Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

Será que ele é?

De vilão caricato para protagonista queridinho: como a imagem do gay afeminado está presente no imaginário popular brasileiro

Objetivo:

Como o estereótipo do gay afeminado já foi trabalhado pela mídia tradicional e quais são as referências desse “personagem” que existem hoje? 

O objetivo da reportagem é mostrar como os gays afeminados foram representados em filmes, novelas, desenhos e seriados no passado e como esse estereótipo é representado hoje.

Enfoque:

A ideia da reportagem é fazer uma comparação entre dois momentos distintos: mostrar as caricaturas de personagens gays criados antigamente e como hoje esse estereótipo é menos caricato e/ou mais complexo. 

Ouvir pesquisadores sobre como os personagens podem influenciar a visão sobre determinados grupos (ter apenas um gay afeminado na novela pode formar a ideia de que todos os homossexuais são parecidos?); ouvir gays afeminados pra saber como eles se sentem em relação a esses estereótipos na mídia.

contexto

Por muito tempo as representações de gays na mídia tradicional brasileira (com destaque para telenovelas e programas humorísticos) se pautaram no estereótipo do “gay afeminado”, aquele que tem trejeitos considerados mais “femininos” (jeito de falar, de se vestir, de andar). Nesse sentido, esse tipo de representação única pode ter criado um imaginário coletivo de que todo homem homossexual é afeminado e de que todo afeminado tem os mesmo trejeitos e está relacionado à mesma caricatura (gay “engraçado”, “debochado”, “vingativo”, “promíscuo”).

Além disso, o estereótipo do gay afeminado também é o maior alvo de preconceito, dentro e fora da comunidade LGBTQIA+, uma vez que foge do considerado “aceito” como padrão de comportamento masculino. A sociedade pautada em valores machistas rejeita pessoas que negam o privilégio masculino e abrem mão do comportamento de “macho”.

Por outro lado, com o passar do tempo, algumas figuras afeminadas têm ganhado espaço e trazido discussões sobre afeminofobia (o preconceito com quem destoa do considerado “aceitável” para seu gênero) à tona.

Como homens gays afeminados percebem essas representações na mídia? Isso interfere no comportamento do dia-a-dia?

Referências:

fontes
  • Pesquisadora sobre estereótipo gay na mídia (possível fonte: Fernanda Nascimento, autora do livro Bicha (nem tão) má: LGBTs em telenovelas)
  • Pesquisador sobre gênero e sexualidade (possíveis fontes: Paula Sandrine, do PPG Psicologia Social e PPG Antropologia da UFRGS; Adolfo Pizzinato, do PPG Psicologia da UFRGS; Ângelo Costa, do PPG Psicologia da PUC/RS)
  • Case — ator que interpretou um personagem gay estereotipado (possíveis fontes: Marcus Majella, Mateus Solano, Marcelo Serrado (sonhei alto aqui, risos))
  • Case — gay afeminado em evidência na mídia hoje (possíveis fontes: Douglas Souza, do vôlei (foi fonte de uma matéria na UFRGS TV); Gabeu, cantor de “pocnejo”, filho do cantor Solimões)
  • Case — gay mais jovem e gay mais velho para comentarem sobre o que acham da representação homossexual na mídia (possíveis fontes: Lucas Andrade, homem gay, 23 anos e Fernando Favaretto, homem gay, 44 anos)
imagens

Imagens de personagens estereotipados (Félix, de Mateus Solano; Ferdinando, de Marcus Majella; etc)

Fotos de gays afeminados que não são reduzidos ao estereótipo (Gil do Vigor, BBB 21; Douglas Souza, da Seleção Brasileira de Vôlei)

Acho que as ilustrações poderiam contemplar os estereótipos populares relacionados a gays, como arco-íris, salto alto, divas pop… Imagino que as ilustrações possam trazer esse “lugar comum” do imaginário popular de uma maneira caricata e/ou disruptiva. Cores chamativas e bordões seriam bem-vindos.

sugestões de perguntas

Para Fernanda Nascimento:

  • No seu livro você faz um apanhado histórico da representação de personagens gays nas telenovelas brasileiras. Qual foi a sua percepção sobre a caricatura desse estereótipo ao longo dos anos?
  • Antigamente, personagens gays tinham um estereótipo bem definido? Quais eram as representações mais comuns?
  • E mais recentemente? Personagens gays ainda são caricatos?
  • A representação dessas personagens também está relacionada ao contexto em que foram criadas. Como você vê essa relação entre a ficção e o imaginário popular dos “gays reais”?
  • Essas personagens ajudam a diminuir preconceitos da sociedade? Por quê?

Para pesquisador sobre gênero e sexualidade:

  • O que a representação de gays na mídia diz sobre o imaginário popular sobre o tema?
  • Para algumas pessoas o estereótipo de gay é o de um homem afeminado e com muitos trejeitos. Essa imagem contrária ao considerado “masculino” pode explicar o preconceito contra homossexuais? O que os estudos sobre machismo dizem a respeito?
  • Personagens gays representados na mídia ajudam a diminuir preconceitos da sociedade? Por quê?
  • Essa caricatura pode influenciar pessoas a acharem que todos os gays são parecidos? Como funciona essa relação?

Para cases:

  • Quais eram tuas referências de “gay” na infância e adolescência?
  • Esse tema era discutido de alguma forma em casa? Lembra qual foi teu primeiro contato e como isso foi tratado por ti e pelos outros ao redor?
  • O que te inspirou na elaboração do teu personagem? (ator)
  • Você já sofreu homofobia por ser afeminado? Se sente confortável para dividir a história?
  • O que você acha das referências de personagens gays na mídia?
sugestões multimídia

Talvez seja possível inserir trechos de cenas de novelas/programas humorísticos em que apareçam personagens afeminados caricatos

Redes sociais da revista:

  • Card interativo no stories do Instagram: “Qual foi o primeiro gay que você viu na televisão?”
  • Cards para feed: “Você sabia? Sobre beijo gay na televisão”:
    •  O primeiro beijo gay da TV foi exibido em 1963, entre as atrizes Vida Alves e Geórgia Gomide, para a peça de teleteatro A Calúnia. O primeiro beijo entre dois homens em uma telenovela foi o de Félix e Niko, em 2014, na novela Amor à Vida.
  • Cards para feed: Bordões de personagens gays
    • fazer um apanhado de bordões de personagens estereotipados e um card falando sobre o estereótipo do gay como fonte de humor (“Viaaaado”, de Ferdinando (Vai que Cola); “Olha a faca”, de Patrick (Zorra Total); bordão de Félix e de Crô)

da pauta à reportagem

A principal mudança da pauta pensada para a pauta produzida ocorreu quando eu percebi que tinha uma preconcepção errada sobre o assunto. Como é possível ver, analisando o enfoque delimitado no início, minha ideia era fazer uma comparação entre dois momentos que, para mim, eram muito marcantes: antigamente, em que todos os LGBTs representados eram muito caricatos; e agora, em que a representação é maravilhosa, na minha concepção.

Acontece que nenhuma das informações procede (risos). Conversando com as fontes especialistas, descobri que antigamente os personagens já não eram tão estereotipados como eu imaginava (com exceção dos utilizados nas comédias). Por outro lado, embora tenhamos avançado muito nas questões de gênero, ainda não estamos às mil maravilhas atualmente. Portanto, eu abri o enfoque da matéria para entender de um modo geral como a representação LGBT+ funciona na mídia.

Consegui entrevista com a maioria das fontes que pensei, com destaque para a pesquisadora Fernanda Nascimento e para o ator Mateus Solano, que viveu o Félix em Amor à Vida e foi um dos pontos de partida para minha matéria. Também nesse sentido, uma mudança que senti necessária, conversando com amigos, foi de incluir alguém que trouxesse um viés racial para a pauta. Acredito que essa troca com outras vivências é superimportante para que o olhar sobre a reportagem se torne mais diverso.