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Ahebi Ugbabe (1880–1948)

Nascida na comunidade de Umuida, em Enugu-Ezide, na área cultura igbo, atual Nigéria, era filha de pai agricultor e mãe comerciante.

Cresceu em Unadu, com a família da mãe. Integrante de comunidades acéfalas, em que as decisões são tomadas por conselhos de anciãos ou por sacerdotes que representam as divindades ancestrais, quando tinha cerca de 14-15 anos foi obrigada a abandonar a comunidade familiar e fugir para não ser casada à força com a divindade feminina Ohe, para compensar uma infração cometida pelo pai.

Durante a  fuga em território Igala, Ahebi praticou a prostituição para sobreviver, e se tornou negociante, comercializando óleo de palma, cavalos e mesmo escravos, aprendeu a falar vários idiomas, como o Igala, Nupe e Inglês, e teve acesso a diversos círculos sociais, inclusive o dos colonizadores britânicos. Foi com o recurso a tais contatos, e os seus conhecimentos da língua inglesa,  que ela conseguiu, com o apoio de um oficial britânico retornar à comunidade Enugu-Ezize e reivindicar para si o mandato de chefe e depois o título de eze, equivalente a rei.

Ahebi foi a única mulher nomeada subtenente em toda a Nigéria colonial, o que lhe conferiu ainda maior prestígio junto aos colonizadores, e serviu de intermediária no recolhimento de tributos e na imposição de trabalho forçado. Ela soube se cercar de uma aura de misticismo para fortalecer sua imagem como um rei poderoso, pois governou como homem: teve várias esposas, muitas das quais separadas de maridos abusivos, e adotou os filhos delas.

Antes de morrer preparou o próprio ritual funerário para garantir que obedecesse as normas de um  funeral real, com salvas de tiros, sacrifícios de animais e parada musical, e foi sepultada de acordo com os costumes locais destinados ao enterro de pessoas do sexo masculino.

BIBLIOGRAFIA

ACHEBEchebe, Nwando. The female king of colonial Nigeria: Ahebi Ugbabe. Bloomington: Indiana University Press, 2010.

ACHEBE, Nwando.  “And she became a man”: King Ahebi Ugbabe in the history of Enugu-Ezike northern Igboland, 1880-1948. In: LINDSAY, Lisa; MIESCHER, Stephen (Ed.).  Men and Masculinities in Modern Africa. Portsmouth: Heinemann, 2003.

CHUKU, Gloria. Igbo women and economic transformation in southeastern Nigeria, 1900-1960. New York: Routledge, 2005.

CHUKU, Gloria. “Ahebi Ugbabe”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 94-95.

Buchi Emecheta (1944-2017)

Romancista nigeriana,nasceu com o nome de Florence Onyebuchi Emecheta, nas proximidades de Lagos, Nigéria, de uma família de origem étnica igbo. Ela foi educada no primário em uma escola batista e no secundário em uma escola metodista para meninas em Lagos. 

Casou-se em 1960 com Sylvester Onwordi eles tiveram dois filhos antes de irem trabalhar na Inglaterra (1962), e depois ela teve mais três filhos. Separada em 1966, começou a carreira de escritora conjugando a educação dos cinco filhos e os estudos na Universidade de Londres, onde obteve o diploma de bacharelado em Sociologia (1974), o mestrado (1976) e o doutorado em Educação (1991).

Em seu primeiro romance, In the ditch (No fundo do poço) (1972), em que retrata suas experiências como imigrante, resulta de uma série de artigos que ela publicou no jornal The New Statesman. Seus mais de vinte livros tratam em geral das pressões sociais sobre as mulheres africanas. The joys of motherhood (As alegrias da maternidade) (1979), com seu título irônico, costuma ser utilizado como material de apoio para discutir na escola o peso das expectativas da tradição sobre as mulheres e as mudanças introduzidas pelo colonialismo. Em obra mais recente, Kehinde (1994), o enredo gira em torno de uma mulher que, depois de morar em Londres por dezesseis anos, é obrigada a voltar à Nigéria acompanhando o marido. Os conflitos daí resultantes em suas vidas refletem as experiências de muitas mulheres da diáspora africana moderna.

Emecheta trabalhou no Museu Britânico na década de 1960, e atuou como jovem trabalhadora para a Inner London Education Authority nos anos 1970.  Depois que os seus livros se tornaram bem-sucedidos ela deu aulas em diversos lugares, inclusive na Universidade do Estado da Pensilvânia, na Universidade de Rutgers e na Universidade da Califórnia, na Universidade de Los Angeles e de Illinois, entre outras.  Ela foi premiada com a Ordem do Império Britânico em 2005.

BIBLIOGRAFIA

FISBUN, Katherine. Reading Buchi Emecheta: cross cultural conversations. Westport: Greenwood Press, 1995.

SHELDON, Katleen. “Buchi Emecheta”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 298-299.

UMEH, Marie. Emerging perspectives on Buchi Emecheta. Trenton: Africa World Press, 1996. 

Catherine Obianuju Acholonu (1951-2014)

Escritora nigeriana, pesquisadora e professora, também referida como Catherine Obianuju Acholonu-Olumba. Nasceu em Orlu, de ascendência Igbo. Em casamento arranjado, aos dezesste anos tornou-se esposa de Douglas Acholonu, com quem teve quatro filhos: Ifunanya, Nneka, Chidozie e Kelechi. Após a formação escolar e universitária, estudou na Alemanha, obtendo o título de mestrado (1977) e doutorado (1982) em Língua e Literatura inglesa e americana e Linguística germânica na Universidade de Dusseldorf.

Durante a década de 1980, na Nigéria, atuou como docente na Universidade de Educação Alvan Ikoku em Owerri; fundou AFA Publications e AFA: A Journal of Creative Writing (1982), dois importantes meios de divulgação de produção acadêmica.  Ela foi uma das duas africanas designadas para o Encontro do Grupo de especialistas em Santo Domingo (1986), com o objetivo de priorizar a questão de gênero nos planos de ação das três Conferências da ONU, do Rio de Janeiro, Cairo e Pequim.

Como pesquisadora, realizou estudos sobre as raízes Igbo do ex-escravo africano e abolicionista Olaudah Equiano, também conhecido como Gustava Vassa, proferindo palestras sobre ele e os vínculos da família dele com a região de Imo, na Nigéria, em universidades inglesas e norte-americanas. Foi escritora residente na Westchester Consortium for International Studies (1990-1991) e professora visitante em Manhattanville College, Marymount College, Iona College, e College of New Rochelle em Nova Iorque. Trabalhou como professora de história africana e filosofia no campus nigeriano da Universidade de Pilgrim e no Seminário Teológico de Aba.

Seu livro Motherism: The afrocentric alternative to feminism (Maternismo: a alternativa afrocêntrica ao feminismo) (1995), é descrita como a primeira teoria completa de estudos de gênero na África e base para teoria maternal introduzida no Canadá e outros países ocidentais. Também escreveu The Gram Code of African Adam: Stone Books and Cave Libraries, Reconstructing 450.000 Years of Africa’s Lost Civilizations (O código do Adão africano: os livros das rochas e cavernas reconstruindo 450.000 anos de civilizações perdidas da África) (2005), They lived before Adam: prehistoric origins of the Igbo (Nós vivemos antes de Adão: origens pré-históricas dos Igbos) (2009) e The lost testament of the ancestors of Adam. Unearthing Heliopolis/Igbo Ukwu, the celestial city of the gods of Egypt and India (O testamento perdido dos ancestrais de Adão. Desenterrando Heliópolis/Igbo Ukwu, a cidade celestial dos deuses do Egito e da Índia) (2010).

Acholonu foi a primeira nigeriana homenageada com a fundação do Centro de Pesquisa Catherine Acholonu. Foi Embaixatriz do Renascimento Africano para a Conferência do Renascimento Africano em Benin. Até 2002, atuou como conselheira especial sobre arte e cultura do presidente da República Federal da Nigéria. Foi a única representante da Nigéria no Fórum Global de Arte e Cultura para a implementação da Convenção da ONU para combate a desertificação (UNFAC) (2003).

BIBLIOGRAFIA

UMEH, Marie. “Catherine Obianuju Acholonu”.  In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 85-86.

EZEMWA-OHAETO. Contemporary nigerian poetry and the poetics of orality. Bayreuth:  E. Breitinger, 1998.

OTIONO, Nduko. Catherine Acholonu: the female writer as a goddess. Nkoko: Institute of African Studies – Carleton University, v. 4, 2014: https://ojs.library.carleton.ca/index.php/nokoko/article/download/2192/1975

Chimamanda Adichie (1977)

Escritora criativa nigeriana e ensaísta, com envolvimento e liderança no pensamento feminista. Nasceu em Enugu, de uma família de origem Igbo da cidade de Abba, no Estado de Anambra, mas cresceu em Nsukka. O pai era professor de Estatística na Universidade da Nigéria e mais tarde tornou-se vice-chanceler adjunto da instituição, enquanto a mãe era graduada em Sociologia e tabeliã.

Adichie completou sua formação na Universidade Escola da Nigéria, vencendo diversos prêmios por excelência acadêmica. Ela estudou Farmácia e Medicina na universidade por um ano e meio, mas rapidamente percebeu que não queria seguir esta carreira. Desde a juventude escreveu algumas peças e obras em prosa, sendo influenciada pela escritora inglesa Enid Blynton, mas sobretudo pelos romancistas africanos Chinua Achebe, seu conterrâneo, e Câmara Laye, que oferecera a ela perspectivas de pensar a africanidade. 

Em 1997, publicou uma coleção de poemas intitulada Decisions (Decisões), e deixou a Nigéria para estudar Comunicação na Universidade Drexel, na Filadélfia. Depois de dois anos, pediu transferência para a Universidade Estadual de Eastern Connecticut, onde completou o bacharelado em Comunicação e especialização em Ciência Política (2001).  Foi quando começou a escrever o romance Purple hibiscus (Hibisco Roxo), publicado em 2003, quando passou a ganhar reconhecimento no cenário da literatura internacional.

Em 2004 ela obteve um diploma de Mestrado em Escrita Criativa na Universidade John Hopkins e em 2005-2006 obteve uma bolsa de estudos Hodder da Universidade de Princeton, onde lecionou Introdução à ficção. No outono de 2006, matriculou-se no Programa de Mestrado em História Africana da Universidade de Yale. Paralelamente, ela continuava sua carreira de escritora, publicando numerosas histórias em periódicos internacionais como Granta e o New Yorker e diversos ensaios em jornais de prestígio, incluindo o Guardian e o Washington Post.

Em 2006 foi publicado o seu segundo romance, Half of a yellow sun (Meio sol amarelo), que venceu o Prêmio Internacional de Conto David T. Wong, o Orange Broadband Prize de Ficção em 2007 e foi pré-selecionado para o Commonwealth Writers’ Prize de Melhor Livro (Região Africana) no mesmo ano. A obra teve também grande êxito comercial, especialmente no Reino Unido, e selou o status da escritora como um dos principais nomes da literatura africana no início do século XXI.  

Chimamanda regularmente retorna à Nigéria, apoiando ativamente talentos literários locais emergentes através da organização de workshops para aspirantes a escritores em Lagos. Em maio de 2008 ela se completou os estudos em Yale e se mudou para Columbia, Maryland. Em setembro do mesmo ano recebeu uma bolsa de estudos da Fundação MacArthur, um prêmio de 500.000 dólares. A primeira coleção de contos de Adichie, The thing around your neck (No seu pescoço), foi publicada em abril de 2009.

Como escritora de ficção, suas obras tratam de dramas sociais nigerianos, mas também das situações dos imigrantes nos Estados Unidos, tema abordado em sua conhecida conferência no TED, intitulada “Os perigos de uma história única” (2009). Sua atuação e denúncia das desigualdades de gênero levou a que proferisse a conferência We shoud all be feminists (Sejamos todos feministas) (2012), em que compartilha sua experiência como mulher africana feminista, e sua visão sobre a construção de relações de gênero e sexualidade, que logo foi transformada em livro de grande impacto editorial em 2014.

BIBLIOGRAFIA

COOPER, Brenda. New generation of African writers: migration, material culture and language. Oxford: James Currey, 2008.

HEWETT, Heather. Coming of age: Chimamanda Ngozi Adichie and the voice of the third generation. English in Africa, Centurion (África do Sul), v. 32, n. 1, p. 73-97, 2005.

OGWUDE, Sophie. History and ideology in Chimamanda Adichie’s fiction. Tydskrift vir Letterkunde, v. 48, n.1, 2011:   https://www.ajol.info/index.php/tvl/article/view/63824

TUNCA, Daria. “Chimamanda Ngozi Adichie”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 94-95.

Flora Nwapa (1931-1993)

Nome pelo qual ficou conhecida internacionalmente Florence Nwanzuruahu Nkiru Nwapa, uma escritora, publicitária e educadora nigeriana. Lembrada como a “mãe” da moderna literatura africana, ela foi a precursora de uma geração de escritoras africanas e a primeira romancista africana com obra publicada na língua inglesa na Grã-Bretanha a alcançar o reconhecimento internacional.

Nascida em Oguta, no sudeste da Nigéria, durante o período colonial, era filha de família bem situada na sociedade, sendo a mãe dela, Martha Nwapa, uma professora de teatro. Estudou na escola secundária em Lagos, na Universidade de Ibadan (1957) e obteve diploma em Educação na University of Edimburg, na Escócia (1958). De retorno à Nigéria, atuou junto ao Ministério da Educação em Calabar, como Diretora de Educação até 1959. Depois foi professora de geografia e inglês na Queen’s School, em Enugu, e trabalhou como Assistente na University of Lagos (1962-1967). Também é conhecida por seu trabalho junto ao governo na reconstrução do país após a Guerra de Biaafra, quando trabalhou com órfãos e refugiados que foram deslocados durante a guerra.

Seu primeiro romance, Efuru, foi publicado em 1966 pela Heinemann Educational Books, com o apoio do escritor Chinua Achebe, o que a coloca como a primeira autora com obra publicada na Nigéria. O enredo do livro girava em torno de uma mulher determinada, e através dela é questionado o papel tradicional atribuído ao sexo feminno. Depois de perder um filho e de passar por dois casamentos infelizes, a protagonista não deixa de lutar contra todos os obstáculos que a impedem de ser uma pessoa de sucesso. 

Logo depois vieram a ser publicados os romances Idu (1970), Never Again (1975), One is Enough (1981), e Women Are Different (1986), cujas protagonistas são mulheres que lutam por sua independência econômica e liberdade para amar os seus parceiros e para atuar na sociedade. Publicou ainda duas coleções de histórias – This Is Lagos (1971) e Wives at War (1980),  e um volume de poesias, Cassava Song and Rice Song (1986). 

Em 1974 Flora Nwapa fundou a Tana Press e em 1977 a Flora Nwapa Company, publicando sua própria literatura para adultos e crianças, bem como obras de outros escritores. Sobre o perfil de suas obras, ela diz que o objetivo era “informar e educar mulheres em todo o mundo, especialmente Feministas, sobre o papel das mulheres na Nigéria, sua independência econômica, sua relação com seus maridos e filhos, suas crenças tradicionais e seu status na comunidade como um todo”. Embora tivesse atuado em favor de uma sociedade igualitária e em defesa das mulheres, preferia pensar a si mesma como “womanist” (mulherista) em vez de “feminist” (feminista).

BIBLIOGRAFIA

BERRIAN, Brenda F.  In Memoriam: Flora Nwapa (1931–1993).  Signs, v. 20, n. 4,, p. 996-999, 1995.

UMEH, Marie (Ed). Emerging perspectives on Flora Nwapa. Trenton: Africa World Press, 1997.

NWACHUGKWU-AGBADA, J. O. J.. Stability  and change in Flora Nwapa’s feminitude. In: EKO, Ebele et alii (Eds.). Flora Nwapa: critical perspectives. Calabar: University of Calabar Press, 1997. 

NWACHUKWU-AGBADA, J. O. J.. “Flora Nwapa”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 511-512.

Ifi Amadiume (1947)

Nascida em Kaduna, na área cultural Igbo, na Nigéria, realizou os estudo primário e secundário em se país antes de se mudar para a Inglaterra em 1971. Estudou na School of Oriental and African Studies da Universidade de Londres, onde obteve mestrado (1978) e doutorado (1983) em Antropologia Social. 

Como docente e pesquisadora, atuou durante um ano na Universidade da Nigéria, em Enugu, e depois foi convidada para lecionar na Inglaterra, Canadá, Estados Unidos e Senegal. Suas pesquisas empíricas inovaram o campo das relações de gênero na África em termos teóricos, a partir dos referenciais da cultura igbo, e resultaram nos livros  African Matriarchal Foundations: the igbo case (Estruturas matriarcais africanas: o caso igbo) (1987) e a premiada Male Daughters, Female Husbands: Gender and Sex in an African Society (Filhas machos, maridos fêmeas: gênero e sexualidade em uma sociedade africana ) (1987), em que antecipou o argumento depois muito difundido de que o gênero resulta de uma construção ocidental, e que a dicotomia de gênero não existia  na África antes do domínio colonial.  Escreveu ainda a coleção de ensaios Re-inventing Africa: Matriarchy, Religion and Culture (Reinventando a África: Matriarcado, Religião e Cultura) (1998).

Ifi Amadiume é também poetisa, e já em 1977 participou do II Festival de Artes e Culturas Negras em Lagos – FESTAC. Uma antologia de sua obra poética encontra-se em Passion Waves (Ondas da paixão) (1985), e em 2006 ela ganhou o Prêmio Flora Nwapa por seu livro Circles of love (Círculos do amor).  

Atualmente, faz parte do conselho consultivo do Center for Democracy and Development (Centro para a Democracia e o Desenvolvimento), uma ONG que visa promover os valores da democracia, paz e direitos humanos na África, particularmente na África Ocidental.

BIBLIOGRAFIA

ADESINA, Jimi. Práticas da Sociologia Africana: Lições de endogeneidade e género na academia. In: SILVA, Tereza Cruz e; COELHO, João Paulo Borges; SOUTO, Amélia Neves de (Orgs.). Como Fazer Ciências Sociais e Humanas em África: questões epistemológicas, metodológicas, teóricas e políticas (Textos do Colóquio em Homenagem a Aquino de Bragança). Dakar: CODESRIA, 2012, p. 195-210.

ADESINA, Jimi. “Re-appropriating Matrifocality: Endogeneity and African Gender Scholarship. African Sociological Review,  v. 14, nm. 1,  2010.

Janet Okala (1894-1971)

Liderança e ativista pelos direitos das mulheres igbo da Nigéria. Seu avô, Obi Akazue, foi o décimo quarto rei de Onitsha no período inicial dos contatos com os britânicos (1850-1870), e os país de sua mãe foram o primeiro casal igbo a casar em uma igreja cristã anglicana. Ela esteve entre as primeiras crianças igbo a concluir o ensino escolar em instituições missionárias e coloniais. Em 1912, casou-se com B. Okala, do povoado de Ogbeotu, e tiveram um filho chamado Jullius.

Também conhecida por Mama Bread, Janet foi proprietária da primeira padaria da pequena cidade de Owerrinta, situada entre Aba e Owerri, na região sudeste da Nigéria. Em 1929, quando eclodiu a Guerra das Mulheres Igbo (Igbo Women’s War) ela foi uma das líderes na articulação das mulheres contra as taxações impostas pelo governo colonial a partir da cidade de Olokoro. Ao término do confronto, as ativistas preservaram Okala e seu nome não foi citado em nenhum testemunho prestado às autoridades.

Depois ela se mudou com a família para Enugu e lá ajudou a fundar a Enugu Women’s Association – EWA, (Associação das Mulheres de Enugu), entidade que tinha por objetivo advogar pelos direitos femininos. A associação aderiu ao Nigerian Women’s Union – NWU (União das Mulheres Nigerianas), cuja sede de Enugu foi fundada por Funmilayo Ransome-Kuti em Abeokuta (1949). O NWU protagonizou campanhas pela igualdade das mulheres, contra a violência policial, por mais representatividade política e econômica para as mulheres. Janet ajudou a fundar a Federation of Nigerian Women’s Societies FNWS (Federação das Sociedades de Mulheres Nigerianas, uma das eleitas dentre as cinco vice- presidentas.

Sua influência como liderança nacional e seu ativismo a fizeram ser a primeira mulher eleita para ocupar um cargo no Onitsha Urban County Council (Conselho Urbano do Condado de Onitsha) (1954). Ela foi representante das mulheres no Onitsha Market Women’s Association (Associação das Mulheres do Mercado de Onitsha) e chegou a assumir o posto mais alto que uma mulher igbo pôde assumir, como presidenta do conselho feminino da cidade (Council of Onitsha Women), onde se manteve ativa até o momento de seu falecimento.

BIBLIOGRAFIA

CHUKU, Gloria. Igbo women and political participation in Nigeria, 1800 – 2005.  International Journal of African Historical Studies, v. 42, n. 1, p. 81–103, 2009.

CHUKU, Gloria. “Janet Okala”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 13-14.

MBA, Nina. Nigerian Women Mobilized: women’s political activity in southern Nigeria, 1900-1965. Berkeley: University of California Press, 1982.

Mary Nzimiro (1898-1993)

Nascida como Mary Nwametu Onumonu, foi uma empresária nigeriana pioneira, política e ativista em defesa das mulheres. Pertencia a uma família igbo de alta posição social: o pai, Onumonu Uzoaru, era chefe de distrito durante o período colonial e a mãe, Ruth, uma bem-sucedida comerciante de produtos derivados da palmeira. Estudou em escola missionária em Oguta, sua comunidade natal, formando-se no secundário em 1920. Casou-se com Richard Nzimiro, da United African Company – UAC (Companhia União Africana).

Preparada pela mãe para dar continuidade aos seus negócios começou a negociar sal e óleo de palma nos mercados de Nkwo e Eke. Em meados da década de 1940, mudou-se com o marido para Onitsha, Opobo e Port Harcourt.  Ela passou a comercializar têxteis, pólvora e cosméticos. Como resultado de seu senso de negócios e sua reputação de confiabilidade, tornou-se agente da UAC, representando a empresa em todo o Leste Nigéria em 1948. Nessa condição, passou a distribuir mercadorias para atacadistas e varejistas na Nigéria, Gana e Serra Leoa. Paralelamente, abriu seus próprios pontos de venda de têxteis e cosméticos em Port Harcourt e cidades vizinhas.

Como representante da UAC, realizou diversas viagens de negócios a Londres, Manchester e Glasgow. Além disso, ela abriu dois postos de gasolina, um em Port Harcourt e outro em Lagos. Com isso, Mary Nzimiro tornou-se uma das pessoas mais ricas da África Ocidental, com várias propriedades Port Harcourt, foi capaz de oferecer bolsas de estudos aos estudantes e ajudou muitas de suas aprendizes a ingressar no negócio. Juntamente com o marido, em 1945, abriu uma escola em Oguta, mais tarde renomeada Priscilla Memorial Grammar School, em memória de sua filha, Priscila Nzimiro, que morreu logo após se formar em medicina na Universidade de Glasgow. Em 1966 Mary Nzimiro fundou a Escola Secundária para Meninas, atribuindo-a o nome do marido que tinha falecido em 1959.

Na plano político, Mary Nzimiro se tornou membro do Conselho Nacional da Nigéria e dos Camarões, participando de seu comitê executivo em 1957. Foi eleita vice-presidente da Estern Women’s Association (Associação das Mulheres da África ocidental) em 1962, junto com Margaret Epko. Durante a Guerra Civil da Nigéria, no período da República do Biafra (1967-1970) ela organizou as mulheres igbo para dar suporte aos soldados biafrenses. Como consequência, com a derrota de Biafra, Mary perdeu a maior parte de suas propriedades em Port Harcourt,  retornou à sua terra natal, Oguta, onde viveu até falecer em 1993.

BIBLIOGRAFIA

CHUKU, Gloria. Igbo women and economic transformation in southeastern Nigeria, 1900-1960. New York: Routledge, 2005.

CHUKU, Gloria. From Petty traders to international merchants: a historical account of three igbo women of Nigeria in trade and commerce, 1886-1970. African Economic History, n. 27, p. 1-22, 1999. 

CHUKU, Gloria. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 525-526.

Nwagboka (+ 1890)

Omu do povo igbocom grande influência na cidade de Onitsha no sudeste da Nigéria. O título de omu, reservado à chefia feminina e concedido a mulheres comerciantes de grande prestígio social, lhe conferia poder de mando equivalente ao seu correspondente masculino, o obi, e por vezes é concebido como equivalente a “rainha”.

Em 1886, Nwagboka foi a líder de uma insubordinação das mulheres contra o poder do rei (obi) Anazonwu (1823-1899). As causas deste conflito não são claras, mas o posicionamento favorável da omu favoreceu a presença de missões cristãs na região e pode ter agravado o conflito com o governante. Inicialmente desfavorável às missões e igrejas, ela converteu-se ao cristianismo e passou a encorajar as mulheres a fazer o mesmo, a ponto de proibir qualquer atividade no mercado aos domingos, de forma que as mulheres pudessem participar dos cultos. Aparentemente, os homens de Onitsha temiam que a crescente influência das missões cristãs interferissem em práticas tradicionais, inclusive a poligamia.

A causa mais provável da insurgência feminina liderada por Nwagboka parece estar relacionada com a crescente presença das companhias mercantis europeias em Onitsha. Todo o controle das atividades do mercado, incluindo os preços praticados, assim como a corte que adjudicava questões de violações de regras e disputas entre os comerciantes, estavam sob a égide da omu e seus conselheiros. O controle das atividades mercantis era tal que o mercado apenas começava após a chegada da omu e sua corte. Em 1884 ela própria havia assinado um tratado com os ingleses, aliando-se a eles colocando-se sob sua proteção.   

A influência das companhias mercantis européias sobre as atividades mercantis afetou a subsistência das famílias de Onitsha, o que por sua vez, afetava diretamente as atividades das mulheres naquela sociedade, uma vez que o mercado estava tradicionalmente sob o controle feminino. Conquistando igualmente o apoio de alguns homens, Nwagboka incitou as mulheres a interromperem seus afazeres domésticos e suas interações de qualquer natureza com os seus maridos, o que elas fizeram. Este boicote é relevante para a análise histórica, pois demonstra um importante aspecto da rede social entre homens e mulheres e sua interdependência na estrutura social de Onitsha. A omu representava um contrapeso para a autoridade patriarcal (exercida pelo obi) na vida política da cidade.

Nwagboka havia conquistado o cargo de omu em 1884 após um bem sucedido começo como negociante: consta que ela conseguiu vender um carregamento de marfim  por 10.000 libras esterlinas, uma parte da qual teria repassado ao obi Anazonwu. Como recompensa de tal generosidade e reconhecendo sua grande capacidade como negociante, Nwagboka recebeu do obi o seu ofo (cetro de autoridade) e passou a integrar o gabinete real, o que lhe conferiu o poder sobre  o mercado e seu prestígio entre as mulheres da sociedade.

Após a sua morte, o seu cargo não teve sucessora imediata.  Outras lideranças femininas desempenhariam papel proeminente na história nigeriana posterior, tendo reconhecida a sua função de chefia política e econômica.

BIBLIOGRAFIA

CHUKU, Gloria. (2009). Igbo Women and political participation in Nigeria, 1800-2005. The International Journal of African Historical Studies, v. 42, n. 1, p. 81-103, 2009:  www.jstor.org/stable/40282431

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HANDERSON, H.K. Onitsha women: the traditional context for political power. In: KAPLAN, Flora E. S. (Ed.). Queens, queen mothers, priestesses, and power: case studies in African gender.  Nova Iorque: Academy of Sciences,  1997, p. 215-243.

NZEGWU, N.. Gender equality in a dual-sex system: the case of Onitsha. Canadian Journal of Law & Jurisprudence, v. 7, n. 1, 73-95, 1994.

Nwando Achebe (1970)

Nascida em Enugu, no Leste da Nigéria, é filha do romancista, ensaísta e poeta Chinua Achebe, e da professora Christie Chinwe Achebe. Realizou os estudos primário, secundário e superior na Nigéria, e realizou o doutorado na área de história na Universidade da California, em Los Angeles, Estados Unidos.

Ela é docente e pesquisadora de história da África na Universidade de Michigan desde 2005, e é editora-chefe e fundadora do Journal of West African History (Revista da História da África ocidental).

Seus interesses de pesquisa dizem respeito à história oral, à história das mulheres, de relações de gênero e sexualidade na África durante o período colonial. Suas duas principais obras são Farmers, traders, warriors, and kings: female power and authority in northern Igboland (Agricultores, comerciantes, guerreiros e reis: poder feminino e autoridade no norte da Igbolândia, 1900-1960) (2005), e o premiado   The Female king of Nigeria: Ahebi Ugbabe (O Rei-fêmea da Nigéria colonial: Ahebi Ugbabe) (2011).

BIBLIOGRAFIA

ACHEBE, Nwando. Nwando Achebe – Daurghter, wife and guest – a researcher at the crossroads. Journal of Women’s History, v. 14. N. 3, 2002.

ACHEBE, Nwando. Twenty-five years of african women writing african women’s and gendered worlds. Journal of Women’s History, v. 25. N. 4, 2013: https://muse.jhu.edu/article/531348

Okwei de Osomari (1872–1943)

Nascida Okwei Afubeho em 1872 na cidade de Osomari, localizada na região do baixo Rio Níger, na atual Nigéria. Pertenceu a uma importante linhagem do grupo igbo. Seu pai, Osuna Afubeho, foi um conhecido guerreiro, além de um príncipe de grande riqueza, proprietário de centenas de escravos, que controlava localmente o comércio e fazia a guerra. Seu avô, chamado Nzedegwu, foi Atamanya (rei) de Osomari, assinou acordos comerciais com os britânicos em 1854 e em 1860 e convidou a missão da igreja católica para sua cidade. O avô materno, Obi Aje, foi um dos filhos de Obi Ossai, rei de Aboh que em 1830 assinou acordos comerciais com europeus.

Aos nove anos de idade Okwei aprendeu com um tia materna a arte do comércio, além de aprender igala, língua oficial do comércio no Delta do Níger. Aos quinze, mudou-se com sua mãe para a cidade comercial de Atani, onde comercializavam vinho de palma, inhame, porcelana e noz de cola. De um primeiro casamento, herdou bens e contatos comerciais que fortaleceu sua posição no comércio ao longo do Rio Níger, e em um segundo casamento (1895), com o herdeiro de uma influente família de mercadoras de Aboh e Onitsha, tornou-se agente da concessionária britânica Niger Company. Com isso ela passou a comprar diversos produtos – tabaco, fósforos, lâmpadas, louças, vasos, álcool –  para distribuí-los a atacadistas e varejistas locais. Além do mais, ela arranjava casamentos de jovens mulheres com negociantes estrangeiros, empresários locais, gerentes de bancos e trabalhadores assalariados. Além do mais, instituiu parceiros comerciais nos principais portos do Rio Niger: Oguta, Ndoni, Brass, Port Harcourt e Warri.

Durante a I Guerra Mundial os produtos derivados da palmeira tiveram baixa no mercado Okwei o que a levou a comercializar tecidos de origem indiana (madras), além de continuar a vender pólvora, marfim, álcool e miçangas de coral. Como já tinha capital e organização suficiente, deixou de comprar dos intermediários europeus e estabeleceu contato direto com as fábricas da Inglaterra. Na condição de agente de empresas estrangeiras incluindo bancos, passou a atuar como agente local de câmbio, o que não agradava os nativos.

Em 1926 ela começou a trabalhar com empréstimo de dinheiro a novos comerciantes, agricultores e piscicultores. Sua taxa de lucro foi tão alta que alguns de seus devedores a processaram. Sua capacidade de adaptação e gerência de negócios variados a mantiveram durante o período da Grande Depressão. Ela soube investir em Onitsha, adquirindo a propriedade de 25 lotes, 24 casas, caminhões de carga e transporte marítimo. Okwei comprou uma casa moderna em sua cidade natal e um carro particular.

Apesar de sua falta de estudo formal, o comércio rendeu lucros e reconhecimento. Ela legou aos filhos os frutos de seu império, o que lhes garantiu posição de poder econômico e influência política na década de 1930. Ela própria teve destacada participação política, como representante da Onitsha Native Court (1912), da Waterside Settlement e da Native Court de Onitsha, junto ao governo colonial britânico.  Em 1935 ela foi coroada como Omu (título equivalente a rainha) de Osomari, tornando-se chefe do conselho feminino cujo trabalho era ajudar o Rei e seus conselheiros a administrar Osomari. Ela tinha o seu próprio palácio e uma equipe de conselheiras que a ajudavam nas disputas de pautas femininas e do mercado de Osomari, além de ser responsável por guardar as tradições e organizar cerimônias e festas.

Por sua enorme influência e prestígio, ela é tida como a mais importante omu da história do povo igbo, sendo lembrada e homenageada em Onitsha, cuja rua principal leva o seu nome.

BIBLIOGRAFIA

CHUKU, Gloria. Igbo women and political participation in Nigeria, 1800-2005. International Journal of African Historical Studies, v. 42, n. 1, p. 81-103, 2009. 

CHUKU, Gloria. “Okwei”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 26-28.

EKEJIUBA, Felicia Ifeoma.  Omu Okwei of Osomari. In: AWE, Bolanle (Ed.). Nigerian woman in historical perspective. Lagos: Sankore Publishers, 1992, pp. 89-104.

Zulu Sofola (1935–1995)

Nasceu com o nome de Onekwuke Nwazulu Sofola, de uma família real, os Okumabua de Issele-Uku, na localidade de Aniocha, no Estado do Delta, na atual Nigéria. Zulu é uma abreviação de seu nome igbo, Nwazuluoha, e não um nome sul-africano. Estudou no Seminário Batista da União da Virgínia onde obteve seu bacharelado em 1959, e na Universidade Católica da America, em Washington, onde obteve Mestrado em teatro (1966)  e Doutorado na Universidade de Ibadan (1977). Casou-se com J. A. Sofola, um professor de sociologia, com quem teve cinco filhos, e com quem viveu até a morte.

Ela foi a primeira dramaturga nigeriana, e teve também uma carreira acadêmica como docente nas universidades de seu país. Foi conferencista na Universidade de Ibadan(1968-1983) e trabalhou na Universidade de Ilorin até 1995, tendo sido a primeira professora de Artes da Performance e reitora da Faculdade de Artes.

Zulu escreveu dezoito peças, em geral sobre temas das tradições e da história nigeriana, e sobre as relações dessas tradições com a modernidade ocidental. Ela enfrentou algumas críticas por ser eurocêntrica demais devido a sua influência ocidental. Suas peças incluem The disturbed peace of christmas (A paz perturbada do Natal (1971), Wedlock of the gods (O casamento dos deuses) (1972), King Emene (Rei Emene) (1974), The wizard of law (O Mago da Lei) (1975), Old wines are tast (Vinhos Velhos são Saborosos) (1981), Memories in the moolinght (Memórias ao luar) (1986), e Song of a maiden (Canção da Donzela) (1991).

Ela pertenceu à primeira geração de escritoras africanas, deu voz às mulheres e à cultura igbo. Suas primeiras peças lamentavam o silenciamento das vozes femininas, sobretudo de mulheres ativas como as de sua sociedade ancestral, como por exemplo a peça Queen Omu Aliko (Rainha Omu Aliko). Ela identificou na emergência da consciência feminina das mulheres africanas um vento de mudança que iria varrer o planeta, por isso criou heroínas femininas que são agentes de mudança, resilientes, vivazes e resolutas em sua busca pela auto-expressão e auto-inscrição.

BIBLIOGRAFIA

GILBERT, Helen e Joanne Tompkins. Post-colonial drama:theory, practice, politics. London: Routledge, 1996.

KOLAWOLE, M. E. M. Zulu Sofola: her life & her works. Ibadan, Nigéria: Caltop Publications, 1999.

KOLAWOLE, Mary. “Zulu Sofola”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 428-429.

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