Constance Magogo Kadinuzulu (1900-1984)

Constance Magogo Kadinuzulu
Fonte da imagem: Princess Magogo, a matriarch and a musician. What I do, see, hear, eat and drink. 04 de ago. de 2013. Disponível em: https://artscomments.wordpress.com/2013/08/04/princess-magogo-a-matriarch-and-a-musician/. Acesso em: 27 de dez. de 2020.

Princesa e rainha-mãe Zulu e compositora musical, nasceu em Nongoma, num momento em que o reino Zulu tinha sido corroído pela guerra civil e pelo colonialismo na África do Sul.  Seu pai passou a maior parte da infância de Constance exilado, tendo morrido em 1913.

Nesse meio de reviravolta política, encontrou consolo na música. Frequentou uma escola de missão Anglicana e em 1923 seu irmão arranjou o seu casamento com o chefe do clã Buthelezi. Foi a décima e principal esposa do Chefe Mathole, com quem teve um filho e duas filhas. Assim, enquanto se aplicava à maternidade também se aplicava às habilidades musicais, servindo como uma imbongi, uma espécie de cantora e tocadora em ritos religiosos.

Sua proeminência nesse meio predominantemente masculino foi marcante. Em 1939 foi gravada pela primeira vez por um etnomusicólogo britânico que reconheceu seu talento, e no período de 1950-1960 suas performances originais e tradicionais passaram a ser gravados regularmente, através da South African Broadcasting Corporation. Foi então que a gravadora lançou suas composições na coleção The Bantu Composers of Southern Africa (Compositores bantu da África do Sul) (1969) e alguns anos mais tarde a Tracey’s International Library of African Music (Biblioteca Internacional de Música Africana da Tracey) lançou o álbum The Zulu Songs of Princess Constance Magogo KaDinuzulu (As canções da Princesa Zulu Constance Magogo KaDinuzulu ) (1973).

No mesmo momento em que Constance alcançava prestígio nacional e internacional como artista, o seu filho conquistava simultaneamente reconhecimento por liderar os Zulus durante o regime do Apartheid. Como rainha-mãe e imbongi, ela reverenciava a ideologia do Partido da Liberdade Inkhata, e quando uma brigada feminina do Inkhata se formou em 1977 ela foi coroada como a heroína das mulheres Zulu.

Constance Magogo Kadinuzulu continuou sendo reconhecida e relembrada por muitos nacionalistas e amantes da boa música da África do Sul e do continente.

BIBLIOGRAFIA

GUNNER, Liz. A royal woman, na artist, and the ambiguities of national belonging: the case of Princess Constance Magogo. Kunapipi: journal of postcolonial studies, v. 24, n. 1, p. 205-223, 2002.

HEALY, Meghan. Constance Maggo KaDinuzulu”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 30-32.

HUSKISSON, Yvonne. The bantu composers of Southern Africa. Johanesburgo: South Africa Broadcasting Corporation , 1969.

RYCROFT, David. Princess Constance Magogo. In: LUCIA, Christine (Ed.). The world of South African music: a reader. Newcastle: Cambridge Scholars Press, 2005.

Última atualização em: 22/01/2021

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