Nawal el Saadawi (1931)

Nawal el Saadawi | Melafestivalen - Oslo
Fonte da imagem: Melafestivalen - Oslo. 27 de jul. de 2007. Flickr: Melafestivalen - Oslo. Disponível em: https://flic.kr/ p/a4TS65. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Feminista egípcia, escritora,  médica e ativista política.  Nasceu na aldeia de Kafr Tahla, perto do Cairo, de uma família de altos servidores do Estado. Estudou em escola para meninas de Alexandria e depois no distrito de Menouf, no Delta do Nilo, onde frequentou uma escola inglesa, embora a família demonstrasse sua posição anti-colonial. Completou os estudos na escola secundária para meninas Nabeweya Moussa e tornou-se pensionista na Escola Secundária Helwan para Meninas, onde se especializou em Ciências (1945).

Mudando-se com a família para Gizé, Nawal estudou como bolsista na renomada Escola de Medicina Kasr Alainy da Universidade do Cairo (1949-1954) período em que começou a redigir os seus primeiros escritos para o teatro, para revistas estudantis  e também ingressou na luta anti-colonial, envolvendo-se com o líder estudantil revolucionário Ahmed Helmy (1951), com quem teve uma filha, Mona.  

Após a formatura, trabalhou como médica residente no Hospital Universitário de Kasr Alainy, em centros de saúde e em 1958 passou a integrar o Departamento de Doenças Torácicas no Ministério da Saúde do Cairo e Gizé. Depois montou uma clínica e envolveu-se em duas relações conjugais, até o terceiro casamento, com Sherif Hetata (1964). Enquanto isso, realizou Mestrado em saúde pública na Universidade de Columbia, serviu como secretária-geral adjunto da Associação Médica do Egito e foi editora de sua revista (1968-1974).

Em 1972, os comentários de Nawal sobre as dimensões políticas e econômicas da situação das mulheres em seu primeiro trabalho de não-ficção, Woman and sex (A mulher e o sexo) (1969), levaram a sua demissão dos cargos públicos que ocupava. Ela deu continuidade às pesquisas sobre mulheres e neurose na Universidade Aim Shams, no Cairo, que inspirou seu romance mais conhecido, Woman at point zero (Mulher ao ponto zero) (1973)  sobre uma prostituta condenada por assassinato. Deste envolvimento com a literatura veio o seu vínculo com a Egyptian Women Writers Association (Associação de Mulheres Escritoras Egípcias) (1971), que ajudou a fundar.  

No final de 1970 ela se tornou chefe do Programa das Mulheres das Nações Unidas na África e ganhou renome internacional como feminista com a publicação de The hidden face of Eve (A face oculta de Eva) (1977), em que denuncia a situação das mulheres mundo árabe com um contundente relato sobre a prática da mutilação genital da qual ela própria foi vítima aos seis anos. Em 1981, foi presa por criticar abertamente o regime do presidente Anuar Sadat, sendo libertada após o assassinato dele em 1981. No ano seguinte, fundou a Associação de Mulheres Solidárias Árabes, destinada a promover a participação ativa das mulheres árabes em todas as áreas da vida social. Em 1992, foi colocada sob  “proteção” do governo contra sua vontade, e saiu do país.  

Quando voltou ao Cairo, deu continuidade à luta contra o conservadorismo egípcio, sendo acusada de insultar o islã e ameaçada de prisão em 2001, 2007 e 2008. Uma de suas peças teatrais, God resigns at the summit meetings (Deus renuncia nas reuniões de cúpula) (2006) levou a que ela fosse julgada por apostasia e heresia pelas altas autoridades religiosas da Universidade de Al Azhar (2008), e a obra  continua proibida no país. 

El Saadawi sempre retorna ao Egito e não se furta a debater os assuntos mais delicados. Seus muitos romances, memórias e ensaios lidam com a repressão política e econômica, o fanatismo religioso e a opressão das mulheres e práticas misóginas, como a excisão genital feminina. Hoje, ela se vê principalmente como romancista, mas permanece politicamente ativa, como quando usou sua candidatura nas eleições presidenciais de 2005 para expor a superficialidade da democracia do Egito.  Em 2011, se juntou às manifestações contra o governo do presidente Hosni Mubarak na Praça Tahrir, no Cairo.

Ao longo dos anos, seus livros se tornaram disponíveis em vários idiomas, e ela recebeu vários prêmios e doutorados honorários em reconhecimento ao seu ativismo e sua obra. Tem sido convidada como professora visitante em várias instituições acadêmicas nos Estados Unidos e na Europa e é uma conferencista regular e apaixonada em eventos públicos e conferências acadêmicas em todo o mundo.

BIBLIOGRAFIA

BEKERS, Elisabeth. Nawal El Saadawi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 293-295.

EMMENYONU, Ernest N.; MAUREEN, N.. Emerging critical  perspectives on Nawal el Sadawi. Trenton; Asmara: Africa World Press, 2010.

LUZ, Flávia Abud. Entre memória e ativismo político: contribuições de Nawal el Saadawi para o feminismo egípcio e transnacional. Malala (USP), v. 8, n. 20, 2020: https://www.revistas.usp.br/malala/article/view/161802

SAADAWI, Nawal. A daughter of Isis: the autobiography of Nawal el Saadawi. Londres:  Zed Books, 2009.

Última atualização em: 07/03/2021

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