Sobre dançar com um coração que sopra

Referências, colagens, cópias, remixagens… remixagens… remix… taí uma boa definição para falar da poética de um corpo que tem história. Ainda mais uma história que se constrói nesse lugar tão … tão … tão  … 

E todos tem. 

História …

Todos os corpos… 

E esse no caso, um corpo de menino preto com 50 anos que sempre teve sopro no coração e nunca parou, conta a sua…

uma história que se constrói nesse lugar tão … tão … tão  … dança de rua 

quando quase nem tinha 

E tantas coisas mais…

 Então… bora por na roda! 

Todos corpos tem história. E quando tem muitas é tão interessante sentar e escutar, quer dizer… ver contar…não, melhor, bem melhor: é tão interessante dançar a história junto… Então quando você se identifica com as histórias fica fácil mergulhar… anos 80… quando não existia internet, Tik Tok ou tutorial, e a gente via tudo na TV, gravava no cassete e copiava, pra ver e rever…. rebobinando … passing forward, botando.       em     s   l   o   w           m      o     t       i      o    n … nem todo mundo viveu isso assim. 

Mas eu vivi.

Também AMO Michael Jakson, AMO James Brown, AMO Flashdance… AMO Capoeira e a abertura clássica do Fantástico … fiquei me balançando na cadeira com as referências que ele trouxe, foi gostoso e divertido de ver… 

Mas identificações à parte:

Será que precisa ter vivido nesse época pra dançar junto? Será que precisa de originalidade pra ser poético? Ou ser poético pra ser original? Ou a originalidade se dá nas nossas reinvenções, nos respiros … afinal, as coisas que nos atravessam, todas elas somadas, nos tornam deliciosamente únicos e interessantes…

Movemos o corpo de muitas formas ao longo da vida. Quando escrevi minha autobiografia percebi isso: tudo que eu já fiz na vida construiu esse corpo. Até mesmo e acima de tudo: ser professora. E não é? Então vem! Vem aqui aprender a fazer o postura comigo! O passo comigo! A dança comigo! Dança comigo?

Tive a oportunidade de fazer aulas de dança de rua com o performer bailarino em questão aqui … nosso solista… e me identifiquei com a forma diversa e com as colagens de como ele ensina … de como ele dança… de como faz a gente dançar … e tudo isso estava ali acontecendo … em cena … ok, tudo isso pode ter me levado pra esse lugar de estar em casa… Tanto que subi no palco pra dançar várias vezes… até a reunião dançante eu revivi. 

Identificações à parte … 

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Marco, obrigada! Ninguém dançava com você pois você ficava suado depois de dançar. Ninguém dançava comigo também não sei porque e hoje você me salvou da vassoura num sopro…

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Agradecimentos a parte…

Tá. Você chega ali e tem um DJ. E uma garota que contracena fazendo contraregragem e que também dança. Achei top. Luz neon, projeção, microfone, figurinos, banquinho e logo em seguida corpo que dança o que tá na projeção… como diria o Chico Machado, uma pura e simples sintaxe em que o gesto, a música, o cenário, os objetos e o performer reforçam a mesma ideia…

E em vários momentos reforçam e contam a história… dançam a música no ritmo …

Puxa! Que óbvio não? 

Não!…

Não porque tem nuances, sutilezas, respiros, pausas e releituras. Não porque tem uma combinação única de coisas. Não porque tem surpresas e delicadezas. 

E

Sim!…

Sim porque as ideias se reforçam e super funciona! E funciona muita bem porque dialoga com o próprio sentido da obra… da dança… do fato de ser e se assumir um remix. De ser desse lugar da dança que tem tudo a ver com remix. De ser honesto, profundo e verdadeiro no que se propõe colocando à mostra as fragilidades e conquistas desse coração que sopra. 

E nós dançamos junto. 

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Apreciação de Remix na Roda

Nando Espinosa

 

 

 

 

Ficha Técnica: 

Concepção, Atuação e Coreografia: Marco Rodrigues.

Participação Especial e Contrarregra: Natália Nunes.

Produção: Luka Ibarra.

Direção Cênica: Patrícia Fagundes.

DJ: Abu Ewls. Som: Alexandre Birck.

Iluminação: Driko Oliveira.

Cenografia: Rodrigo Shalako.

Qorpo Qrítico – vol. 7, n. 18 – abril a julho de 2025. ISSN 2675-4207