O Núcleo AMPARE — Assédio Moral, Projeto de Acompanhamento e Reparação —, lançado nesta semana, projeta a realização de atividades de extensão, ensino e pesquisa ligados à temática da prevenção e enfrentamento ao assédio moral e assédio sexual. Vinculado ao Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (DEDS) e à Pró-Reitoria de Extensão, o Núcleo começou como projeto de extensão, no início de 2020, sendo coordenado por Jeniffer Alves Cuty, professora do Departamento de Ciências da Informação da FABICO. A proposta era estudar a temática do assédio moral, atuando em parceria com outros projetos já existentes dentro da universidade, como o HeForShe (ElesPorElas), um programa internacional da ONU Mulheres que conta com um comitê da UFRGS, presidido por Daniela Pavani, professora do Instituto de Física.
Entre os meses de abril e novembro, o projeto realizou uma capacitação com o tema “assédio e relações de poder em instituições públicas”, proposta por Jeniffer, que já vem estudando o assunto por quase uma década. O evento contou com a participação de docentes, servidores técnico-administrativos, promotores e pessoas que trabalham com o tema. “Foi um debate bem denso, bem extenso, e o produto foi a criação do Núcleo AMPARE, nos mesmos moldes do NEAB [Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Africanos]”, comenta Jeniffer. A coordenação do Núcleo foi assumida pela professora do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes Paula Mastroberti, em união com o coordenador adjunto Willian Mella Girotto, do Departamento de Atenção à Saúde/SUGESP.
Para a coordenadora Paula, que foi uma das palestrantes, a capacitação foi motivadora, pois integrou o coletivo e conseguiu conectar pessoas que já vivenciaram situações de assédio. “Por conta dessa experiência de assédio que nós vivemos dentro da universidade, todos nós, inclusive eu, temos alguma experiência de ter sido vítimas de assédio moral, e a capacitação foi um modo de ver que nós não estamos sozinhos nessa questão.” Esse evento contou com aproximadamente 70 pessoas e teve uma procura enorme de muitos professores e servidores técnicos que enfrentaram o assédio moral. Segundo Jeniffer, esse problema é comum na UFRGS, tanto entre docentes, na relação horizontal entre colegas, quanto na relação professor e estudante. “O assédio moral gera adoecimento, gera perda de produtividade, todo o setor adoece, a universidade adoece, então, a gente vai cada vez mais trabalhar esse tema, difundir em todos os canais possíveis”, conclui a professora.
Willian Girotto comenta que os planos futuros do AMPARE incluem uma campanha de conscientização e sensibilização para a temática do assédio, além da elaboração de uma cartilha para instrumentalizar a comunidade universitária, pois “muitas vezes não há clareza em relação ao que se configura como assédio moral ou sexual, quais são as medidas de prevenção, quais são os canais para denúncia, o acompanhamento e as consequências prováveis, tanto para o assediado quanto para o assediador”. Por estar no âmbito das violências invisibilizadas, o assédio vitimiza, na maioria das vezes, de forma omissa, o que, de acordo com Jeniffer, é algo característico na universidade; chefias de departamentos são omissas em relação ao professor que está sendo assediado. Para enfrentar essa realidade, o grupo prevê capacitações através da EDUFRGS e atividades de extensão para estudantes e servidores. Além disso, a confecção de um site está nos planos do Núcleo, assim como manter as redes sociais ativas para disponibilizar conhecimento.
É importante ressaltar que o AMPARE não é um setor de denúncia, ele procura assegurar a redução de casos de assédio moral e assédio sexual dentro da Instituição. O principal canal para denúncias é a Ouvidoria, que encaminha a análise dos casos para a comissão de ética.


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