Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

Vítimas do clima

O conceito de “racismo ambiental” foi criado na década de 1980, por Benjamin Franklin Chavis, um dos líderes do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Em sua definição original, seria a descriminação racial existente na elaboração de políticas ambientais, aplicação e regulamentação de leis e direcionamento de projetos nocivos para áreas ocupadas por comunidades negras. O termo surgiu a partir de uma pesquisa que o ativista desenvolveu, onde investigava a relação entre os resíduos tóxicos e a população preta norte-americana.

No Brasil, hoje se entende o racismo ambiental como um fenômeno que afeta a população preta, indígena, moradores de periferias, dentre outros grupos que residem em áreas urbanas ou rurais e que são diretamente afetados pela degradação ambiental. Ou seja, raça e território se mostram como recortes importantes para se pensar quem são as populações mais afetadas pelas ações dos seres humanos na natureza.


A ideia da pauta é, a partir da conversa com especialistas, aprofundar o conceito de racismo ambiental, explorando seus impactos em comunidades brasileiras. Como cases, pretendo conversar com, ao menos, três moradores ou lideranças de áreas afetadas pelo fenômeno. 

Penso em falar com uma comunidade periférica, uma indígena e uma quilombola, que sejam de estados diferentes. Os cases servirão para ter o relato de pessoas impactadas diretamente pelo racismo ambiental.


Comunidade periférica

Como case do Rio Grande do Sul, pretendo conversar com moradores do município de Butiá, cidade onde são realizadas atividades de mineração. O bairro São José fica em uma região periférica da cidade, e os moradores, em sua maioria, são pessoas negras. No local, há uma comunidade que fica nos arredores de onde foi implementada a mina de carvão B3, da Copelmi, que não está mais em atividade. Quero conversar com alguns moradores mais antigos para saber como era conviver com a mina e quais os rastros deixados por ela.

Comunidade indígena

Em 2019, representantes de oito povos indígenas relataram, em evento realizado em Carolina (MA), os impactos que as mudanças climáticas já causam na saúde, na cultura e na produção de alimentos de suas comunidades. Através da lista de participantes desse evento, tentarei chegar em uma das comunidades indígenas de fora do RS. Se não der certo, outro caminho possível é a partir de alguma indicação da Apib.

Comunidade quilombola

Em aberto

Possíveis fontes
  • Cristiane Faustino — assistente social, integrante do Instituto Terramar, em Fortaleza (CE) (e-mail enviado para secretaria@terramar.org.br/)
  • Júlia Menin — doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da UFRGS. É integrante do Grupo de Pesquisa TEMAS – Tecnologia Meio Ambiente e Sociedade e membro da rede Conexões Amazônicas (entrevista realizada dia 03/09)
  • Irei contatar a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), buscando conversar com algum de seus integrantes (e-mail enviado para comunicacao@apiboficial.org)
  • Vereador Edson Leal (PT), de Butiá — poderá ajudar com cases da região, e dando sua própria visão sobre os impactos da mineração na região (entrevista dia 09/09)
Imagens e conteúdos multimídia
  • De fotografia, tentarei conseguir registros dos acervos pessoais dos moradores das comunidades
  • Para ilustrações, pretendo buscar algumas referências para melhor exemplificar minhas ideias para os ilustradores, mas penso que  seriam interessantes imagens que representem essa relação entre território e suas comunidades
  • Vou tentar investir em conteúdos de áudio, transformando trechos das entrevistas em arquivos que irão entrar em momentos específicos da reportagem
  • Poderíamos tentar juntar alguma ilustração, em formato de gif, com esses trechos de falas dos entrevistados, convertendo esse arquivo em um pequeno vídeo que entrará ao longo da reportagem.
Redes sociais
  • Publicação explicando o conceito de racismo ambiental.
  • Conteúdo apresentando as comunidades que serão case da reportagem / personalidades que combatem o racismo ambiental em suas comunidades (pensar formato)
  • Galeria de imagens que ilustre os impactos do racismo ambiental
Pesquisas

Da PAUTA À REPORTAGEM

Ao longo da produção, a reportagem acabou tomando outro caminho. Isso se deu devido à mudança nas fontes: não foi possível contatar as comunidades que inicialmente haviam sido pensadas como cases. Das especialistas citadas na pauta, apenas a pesquisadora Júlia Menin foi entrevistada. A partir dela, cheguei na moradora de um comunidade Ribeirinha, que se tornou um dos cases. Os outros entrevistados vieram de pesquisas e indicações, mas só surgiram no decorrer do desenvolvimento da matéria. De resto, foi possível explicar o conceito de racismo ambiental, exemplificar os seus impactos a partir dos cases e apresentar informações que mostram que, de fato, as pessoas não sentem os efeitos das mudanças climáticas da mesma forma.