Nascida na comunidade de Umuida, em Enugu-Ezide, na área cultura igbo, atual Nigéria, era filha de pai agricultor e mãe comerciante.
Cresceu em Unadu, com a família da mãe. Integrante de comunidades acéfalas, em que as decisões são tomadas por conselhos de anciãos ou por sacerdotes que representam as divindades ancestrais, quando tinha cerca de 14-15 anos foi obrigada a abandonar a comunidade familiar e fugir para não ser casada à força com a divindade feminina Ohe, para compensar uma infração cometida pelo pai.
Durante a fuga em território Igala, Ahebi praticou a prostituição para sobreviver, e se tornou negociante, comercializando óleo de palma, cavalos e mesmo escravos, aprendeu a falar vários idiomas, como o Igala, Nupe e Inglês, e teve acesso a diversos círculos sociais, inclusive o dos colonizadores britânicos. Foi com o recurso a tais contatos, e os seus conhecimentos da língua inglesa, que ela conseguiu, com o apoio de um oficial britânico retornar à comunidade Enugu-Ezize e reivindicar para si o mandato de chefe e depois o título de eze, equivalente a rei.
Ahebi foi a única mulher nomeada subtenente em toda a Nigéria colonial, o que lhe conferiu ainda maior prestígio junto aos colonizadores, e serviu de intermediária no recolhimento de tributos e na imposição de trabalho forçado. Ela soube se cercar de uma aura de misticismo para fortalecer sua imagem como um rei poderoso, pois governou como homem: teve várias esposas, muitas das quais separadas de maridos abusivos, e adotou os filhos delas.
Antes de morrer preparou o próprio ritual funerário para garantir que obedecesse as normas de um funeral real, com salvas de tiros, sacrifícios de animais e parada musical, e foi sepultada de acordo com os costumes locais destinados ao enterro de pessoas do sexo masculino.
BIBLIOGRAFIA
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CHUKU, Gloria. Igbo women and economic transformation in southeastern Nigeria, 1900-1960. New York: Routledge, 2005.
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Última atualização em: 28/01/2021
































