“Cabaré dos horrores” chegou para abrilhantar, e ao mesmo tempo aterrorizar, o TPE. A peça é fruto da disciplina “Laboratório de Práticas Cênicas B”, ministrada pelo prof. Henrique Saidel, e voltada para a criação de números burlescos. A natureza disruptiva da burla está na representatividade e protagonismo de corpos marginalizados e na subversão do papel que eles ocupam, logo tirar as peças de roupa pode ser um vislumbre do despir das máscaras sociais. Isso faz com que o burlesco parta de uma pesquisa individual, pensando no corpo, identidade e fatores sociais. Entretando, pela segunda vez, o resultado do processo dessa disciplina é um trabalho em conjunto, agora com 16 componentes.
Na peça, há um prólogo onde um casal convencional se perde no cabaret e passa por uma transformação, a IA do estabelecimento os ajuda a se experimentar em termos de sexualidade e atualiza suas noções de gênero, um cientista literalmente acorrentado precisa de um novo monstro e decide os usar como cobaia. Chega Luisito, o “maior caçador de monstros da região daqui”, falando portunhol, ele desbrava e aniquila algumas (muitas) criaturas. Em sua jornada encontra: uma gata cantante; um cão farejador; a cartomante trambiqueira; um Frankenstein muito prestativo; uma noiva cadáver que dribla a morte; a barbearia onde Eugenio… Barba assassina seus clientes; uma múmia toda enfaixada por causa das plásticas; a drag Sabrina Satânica, noiva de Lúcifer que quer ir pessoalmente se encontrar com seu amado. Todos são levados por uma Morte debochada e cheia de personalidade.
Até que nosso caçador uruguayo negocia com um cupido vendedor de flechas, trocando a poderosa espada que usou para matar os monstros por uma flecha do amor, ele atinge Má, a Vampira (dona e proprietária do cabaré). De inimigos passam a amantes e tiram as armaduras, nada como dançar um tango para selar tantas emoções.
Os personagens foram integrados em uma trama interessante, respeitando a identidade de cada um e ainda entregando o que um cabaré promete: música, dança, interação com a plateia, muchas risadas e bebidinhas. Os figurinos trazem elementos que dialogam com as dualidades das personagens, já os momentos em que eles são tirados desempenham diferentes funções, estando a serviço das reviravoltas ou demonstrando segredos e talentos. Seja para revelar seus desejos reprimidos, amor, ódio, habilidades, vontade de matar clientes, ou de achar um noivo que te aceite meio morta, em “Cabaré do Horrores” o striptease vai muito além de tirar a roupa.








FICHA TÉCNICA:
Elenco: Adami, Ale Agnes, Andrielli Machado, Camila Consi, Clarissa Böck, Eduard Pereira, Gabriela Fernandes, Helena Moreira, Larissa Lima, Laura Fensterseifer, Leonardo Melo, Marcelo Stravalacci, Marina Lopes, Pâmela Walter, Sofhia Lovison e Victoria Muraro.
Iluminação e Operação de Luz: Kim Pereira.
Operação de Som: Júlia Bueno e Vitória Stifft.
Direção: O Grupo.
Orientação: Henrique Saidel.
Qorpo Qrítico – Vol. 6 , n. 16 , agosto a novembro de 2024. ISSN 2675-4207.
