Uma nova espécie de peixe de água doce foi descrita pelo pesquisador Juliano Ferrer do PPGBAN em parceria com colegas da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A nova espécie, Cambeva cauim (na imagem), é a décima espécie do gênero endêmica da bacia do rio Iguaçu no Brasil, uma região considerada um “hotspot” para o grupo, tendo em vista os diversos impactos sofridos, principalmente, aqueles relacionados às inúmeras usinas hidrelétricas instaladas e previstas na região.
O epíteto “cauim” faz referência a uma bebida utilizada pelos índios caingangues durante rituais, os quais habitavam as margens do rio Iguaçu. A homenagem soma-se a outras espécies que fazem referência à lenda sobre a formação das Cataratas do Iguaçu: Cambeva igobi (Igobi; cacique da tribo), C. naipi (filha de Igobi), C. taroba (Tarobá, amor de Naipí) e C. mbyocy (Deus Serpente M’Boy). Na lenda, Igobi promete sua filha Naipí ao deus M’Boy, que no dia da festa de consagração foge com o índio Tarobá em uma canoa. M’Boy então penetra na terra e retorcendo-se furiosamente dá origem às cataratas que engolem os fugitivos.
Curiosamente, a espécie foi descoberta durante o trabalho de redescrição de um congênere, C. stawiarski (redescrito no mesmo trabalho), ao analisar uma grande quantidade de material disponível em coleções científicas brasileiras.

