Re-Invenção do Faz-de-Conta

 

 

Essa é uma crítica para ler e ouvir, se você quiser, então aperta o play e se diverte!

 

 

 

Era uma vez uma história que começa com um narrador que conta que… OPA! Péra… Desta vez não! Mari, Aziza e Lili entram na nossa tela pra dizer que a aventura de três garotas não precisa mais uma vez de um narrador. São elas as protagonistas contadoras de sua própria narrativa e assim começa nossa história.

 

 

 

 


Três amigas muito curiosas e desbravadoras se apresentam para nós: Lili gosta de tecnologia e tem um aparelho ultra mega tecnológico que está sempre com ela; Aziza além de amar muito muito balas de iogurte, é apaixonada por música, toca muitos instrumentos e sonha em ter uma banda; e, por último, mas não menos importante, Mari é aficionada por descobertas científicas e curte fazer experiências mirabolantes a partir de suas deduções.

Mari encontra um livro proibido para garotas, que conta grandes feitos de homens, de uma certa forma colocando-os em um pedestal, inatingível para as mulheres. Mari então se questiona, como ela vai ser uma grande cientista sendo mulher? É um bom questionamento em virtude dos tempos ainda não tão avançados assim, que ainda vivemos, visto que a sociedade ainda se movimenta em engrenagens patriarcais e machistas que estão aos poucos – finalmente – sendo revistas. Mas, todavia, contudo, fico me perguntando o porquê que, mesmo sendo as protagonistas de suas próprias histórias, etc etc, ainda é a partir de uma motivação de um livro do irmão da Mari que vem a ideia toda da aventura. Será que haveria um anseio curioso sem ser motivado pelo contraponto ao que os meninos pensam?

Pois bem, Mari é quem vai ter a grande ideia de desvendar o corpo humano da maneira inusitada: viajando dentro dele para conseguir as respostas que a afligem, as mulheres também podem ser cientistas? O que importa na diferença dos corpos? Como isso tudo funciona?

 

 

 

 


É a partir de uma fórmula secreta que super dá certo que as três embarcam em uma grande aventura, diminuem de tamanho, se disfarçam de bolo e são engolidas pela mãe da Mari. Não vou contar o resto, mas tem aqui uma palhinha pra vocês: https://www.youtube.com/watch?v=9qmE7MTwg6w

O que vocês acham de brincar de faz de conta meio sério e ir junto com elas?

Quando a gente entra nessa viagem, somos convidados a brincar também, Lili tem um canal de comunicação com o mundo aqui fora que permite jogadas de dados online para ajudar nossas aventureiras a escolher qual caminho seguir, que música ouvir e, quem sabe, livrá-las de alguma confusão.

 

 

 

 

Contextualizando, essa é uma peça que foi assistida em formato virtual, e é sempre uma questão como que se dá a interação com o público? Desta vez, eram utilizados esses tais dados virtuais que resultavam em um número e a primeira pessoal a escrever o número no chato “ganhava” ou “decidia” o que aconteceria depois. E, confesso, fiquei ansiosa por mais. Pode ser uma espécie de condicionamento, mas quando na primeira vez se pergunta para o público o que fazer quando há uma indecisão, a cada nova indagação este espera que será consultado novamente. O que não ocorre, pois são desenvolvidas outras maneiras de solucionar os desafios. De toda sorte, entendendo este novo formato, suas tecnologias e a nossa recente caminhada desbravando-o, senti falta da exploração de mais formatos e mais quantidades de interações com o público.

Com recursos simples como cair em uma brigo apertado de balões, celofane ou caminhar por uma trilha de luzinhas é muito fácil seguir o jogo proposto pelo grupo de amigas, empolgadas em ir mais e mais por entre alvéolos, fígado, pâncreas, coração, cérebro…. cansou? Pois elas também.

Dado momento também surge a insegurança, preocupação, saudades….sentimentos que descobridores sentem. Eu acho, né? Porque todo mundo já brincou de aventura. Não? Sério? Nunquinha? Vamos, vem então! Vai ser divertido! Mas também é desconhecido, e isso assusta às vezes. E tudo bem sentir medo, angústia, vontade de chorar….mas conversa com um amigo, nem que seja imaginário e procurem bem que solução tem!

Mas voltando pra Lili, Aziza e Mari, eu já falei que não vou contar o fim da história, só vou contar que quem escreveu, e foi a Guada e a Lali, escreveu de um jeito que faz com que a gente queira ir pro próximo órgão, queira conhecer mais as personagens. E quem fez o cenário (essa não sei quem foi) teve umas ideias muito interessantes porque demora para se dar conta de o que é, e não faz a menor diferença saber do que é feito o que, porque parece que entramos no corpo humano de verdade.

 

 

 

 

Inclusive teve um debate – na programação do TPE (Teatro Pesquisa Extensão, projeto do Departamento de Artes Dramáticas da UFRGS, em que se apresentou a Invenção Amalucada nas quartas-feiras de outubro de 2021), como acontece sempre após a última apresentação, em que o elenco e direção conversaram com Fernanda Boff e Anna Klacowicz, mediados pelo professor Henrique Saidel, e que falaram bastante sobre a concepção do trabalho, você pode conferir aqui: https://www.youtube.com/watch?v=OgnaFiQAns4

Nesta conversa, foi falado bastante sobre a elaboração do cenário e recursos cenográficos, principalmente com as dificuldades e sobre a reinvenção do trabalho em formato virtual. Um detalhe muito legal é que veio através de uma referência da Lali Garrido, que era escoteira, então fizeram o cenário em barracas, onde cada lado desta era uma parte do cenário cada um com sua montagem diferente; então haviam as movimentações, e efeito de cair de um lado pro outro e indo para cada parede da barraca/cenário construído ali dentro, dando a visão de que estavam em lugar bem apertadinho, como deve ser uma mini pessoa dentro do corpo humano. Sobre os bastidores também, trazem a função de internet já ter caído no meio da apresentação, que era ao vivo, ou ainda como é fazer a peça tendo a perspectiva de estar se olhando, que é muito diferente do teatro presencial. Também foi trazido a construção da dramaturgia que veio muito através dos jogos de RPG (Rolling Playing Game) sendo conduzidas nas brincadeiras e improvisações através do jogo de dados, que acabou se imbricando no formato da peça, como já falamos.

Ah! Também vou contar um segredo: Lili, Aziza e Mari são Renata, Vívian e Lali e elas têm um jeito de jogar e entrar na brincadeira muito emocionante, que dá aquele calorzinho no peito de quando a gente vai brincar e faz uma amiga nova. Ah! Tem também a voz da Ciça que é só aconchego e delicadeza e poderia dormir ouvindo esse trechinho que ela fala. Coração no coração.

Mas acho que não vou contar mais nada.

Elas estiveram em cartaz na Mostra TPE de 2021 no mês das crianças e espero vê-las em breve.

 

 

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Ficha Técnica
Elenco – Lali Garrido, Renata Lorenzi e Vivian Azevedo
Direção – Guadalupe Casal
Dramaturgia – Guadalupe Casal e Lali Guarrido
Produção – Grupo
Contrarregragem – Mariana Fernandes
Orientação – Ana Cecília Reckziegel

 

 

 

 

 

 

Qorpo Qrítico – Vol. 03, n. 08, outubro de 2021 a janeiro de 2022. ISSN 2675-4207.