURA, Pâmela Amaro; SALOM, Julio Souto; TETTAMANZY, Ana Lúcia Liberato. Sopapo Poético: sarau de poesia negra no extremo sul do Brasil. Estud. Lit. Bras. Contemp., Brasília , n. 49, p. 153-181, Dec. 2016 . Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-40182016000300153&lng=en&nrm=iso. access on 04 May 2020. https://doi.org/10.1590/2316-4018498.

Liga Da Canela Preta

A fim de reviver e homenagear a histórica Liga “Nacional” de Football Portoalegrense, a ANdC organizou o projeto Liga da Canela Preta: Consciência Negra no Futebol. A Liga Nacional de Football Porto-alegrense, que ficou conhecida jocosamente, como Liga da Canela Preta ou dos Canelas Pretas, foi fundada em Porto Alegre no final dos anos de 1910 em contra ponto à liga dos não-negros, que impediam atletas descendentes de africanos de participar dos torneios oficiais.

O evento “Liga da Canela Preta: consciência negra no futebol” é realizado pela Associação Negra de Cultura , pelos times de futebol amador da NOVA “Liga” e o Instituto de Beleza “Pérola Negra”, em parceria com várias organizações do movimento social negro, a Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), entre outros órgãos governamentais e entidades.

O futebol em Porto Alegre iniciou em 1903, na oportunidade, o S.C. Rio Grande veio à capital para jogar contra um selecionado local. Como aconteceu em todo o país, o “esporte bretão” foi trazido por imigrantes e era praticado, inicialmente, pela elite econômica do Estado. Em Porto Alegre não foi diferente, as agremiações eram formadas por jogadores de origem europeia e com alto poder aquisitivo. Mas, como o esporte tinha regras simples e precisava de poucos apetrechos para a sua prática, rapidamente chamou a atenção das classes mais empobrecidas e passou a ser praticado por elas. A população da periferia da capital, formada por operários, funcionários públicos de baixo escalão, subempregados, imigrantes e negros pobres, obviamente, também passaram a organizar os seus times e associações de futebol.

A Liga da Canela Preta era formada por times altamente organizados com diretorias, conselho consultivos, técnicos e grande número de torcedores que pagavam mensalidades e ingressos nos melhores jogos.

Nas décadas de 1910 e 1920, também existiram ligas de futebol para congregar os times de maioria negra também nas cidades de Rio Grande e Pelotas, respectivamente, as ligas Rio Branco e José do Patrocínio.

A situação socioeconômica da maioria da população negra no Estado era precária. Em Porto Alegre, recém saídos da escravidão, os negros ocupavam os espaços da cidade em piores condições de moradia, como a Colônia Africana e o Areal da Baronesa. Trabalhavam nos empregos que exigiam maior força bruta como vendedores, entregadores, artesãos, mas também em algumas atividades especializadas como costureiros, sapateiros, barbeiros, tipógrafos, e em alguns casos, como funcionários públicos de baixo escalão.

Fonte: José Antônio dos Santos, historiador. Link

NEGRALDEIA

O informativo NEGRALDEIA é mais um dos importantes projetos desenvolvidos pela ANdC. O informativo atua na preservação e valorização da identidade afro-brasileira. NEGRALDEIA foi inaugurado por Evandoir C. dos Santos, Oliveira Silveira, Claudiomar Carrasco Martins e Tanyara Vieira em 31 de Dezembro de 2002, em comemoração dos 130 anos da Sociedade Floresta Aurora.

O informativo se popularizou na comunidade negra porto-alegrense e passou a ser editorado pela Associação Negra de Cultura (ANdC) em 2006, guiado pelo poeta Oliveira Silveira. Em sua existência, o projeto passou por várias mutações indo até para o meio digital.

Mostra 10 anos Negraldeia

Em 2012, o informativo foi destaque da Mostra da Semana Negra na Assembleia Legislativa. De 19 a 23 de novembro, a exposição resgatou a trajetória do NEGRALDEIA. A mostra contou com 12 banners e alguns exemplares do periódico.

Mais informações neste link