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#CORES DO PLANETÁRIO

Legado de saber: celebrando 10 anos de mulheres e meninas na ciência

Texto: Izadora Leal Domingues
Edição: Luana Cruz

Em 22 de dezembro de 2015, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), foi instituído o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Comemorada no dia 11 de fevereiro, a data tem como finalidade promover a conscientização sobre dois temas fundamentais para o desenvolvimento científico: a educação e a equidade de gênero. 

Na atualidade, o tema é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) como prática para impulsionar o desenvolvimento sustentável e a paz. 

A história da educação feminina no Brasil

As primeiras escolas brasileiras surgiram por volta de 1550, no período do Brasil Colônia. Elas foram construídas e administradas pelos padres jesuítas, que chegavam em solo brasileiro para catequizar os indígenas e firmar o domínio sobre o território. Nesse contexto, o acesso à educação acontecia conforme as normas sociais vigentes em Portugal e na Espanha.  

Enquanto uma parcela da população masculina recebeu acesso à educação, para as mulheres a alfabetização institucionalizada não era uma possibilidade. Essa exclusão se deu devido a uma categoria pseudocientífica vigente nas leis portuguesas: o “imbecilitus sexus” ou o “sexo imbecil”. O termo, de origem latina, defendia a inferioridade intelectual e a fragilidade feminina, validando academicamente a negligência dos direitos cívicos e sociais das mulheres.  

No ano de 1827, foi permitida, pela primeira vez, a participação de mulheres na educação formal. Naquele período, a educação feminina restringia conteúdos voltados à lógica e priorizava o cuidado do lar. O acesso a salas de aula mistas ocorreu em 1870, possibilitando o ingresso no ensino superior, implementado em 1881. 

Com a conquista do voto em 1932 e a entrada regulamentada no mercado de trabalho em 1943, a presença feminina em ambientes acadêmicos cresceu. Dessa forma, na década de 1990, as mulheres passaram a representar a maior parcela da população alfabetizada no Brasil. 

Após décadas de luta para adquirir o direito à formação acadêmica, os anos 2000 marcaram o período de maior resgate e reconhecimento para as descobertas feitas por mulheres na ciência. No cenário nacional e internacional, tecnologias fundamentais para o desenvolvimento das mais diversas áreas foram trazidas a público. Essa mudança na percepção das mulheres na ciência, apesar de inicial, possibilitou políticas sociais, como a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.  

É através do reconhecimento de mentes brilhantes que trilhamos um caminho igualitário e justo para a produção científica. Por isso, em comemoração ao dia 11 de fevereiro, o Planetário Professor José Baptista Pereira apresenta três cientistas brasileiras para você se inspirar. 

Jaqueline Goes de Jesus é biomédica e Doutora em patologia humana. Em 2020, foi reconhecida internacionalmente ao liderar a equipe responsável pelo sequenciamento do vírus SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19. A pesquisa, concluída apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de infecção no Brasil, permitiu o monitoramento da doença e sua evolução. O trabalho consolidou seu nome como um dos principais na área de biomedicina no país.

Bertha Lutz foi bióloga, zoóloga e ativista de direitos políticos das mulheres. Em 1918, ao ingressar no Museu Nacional, tornou-se a segunda mulher a ocupar um cargo público no serviço brasileiro.  No ano seguinte, em 1919, fundou a “Liga para a emancipação intelectual da mulher”. Sua última aparição pública em defesa dos direitos das mulheres foi em 1975, como representante brasileira no Congresso Internacional da Mulher. Seu legado na luta pelos direitos das mulheres persiste até os dias atuais.

Duília de Mello é Doutora em astrofísica e um destaque da ciência mundial. Reconhecida por suas contribuições, foi eleita no ano de 2013 como uma das 10 Mulheres que Mudam o Brasil, pela Barnard College. Além de escritora, com  livros de incentivo aos jovens cientistas brasileiros e mais de 100 artigos publicados, ela é responsável pela descoberta da maior galáxia espiral conhecida, a NGC6872. Seu trabalho inestimável reforça a importância das mulheres na ciência.

Madalena Caramuru, a primeira mulher alfabetizada

Madalena Caramuru era filha do português Diogo Álvares Correia com a indígena Tupinambá Moema Paraguaçu. De acordo com as tradições indígenas, por serem companheiras de seus maridos, as mulheres mereciam o mesmo acesso à educação que seus parceiros. Talvez influenciada por essa cultura, após seu casamento com o português Afonso Rodrigues, Madalena aprendeu a ler e escrever.

Em 26 de maio de 1561, ainda no período Colonial, sua carta para o Padre Manoel da Nóbrega foi registrada como a primeira carta escrita por uma mulher em solo brasileiro.  Na ocasião, Madalena pediu ao padre respeito e dignidade para as crianças indígenas e solicitou o acesso à educação para mulheres. 

Após o ocorrido, o padre enviou uma carta à corte portuguesa, argumentando que a educação concederia dignidade e humanização às mulheres indígenas. Entretanto, o pedido foi considerado “ousado” e de “consequências nefastas”, sendo negado pela Coroa.

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências: 

A doutora formada na UFBA que liderou o primeiro sequenciamento genético do coronavírus no Brasil. Disponível em: <https://coronavirus.ufba.br/doutora-formada-na-ufba-que-liderou-o-primeiro-sequenciamento-genetico-do-coronavirus-no-brasil>. Acesso em: 11 feb. 2025.

Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%A1vel>. Acesso em: 11 feb. 2025.

Alumni em destaque: Duilia de Mello. Disponível em: <https://www.alumni.usp.br/alumni-em-destaque-duilia-de-mello/>. Acesso em: 11 feb. 2025.

AMORIM, Mariana. Dia Internacional da Mulher. Faculdades Oswaldo Cruz. Disponível em: <https://www.oswaldocruz.br/www/view/conteudo/noticia.asp?id_conteudo=54818>. Acesso em: 11 feb. 2025b.

BELTRÃO, Kaizô Iwakami; ALVES, José Eustáquio Diniz. A reversão do hiato de gênero na educação brasileira no século XX. Cadernos de Pesquisa, v. 39, p. 125-156, 2009.

Bertha Lutz. Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/entenda-o-assunto/bertha-lutz>. Acesso em: 11 feb. 2025.

CAMPOS, Elisabete Ferreira Esteves; SILVA, Damires Souza da. A histórica exclusão escolar de grupos populares e os programas para alfabetização de jovens e adultos. Revista Educação em Debate, Fortaleza (CE), ano 41, n.80, p. 26-43, set./dez. 2019.

Dia Internacional da Menina. Disponível em: <https://www.unesco.org/pt/node/66727>. Acesso em: 11 feb. 2025.

Homenagem a Madalena Caramuru. Primeira Mulher Alfabetizada. Disponível em: <https://blog.correios.com.br/filatelia/?page_id=14214>. Acesso em: 11 feb. 2025.

ÍNDIA MADALENA CARAMURU, A.; DE CARTA DATADA DE, A. Uma carta como marco da alfabetização feminina. Disponível em: <https://fenae.org.br/portal/data/files/FF8080811706ED20011744D39DDD3B0F/Madalena%20Caramuru.pdf>. Acesso em: 11 feb. 2025.

LOPES, Maria Margaret. “Aventureiras” nas ciências: Refletindo sobre gênero e história das ciências naturais no Brasil. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 10, p. 345–368, 2012. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/4689345. Acesso em: 6 fev. 2025

MARQUES, Teresa Cristina Novaes. A regulação do trabalho feminino em um sistema político masculino, Brasil: 1932-1943. Estudos Históricos (Rio de Janeiro), v. 29, p. 667-686, 2016.

MATTSON, B. Imagine the universe! Disponível em: <https://imagine.gsfc.nasa.gov/features/bios/deMello/deMello.html>. Acesso em: 11 feb. 2025.

RIBEIRO, Arilda Ines Miranda. Mulheres Educadas na Colônia. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FILHO, Luciano Mendes de Faria; VEIGA, Cynthia Greive (Orgs.). 500 Anos de Educação no Brasil. 2. ed. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2000, p. 79-94.

O ensino da mulher no Brasil. Disponível em: <https://www.gov.br/prf/pt-br/noticias/uniprf/2023/marco/o-ensino-da-mulher-no-brasil>. Acesso em: 11 feb. 2025.