Ativista e médica, nasceu na cidade de Doba localizado no sul da Província de Logone Oriental, no Chade. Seu pai, Jean Kodindo Demba, era oficial do governo em diversas províncias sob autoridade do regime do partido progressista do Chade – PPT – cujo líder era François Tombalbaye (1960-1975). Kondino teve quatro irmãos e irmãs dos mesmos pais, assim como outros(as) quinze irmãos(ãs) nascidos de seu pai e as outras esposas dele.
Por conta da influência do pai e das viagens que ele fazia pela África Ocidental e França, ele insistiu que ela e seus irmãos estudassem. Ao final dos seus estudos secundários, em 1970, Grace recebeu uma bolsa de estudos do governo canadense que a permitiu ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de Montreal.
Em 1977 Grace voltou ao Chade e começou a trabalhar como uma das poucas médicas no país e em 1979 se casou pela primeira vez com Amós Réoulengar, membro do alto escalão do governo ditatorial de Hissene Habré, com quem teve dois filhos. Na época, trabalhou na capital de N’Djamena (1977-1979). Durante a Guerra Civil ocorrida em 1979 ela então trabalhou com uma médica americana no sul do país, e começou a se preocupar em promover melhor acesso ao cuidado ginecológico para mulheres. Nos anos 1980 continuou seus estudos como ginecologista e trabalhou por quatro anos no Sudão Oriental mesmo recebendo uma bolsa da União Europeia para aprofundar os estudos, ela escolheu ficar na África já que ela sabia que encontraria diferentes doenças que não veria na Europa.
Em 1990, participou de um programa de apoio financiado pelo governo da França para fazer diminuir a altíssima taxa de mortalidade infantil no Chade. Por este e outros trabalhos em obstetrícia e Serviço social ela foi premiada pela Universidade de Columbia (2000) e passou a dar cursos na Escola de Saúde Pública Mailman, da mesma instituição.
O seu reconhecimento foi maior após o documentário da BBC Dead mums don’t cry (Mães mortas não choram) (2005), que divulgou a difícil situação das mulheres e mortalidade infantil. Muitas pessoas na Inglaterra arrecadaram dinheiro e uma organização sem fins lucrativos chamada Hope for Grace foi criada. O dinheiro era para programas de saúde das mulheres no Chade e outros países africanos. Essa e outras iniciativas foram muito importantes para os profissionais médicos africanos e um exemplo crucial do papel na mulher no mundo contemporâneo.
BIBLIOGRAFIA
NEILSON, Jim. Panorama; Dead mums don’t cry. BMJ Journals, n. 331, p. 355, 2005: https://doi.org/10.1136/bmj.331.7507.55-a
RICH, Jeremy. “Grace Kodindo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 406-407.
TUBIANA, Marie-José. Parcours de femmes: les nouvelles elites, entretiens, 1997-2003. Paris: Sépia, 2004.
Última atualização em: 22/01/2021
































