Reunião com os povos tradicionais de matriz africana e o FONSANPOTMA/RS

Representantes do Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CISADE/UFRGS), do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares da Universidade Federal do Pará (INEAF/UFPA) e da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE), receberam em Porto Alegre/RS, na sede do CISADE/UFRGS, em 13 de agosto de 2025, lideranças e representantes do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (FONSANPOTMA) do Rio Grande do Sul. Participaram da reunião a Profª Gabriela Coelho/de-Souza (diretora do CISADE/UFRGS e presidenta da SBEE), o Prof. Flávio Bezerra Barros (INEAF/UFPA) e, representando os povos tradicionais de matriz africana e o FONSANPOTMA/RS, as lideranças Taata Edson, Itanajara de Oxum e Andrigo. Esteve na pauta do dia a alimentação que será servida na Cúpula dos Povos durante a COP-30, em Belém/PA, com a reivindicação de inclusão de uma segunda proteína oriunda da sociobiodiversidade e ligada às tradições de matriz africana, neste caso, o bode produzido no bioma Caatinga por comunidades de fundo e fecho pasto do Nordeste brasileiro. A primeira proteína será o pirarucu produzido por comunidades tradicionais da Amazônia por meio de manejo comunitário. Discutiu-se ainda sobre divulgação dos produtos/publicações do curso de formação em Segurança Alimentar e Nutricional ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS), a elaboração de uma nota técnica em apoio às demandas do coletivo POTMAS e ações colaborativas futuras para o avanço da soberania e segurança alimentar e nutricional (SSAN) em contextos de inclusão, participação social e diversidade sociocultural no âmbito dos POTMAS. Pensar e discutir a inclusão da diversidade alimentar produzida nos biomas brasileiros no contexto da Cúpula dos Povos é da enorme relevância, num cenário de injustiças sociais e mudanças climáticas em escala global, afetando sobretudo camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais, justamente a camada da sociedade que mais contribui com o equilíbrio climático, a conservação dos ecossistemas e a produção de alimentos agroecológicos. Com efeito, a UFRGS/CISADE/PGDR e a UFPA/INEAF colocam-se à disposição desses coletivos para colaborar com os processos de mudança de realidade, a partir de uma ciência engajada acadêmica, política e ambientalmente, na condição de Instituições Federais de Ensino Superior preocupadas com as questões da contemporaneidade.

 

 

Ciclo de filmes Cineciência destaca horizontes ancestrais na Sala Redenção

O ciclo de filmes CINECIÊNCIA – Raízes Vivas e Horizontes Ancestrais: A Terra é o Coração do Corpo? integra-se à exposição homônima em cartaz no Museu da UFRGS, promovendo reflexões sobre identidades, conservação ambiental e resistências sociais por meio do audiovisual.

As sessões acontecem às quartas-feiras, às 19h, na Sala Redenção (Av. Paulo Gama, 110 – Campus Centro/UFRGS), com entrada gratuita. Após cada exibição, haverá uma roda de conversa com debatedores — incluindo diretores, lideranças de comunidades tradicionais, pesquisadores e especialistas em cinema.

INSCRIÇÕES PARA QUEM DESEJA RECEBER CERTIFICADO: https://www1.ufrgs.br/…/inscri…/ins_verifica_acao.php…
ou acessando PORTAL DE SERVIÇOS > EXTENSÃO > PORTAL DA EXTENSÃO
Haverá certificado de extensão (15 horas) para quem participar de pelo menos 75% das atividades.
Não inscritos poderão participar das sessões normalmente.

PROGRAMAÇÃO:
13 de agosto – Tekoa Karandaty: Retomando Raízes
• Direção: Andressa Paiva | Brasil, 2024 | 29 min | Documentário
• Debatedores: Lideranças indígenas da comunidade, diretora do filme e pesquisadores.

20 de agosto – ÔRÍ
• Direção: Raquel Gerber | Brasil, 1979 | 100 min | Documentário
• Debatedores: Raquel Gerber (participação remota), IACOREQ e pesquisadores convidados.

27 de agosto – FUA – O Sonho
• Direção: Viviane Jag Fej Farias e Amallia Brandolff | Brasil, 2025 | 20 min | Documentário
• Debatedores: Lideranças da comunidade, pesquisadoras envolvidas no enredo e equipe produtora do filme.

03 de setembro – Os Sobreviventes do Pampa
• Direção: Rogério Rodrigues | Brasil, 2025 | 77 min | Documentário
• Debatedores: Equipe produtora do filme e pesquisadores.

10 de setembro – PROTOCOLO DE CONSULTA LIVRE, PRÉVIA E INFORMADA DO QUILOMBO VILA NOVA
• Direção: CATARSE | Brasil, 2025 | 20 min | Documentário
• Debatedores: Lideranças da comunidade, pesquisadoras envolvidas no enredo, equipe produtora do filme e pesquisadores.

Mais informações em apoiopesquisa@propesq.ufrgs.br ou pelo instagram: @projeto.deslocamentos
Realização: PROPESQ, PROREXT, Departamento de Difusão Cultural, Sala Redenção, Projeto Deslocamentos, PGDR, POSGEA, PAGUS e Museu UFRGS.

PGDR/UFRGS divulga editais para seleção de Mestrado e Doutorado 2026

A Comissão de Seleção do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) torna pública a abertura de inscrições para os Processos Seletivos do ano letivo de 2026.

Foram publicados o Edital 03/2025 – PGDR – Processo Seletivo Mestrado/2026 e o Edital 04/2025 – PGDR – Processo Seletivo Doutorado/2026, que estabelecem normas, prazos e critérios para ingresso nos cursos.

As inscrições serão conduzidas pela Comissão de Seleção do PGDR, seguindo as orientações detalhadas nos editais. Os documentos completos, contendo todas as informações sobre requisitos, etapas do processo, cronograma e documentação necessária, estão disponíveis para consulta nos links abaixo:

Reunião híbrida aberta e ampliada com a Comissão do Campus Serra

CISADE, PGDR, Plageder e Gastronomia Cultural convidam:

Em função das adiantadas tratativas de criação do Campus Serra, convidamos docentes, técnicos, discentes, egressos e demais interessados a participar de:

?Reunião híbrida aberta e ampliada com a Comissão do Campus Serra

?Assunto: criação de um curso com enfoque em agroecologia, com base no acúmulo e expertise dos Cursos do CISADE/FCE: PGDR, Plageder, Gastronomia Cultural

?Local: Celso Furtado – CISADE
Av João Pessoa, 31
?Sala virtual: https://mconf.ufrgs.br/webconf/cisade

?Dia: 22/07
?Horário: 17h

? ATENÇÃO! AVISO IMPORTANTE

 

A UFRGS estará fechada a partir de amanhã, 19/06 (quinta-feira), em razão do feriado de Corpus Christi.
As atividades serão retomadas na segunda-feira, 23/06.

? Período de fechamento: 19/06 a 22/06
✅ Retorno: Segunda-feira, 23/06

Aproveitem bem o feriado e cuidem-se! ✨

Tecendo Direitos: Etapa Sul da Construção de uma Política Pública para LGBTQIA+ Indígenas

Entre os dias 15 e 18 de maio de 2025, o prédio do CISADE (Centro de Estudos e Pesquisas em Desenvolvimento Rural Sustentável e Agricultura de Base Ecológica), sede do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR), acolheu a Etapa Sul do “Tecendo Direitos: Construção de uma Política Pública para LGBTQIA+”, com foco especial nas vivências indígenas LGBTQIA+.

Participaram do encontro delegações indígenas LGBTQIA+ dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, reunindo pessoas de diferentes povos, territórios e contextos urbanos, fortalecendo uma escuta interseccional, afetiva e politicamente engajada.

A etapa contou com a presença de Niotxarú Pataxó, Coordenador da Coordenação de Políticas Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Sua participação foi fundamental para dar continuidade às escutas realizadas em diferentes partes do país, no intuito de construir, de forma democrática e plural, uma Política Nacional para os Direitos da População Indígena LGBTQIA+. A presença de órgãos como a DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena), a FUNAI, bem como da Cacica Kerexú Takua, do Centro de Referência Indígena, reafirmou o compromisso institucional com o fortalecimento dessas pautas e com o protagonismo das lideranças indígenas LGBTQIA+.

As discussões foram organizadas em Grupos de Trabalho (GTs) temáticos – Empregabilidade e Renda, Território, Educação e Cultura – com relatorias conduzidas por representantes indígenas e com a colaboração ativa da Rede Arandu, vinculada ao INCT Caleidoscópio da Universidade de Brasília (UnB). Integraram essa articulação de escuta qualificada e análise crítica Alessandra Prates, Julia Machado, Flávia Belmont e Ana Mendez, somando-se ao esforço coletivo de registrar as demandas e propostas elaboradas durante o encontro.

A realização da etapa sul foi possível graças ao engajamento da equipe do CISADE, sob a coordenação de Gabriela Coelho e Fabian Dominguez, com o apoio e dedicação de Danielle Finamor e toda a rede envolvida. O espaço do CISADE, reconhecido por sua atuação em prol do desenvolvimento rural sustentável e da justiça social, mostrou-se um território fértil de acolhimento, resistência e construção coletiva.

Este encontro foi mais do que uma etapa técnica de consulta: foi um marco histórico para a visibilidade das existências indígenas LGBTQIA+ no Sul do Brasil, para a reivindicação de políticas públicas específicas e interseccionais, e para o fortalecimento das alianças entre lideranças tradicionais, ativistas, universidades e instituições públicas. Ao propor uma escuta respeitosa e comprometida com os saberes e experiências indígenas, o “Tecendo Direitos – Etapa Sul” reafirma o caminho da construção de políticas públicas verdadeiramente inclusivas, que partem do território, da identidade e da luta por dignidade.

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Créditos:

Fotos por LEVI TAPUIA

Texto: Alessandra Prates Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS) Porto Alegre/RS – 51 998831524

Projeto “Referenciando”: 1° encontro

No dia 6 de maio foi realizada a primeira edição do projeto “Referenciando”, uma iniciativa da Representação Discente PGDR-2025 . A atividade inaugural foi dedicada ao mês das mães e teve como tema “Maternidade na Pós-Graduação: Desafios, Conquistas e Caminhos Possíveis na Pós-Graduação”. O evento contou com a participação da Professora Flávia Charão e da doutoranda e nutricionista Raquel Maciel, trazendo valiosas falas sobre suas experiências maternas durante o processo vivido na Pós-Graduação. A mediação ficou a cargo da doutoranda Fernanda Porto.

A realização da primeira edição do projeto “Referenciando” representa um passo significativo na promoção de espaços de escuta e reflexão dentro da pós-graduação. Discutir a maternidade nesse contexto é essencial para dar visibilidade aos desafios enfrentados por muitas pesquisadoras, ao mesmo tempo em que se reconhecem suas conquistas e trajetórias.

O evento reafirma o compromisso da Representação Discente com a construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo, humano e sensível às múltiplas realidades que compõem nossa comunidade.

Um pão recheado de afeto, agrofloresta e sociobiodiversidade

Fotografia mostra pães orgânicos feitos a partir de beterraba e de mangará ou o popularmente conhecido "umbigo de bananeira"

*Foto: Flávio Dutra/JU

Um pão que nasce da terra: conheça a receita da agricultora Maria Inês Flores com mangará – também conhecido como umbigo da bananeira – e beterraba

No Sítio Café na Roça, em Três Forquilhas, a vida brota em meio à agrofloresta. Ali, entre bananeiras, pés de juçara e histórias que se cruzam com a terra, vive Maria Inês Gonçalves Flores, agricultora, guardiã de saberes e aluna do curso de especialização em Gastronomia Cultural, no polo de Santo Antônio da Patrulha.

Foi ela quem nos presenteou, nesta edição, com a receita do Pão de Beterraba Recheado com Mangará — uma criação que carrega o sabor da sociobiodiversidade e o cuidado de quem cultiva o alimento com as próprias mãos. “O umbigo da bananeira precisa ser retirado depois que nascem as últimas bananas do cacho. Com isso, sobra muito mangará. E ele é rico, é nutritivo, é nosso. Por que não estar na merenda das escolas?”, questiona Maria Inês, com a sabedoria de quem observa o tempo da terra e a potência dos alimentos que brotam do cotidiano.

O mangará, também conhecido como umbigo ou coração da bananeira, é considerado uma planta alimentícia não convencional, pois é uma parte não usada normalmente para alimentação, mas que guarda um tesouro em fibras, ferro, cálcio e afetos. Nos quintais do sul do Brasil, é comum vê-lo crescer como sobra — mas, nas mãos certas, ele vira recheio, vira prato principal, vira um verdadeiro banquete de sabores.

Maria Inês costuma fazer o pré-preparo do mangará, já temperado, e guardá-lo no freezer, facilitando o uso no dia a dia. E foi assim, com calma e intenção, que ela misturou a cor da beterraba, a força do trigo e o sabor do mangará em uma receita que alimenta mais do que o corpo: alimenta o território, as memórias e compõe a mesa farta.

 

  • Farinha de trigo – 8 xícaras + 2 colheres (sopa) | 1kg
  • Fermento biológico – 1 colher (sopa) | 10g
  • Água (sugestão: utilizar a do cozimento da beterraba) – 2 xícaras + 2 colheres (sopa) | 500ml
  • Óleo – 3 colheres (sopa) | 50 ml
  • Beterraba cozida –  300g | (aproximadamente 2 unidades pós cozimento)
  • Sal refinado – 1 colher (sopa) | 10g
  • Açúcar – 3 colheres (sopa) | 30g
  • Mangará (inteiro) – 1 un | 1kg
  • Limão taiti (suco) – 1 un | 40 ml
  • Vinagre de álcool – 2 colheres (sopa) | 20 ml
  • Cebola – 1 un | 150g
  • Óleo – 1 colher (sopa) | 10g
  • Sal – a gosto
  • Pimenta do reino preta – a gosto

MODO DE PREPARO

1. Pré-preparo do coração da bananeira:

  • Para reduzir o sabor amargo do coração da bananeira, prepare uma vasilha com água e um limão espremido.

2. Limpeza e corte: 

  • Retire as duas pétalas exteriores e as flores internas e descarte. Fatie o restante em tiras finas – lembre-se de colocar na água com limão para evitar oxidação.

3. Cozimento:

  • Assim que terminar de fatiar, leve ao fogo o conteúdo da vasilha em uma panela. Deixe ferver por dois minutos, depois escorra a água e adicione mais água na panela com o mangará. Junte as colheres de vinagre e deixe ferver novamente. Escorra e reserve.

4. Preparando o refogado: 

  • Em uma panela adicione o óleo e refogue a cebola picada e mexa até que fique transparente. Acrescente o mangará já cozido e os temperos de sua preferência. Deixe dourar e reserve.

1. Preparando a beterraba: 

  • Cozinhe a beterraba e reserve a água da cocção.

2. Ativando o fermento: 

  • Em uma vasilha grande, coloque 200ml de água. Acrescente 1 colher (sopa) de açúcar, misture bem e polvilhe o fermento sob a mistura. Reserve por 10 min para ativar o fermento. Após, acrescente meia xícara de farinha e deixar descansar por 20 min.

3. Preparando o creme de beterraba: 

  • Enquanto esperamos, podemos bater no liquidificador/processador a beterraba cozida e descascada com o restante da água (300ml), 2 colheres (sopa) de açúcar e óleo. Coloque o sal por último.

4. Misturando a massa: 

  • Verta o creme de beterraba sobre a vasilha com a mistura já preparada. Adicione o restante da farinha e amasse o pão até formar uma massa macia.

5. Porcionando a massa: 

  • Corte pedaços de 60g formando vários baguetes. Reserve em uma forma untada de óleo e cobertos. Deixe descansar por 30 min.

6. Preparando os pãezinhos: 

  • Com auxílio de um rolo, abra cada pedaço de massa e coloque o recheio. Feche cada massa formando uma bolinha, com a parte da união voltada para baixo, em contato com a assadeira, para evitar um acabamento ruim. Posicione em uma assadeira untada e deixe crescer por cerca de 15 min. ou até quase dobrar de tamanho.

7. Assando:

  • Pré-aqueça um forno a 180°C e asse os pães por cerca de 20 min ou até que estejam levemente dourados. Ao retirar a assadeira do forno pincele os pãezinhos com cuidado para a casca ficar macia e brilhante.

Esta receita representa um gesto de valorização da produção local, do alimento que nasce perto, do saber que não vem do livro, mas da lida com a terra. É também um convite: que a gente olhe com mais carinho para aquilo que cresce ao nosso redor — e que tem tudo para estar no centro da nossa alimentação. Comida boa de verdade nasce de gente que planta com propósito e cozinha com afeto.


Sandreli Bandeira é turismóloga e jornalista, escreve sobre saberes e sabores, interligando diversas áreas.  É tutora e integrante do Núcleo de Comunicação do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.
Tatiana Miranda é gastróloga e etnoecóloga e coordena o Núcleo de Comunicação do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural. É fundadora da Erva-doce: cozinha afetiva artesanal, que busca promover a gastronomia sociobiodiversa.
Gabriela Coelho-de-Souza é diretora do Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE), professora do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR) e coordenadora do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.

Quinzenalmente, estudantes e pesquisadores ligados ao curso de especialização em Gastronomia Cultural apresentam receitas e reflexões que valorizam os alimentos da sociobiodiversidade. A seção tem curadoria de Sandreli Bandeira, Tatiana Miranda e Gabriela Coelho-de-Souza.

Nesta edição, a produção da receita foi realizada por Ana Luiza Pasquali de Oliveira (gastrônoma), Luisa Penz da Rosa (nutricionista) – ambas mestrandas do PGDR – e Tatiana Miranda.

11º Encontro da Rede de Estudos Rurais

De 1 a 5 de setembro, em Vitória da Conquista – BA, acontecerá o 11º Encontro da Rede de Estudos Rurais. O evento apresenta diferentes perspectivas e abordagens do mundo rural a partir de 14 Grupos de Trabalho, privilegiando a elaboração de sínteses coletivas, e contará com a presença de 3 professoras do PGDR/UFRGS: Catia Grisa, Gabriela Coelho-de-Souza e Renata Menasche.

As propostas resumidas dos GTs de cada uma dessas professoras são as seguintes:

 

GT 1 – Estado, políticas públicas e sistemas alimentares

Proponentes: Catia Grisa (PGDR/UFRGS) e Ramonildes Gomes (UFCG)

A construção de sistemas alimentares sustentáveis, saudáveis e inclusivos está na ordem do dia de modo a enfrentar múltiplas crises ou a policrise provocada pelos sistemas alimentares convencionais e industriais. Ainda que diversos atores estejam engajados na transformação dos sistemas alimentares e no enfrentamento da policrise, o Estado e as políticas públicas têm grande responsabilidade nessas tarefas, seja por sua atuação na promoção das crises, seja por sua capacidade de promover as mudanças necessárias. Com base nesse pressuposto esse Grupo de Trabalho (GT) traz como tema a interface entre Estado, políticas públicas e sistemas alimentares. O GT se propõe a receber trabalhos que tragam evidências, teorias, abordagens e metodologias distintas para analisar a atuação do Estado e das políticas públicas nos sistemas alimentares, seja abordando as ações e inações que contribuem para as crises contemporâneas, seja tratando das diversas ações, instrumentos, arranjos e mecanismos de governança que contribuem para a construção de sistemas alimentares sustentáveis, saudáveis e inclusivos, ou ainda as contradições da atuação do Estado e suas expressões nos territórios.

 

GT 8 – Cultura alimentar, sociobiodiversidade e Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional: desafios à pesquisa

Proponentes: Renata Menasche (PGDR e UFPel) e Janice Alves Trajano (UVA-CE)

Este Grupo de Trabalho tem por objetivo reunir pesquisadores/as inseridos/as em diferentes contextos e territórios rurais para refletir e debater sobre as interfaces entre cultura alimentar, sociobiodiversidade e Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN). Serão bem-vindos trabalhos que, entre outros tópicos pertinentes à temática, identifiquem e caracterizem práticas e produtos alimentares locais, artesanais, tradicionais; discutam suas relações com o ambiente e a SSAN; reflitam sobre metodologias de pesquisa que aportem à valorização das culturas e tradições alimentares nos diferentes biomas brasileiros. A iniciativa busca, ainda, fortalecer o diálogo entre a Rede de Estudos Rurais e a Rede de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, acumulando em reflexões que contribuam para incorporar o reconhecimento e a valorização da sociobiodiversidade e das culturas alimentares nas políticas públicas de produção, abastecimento e consumo de alimentos, alinhando-se às diretrizes da nova cesta básica de alimentos e às recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira.

 

GT 14 – Mecanismos de engajamento da juventude e fortalecimento da sucessão nos territórios rurais

Proponentes: Gabriela Coelho-de-Souza (PGDR/UFRGS) e Ruth Helena Cristo Almeida (UFPA)

Um dos grandes desafios enfrentados pelas comunidades rurais está centrado na permanência dos jovens em seus territórios. Os distintos grupos rurais apresentam dinâmicas diferentes referentes aos processos de sucessão rural, as quais estão relacionadas à etnia, cultura, localização geográfica, condições socioambientais, acesso aos centros urbanos, à internet e a tecnologias, organização das comunidades, participação em movimentos organizados, acesso políticas públicas e projetos, entre outros. Neste contexto, este Grupo de Trabalho tem como objetivo sistematizar, analisar e debater os mecanismos que promovem o fortalecimento da juventude nos territórios rurais, contribuindo para a sucessão rural. Partimos da hipótese de que comunidades que possuem uma identidade coletiva compartilhada apresentam mecanismos mais eficientes de manter os jovens junto aos territórios. O GT acolhe trabalhos que evidenciam os mecanismos que promovem o engajamento de jovens rurais em seus territórios e fortalecem o processo de sucessão nos territórios rurais, bem como trabalhos que apresentem experiências de projetos e políticas que promovem o engajamento dos jovens junto a suas comunidades.

 

Para mais informações, consulte https://redesrurais.org.br/encontro11/