A Vingança é um jardim selvagem é um solo de Priscilla Colombi com direção de Patrícia Fagundes, que une histórias reais e fictícias para falar principalmente da persistência das mulheres em diferentes contextos.
Tudo começa com uma escritora que pensa sobre si mesma e sobre Veronika V. Mas quem é Veronika V? Uma heroína? Uma pistoleira? Uma mulher comum? Uma ativista? A própria escritora? Talvez tudo isso ao mesmo tempo. A peça vem justamente para humanizar essa figura feminina: em vez do arquétipo inalcançável, do glamour clichê, vemos alguém viva, contraditória, vulnerável, feroz e humana.
Há momentos em que a presença de Priscilla é tão intensa, versátil e sincera que atriz e personagem parecem se fundir. A montagem se nutre de múltiplas histórias, referências e vivências para fazer nascer muitas mulheres dentro de uma só. Ou talvez uma só dentro de muitas. Ela constrói sua identidade individual, sentindo, desejando e desabafando. Mas para além disso, Veronika V deixa de ser apenas uma figura fictícia e passa a existir como coletivo. A cada gesto cria identidade coletiva, identificação, catarse e memória compartilhada.
Na sua jornada, a heroína passa por exemplos inspiradores, histórias reais de mulher que se uniram, se articularam e salvaram umas às outras, em diferentes lugares e épocas. Lançar um olhar para essas táticas e pensar a nossa resposta às opressões tem uma importância prática e poética, desloca o lugar de alvo para combatente (além de, para mim, ser um alívio não encontrar mais uma narrativa que fetichiza o sofrimento da mulher ou ainda cobra uma super retalição de quem já sofreu uma violência, ufa!)
Veronika vinga em todo tipo de solo com lucidez, estratégia e sensibilidade. E talvez seja esse o ponto mais fod@ do espetáculo, transformar a heroína em caminho para humanizar mulheres reais, ressaltando que o gesto mais poderoso pode estar em ser atenta à própria potência.
Vou me permitir um clichê: existe uma Veronika V em cada mulher. E A Vingança é um Jardim Selvagem se torna um solo fértil para cutivá-la.





Ficha técnica
Atuação: Priscilla Colombi.
Direção e Composição Dramatúrgica: Patrícia Fagundes.
Trilha Sonora: Simone Rasslan.
Cenografia: Yara Balboni.
Iluminação: Marga Ferreira.
Figurino: Carol Scortegagna.
Confecção do Figurino: Márcia Gorski.
Vídeos e Fotos Still: Lívia Pasqual.
Motion e Pós-produção de Vídeos: Rafael Duarte.
Arte Gráfica: Manoele Scortegagna.
Produção: Eduarda Rhoden.
Assessoria de Imprensa: Léo Sant’Anna.
Fotografias de cena: Adriana Marchiori.
Apoio Produção e Operação Técnica: Ale Agnes e Laura Fensterseifer.
Apoio Montagem: Gustavo Baggio.
Administração: Diego Nardi.
Qorpo Qritico – Vol. 8, n. 21 – abril a julho de 2026. ISSN 2675-4207
