O comercial da Sadia começa com o personagem-mote chorando por ver a novela, seu amigo entra logo em seguida e fica surpreso com a cena. O restante do desenrolar é uma atitude que muitos homens usariam, julgar seu amigo e tentar encontrar uma explicação para a cena. Além de, ao final do comercial, mostrarem o deboche em um estilo descontraído, porém não menos preconceituoso pela fato de um homem chorar.
O personagem-mote se indaga para saber o que fazer perante o olhar reprovador do amigo. A norma hegemônica de masculinidade não permite aos homens o direito de chorar, ainda mais se o motivo do choro for feito para mobilizar o público feminino, sendo do senso comum se considerar que uma parcela do público feminino se comove com telenovelas, e o mesmo não é esperado de públicos masculinos heterossexuais.
Chorar para a sociedade está vinculado ao gênero feminino, que vem com suas fragilidades e sentimentos aflorados, homens por serem viris e fortes não tem a mesma aceitação sobre o choro pela sociedade. O personagem-mote da Sadia se vê reprimido pela presença do amigo (outro homem) em um momento que está expondo seus sentimentos em momento íntimo. A reprovação com a possibilidade de choro do amigo também é algo que dita as normas hegemônicas de masculinidade. Está intricado nas raízes das representações de gênero.
O modelo hegemônico da masculinidade heterossexual ainda inibe o choro de um homem ainda visto e valorizado por sua virilidade, além do mais os seus sentimentos não podem ser expressos e quando o são, eles -os homens- poderão ser julgados como afeminados ou ate mesmo homossexuais.
O comercial feito pela agencia DM9DDB para o Hot Pocket da Sadia reafirma o que ja é muito difundido por uma sociedade masculina hegemônica, o homem é aquele que lida com a terra, com o bruto ficando para a mulher os sentimentos, ela, a que lida com os filhos, a casa.
Ao se utilizar de uma representação desse tipo, que reforça o estereótipo de que homem não chora se esta reprimindo uma nova geração de se conhecer melhor e ter mais liberdade de expressão sem se sentir reprimida com pre-julgamentos pela sociedade.

