Construído no município de Viamão, em 11 de maio de 1940 pela Sociedade Beneficente Leprosário Rio-Grandense, para atender a política de saúde pública da época, estabeleceu um centro de confinamento integral para abrigar indivíduos portadores de Hanseníase, vindos de diferentes regiões do estado. Ao fim da primeira década, o centro já abrigava 700 indivíduos, entre homens, mulheres e crianças.
No início dos anos 60, os avanços no tratamento da hanseníase possibilitaram a extinção da internação compulsória, levando muitos indivíduos ao retorno às suas cidades de origem. Contudo, vários indivíduos retornaram ao centro por não conseguirem retomar suas vidas fora da instituição.
Na década de 70, uma área ainda desocupada do hospital foi transformada em uma unidade agrícola de reabilitação psicológica, que passou a atender 180 pacientes do Hospital Psiquiátrico São Pedro, visando a recuperação psicológica de indivíduos.
Até o presente momento, o Hospital abriga 50 pacientes psiquiátricos e 20 ex-hansenianos que são amparados por uma política que visa o resgate da dignidade e a inclusão social.
Em janeiro deste ano, a Colônia de Itapuã, foi desinstitucionalizada, e com isso terá que fechar suas portas e realocar todos pacientes que ainda residem no terreno da instituição.
Proposta
Podemos dizer que as pessoas que vivem no Hospital foram esquecidas mais de uma vez. Primeiro, foram obrigadas a ficar isoladas da sociedade e sofreram muitos preconceitos por terem uma doença transmissível que não tinha cura. Depois, quando os tratamentos da doença evoluíram, foram esquecidas porque não tiveram apoio para se reintegrarem na sociedade. Agora, mais uma vez estão sendo esquecidas porque, depois de estarem muito tempo vivendo no local, terão que sair. Vamos entender quais são as ações que o governo e a Secretaria da Saúde estão tomando para dar assistência a essas pessoas que durante boa parte de suas vidas residiam e ainda residem de uma forma isolada no terreno do Hospital.
Além disso, compreender melhor quais são as inseguranças desses pacientes, que durante muito tempo viveram naquela região.
Abordagem
A reportagem pretende refletir e compreender, como foi a vida dessas pessoas que viveram durante vários anos isolados da vida agitada e corrida das grandes metrópoles e hoje talvez tenham que voltar para a cidade.
E se saber se elas se sentiram/se sentem esquecidas pela sociedade.
Possíveis fontes
- Conversar com professores de psicologia da UFRGS, para compreender quais são os impactos que esta mudança pode acarretar na saúde dessas pessoas. Pois muitas delas construíram lá ligações afetivas tanto com funcionários quantos com outros moradores da instituição.
- Conversar com algum desses moradores para saber quais são seus receios com essa mudança. Acredito que algumas dessas pessoas (de uma certa forma) foram esquecidas tanto por familiares quanto com amizades que tinham em suas cidades de origem.
- Também conversar com os funcionários do hospital, saber como é o convívio com os pacientes. E também, se sentem esquecidos ou ainda sofrem algum tipo de descriminação da sociedade por trabalharem naquele hospital.
- Conversar com especialistas sobre Hanseníase, quais são os tratamentos, se é necessário ainda nos dias atuais o isolamento dessas pessoas.
- Representante do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) na região metropolitana de Porto Alegre, Magda Chagas.
- Compreender com a Secretaria de Saúde o motivo pelo qual a comunidade será fechada, quais os impactos e as ações que o governo está tomando.
Questões a serem respondidas
- Perguntas para os morador da Hospital Colônia de Itapuã
- Quais foram os motivos que lhe trouxeram a Colônia?
- Quanto tempo você reside aqui?
- Quais histórias você poderia nos contar?
- Quais são os receios que você tem de voltar a morar na cidade?
- O quanto você percebe que a sociedade em geral conhece esse local?
- Perguntas aos familiares dos pacientes
- Como foi sua infância? Chegou a viver no Hospital?
- Pergunta aos funcionários do Hospital
- Como é o convívio com os pacientes?
- Se sentem excluídos ou discriminados pela sociedade por trabalharem no hospital?
- Vocês também residem no hospital?
- Perguntas para psicólogo da UFRGS
- Muitas dessas pessoas vivem de forma isolada e longe de seus familiares há alguns anos, e com isso acabam perdendo contato ou até, em alguns casos, se esquecendo um dos outros. Como é esse processo? O quanto isso causa sofrimento para essas pessoas?
- O que pode representar emocionalmente para essas pessoas um retorno para suas cidades?
Imagens
- Fotos antigas e recentes de Itapuã, para apresentar sua extensão territorial e como foi se dividindo com o passar dos anos a área para atender diferentes tipos de pacientes.
- Fotos antigas dos moradores com seus amigos e familiares.
- Fotos atuais dos pacientes.
Recursos Multimídia
- Utilizar o Google Earth para mostrar a distância que o Hospital Colônia de Itapuã possui de Porto Alegre, e também sua dimensão territorial.
- Fazer uma ilustração de um dos pacientes ou da estrutura do hospital.
- Usar fotografias e vídeos históricos do local
DA PAUTA À REPORTAGEM
Infelizmente por questões burocráticas e protocolos de segurança, não consegui visitar os familiares e ex-pacientes com hanseníase que ainda residem no hospital de itapuã.
Entretanto, consegui conversar com Suzana Amaral, filha mais velha de um dos pacientes da Colônia, que acabou falando de toda a questão do preconceito que ela e sua família sofreram por parte dos moradores da cidade de Itapuã.
Conversei também com a representante do do Muhan de Porto Alegre, Magda Chagas, sobre a situação atual do hospital e qual o impacto que a desinstitucionalização do hospital pode ocasionar para os pacientes.