Nascida no Cairo, de mãe egípcia e pai sudanês, mudou-se para Cartum aos seis anos de idade e lá viveu até 1987. Frequentou a Escola Americana de Cartum e um escola católica de freiras, onde aprendeu inglês. Mais tarde, estudou na Universidade de Cartum , graduando-se em 1985 em Economia e depois realizou mestrado em Estatística pela London School of Economics (Escola de Economia de Londres).
Em 1990, Aboulela mudou-se para Aberdeen com marido e filhos, quando trabalhou como professora no Aberdeen College e mais tarde como assistente de pesquisa na Universidade de Aberdeen.
Ela é muçulmana devota e seu trabalho ficcional envolve o papel da fé na vida dos seus personagens. Foi na Grã-Bretanha, onde ela se sentiu alienada, que começou a usar o hijab (véu) porque queria demonstrar publicamente a sua fé. Entre 2000 e 2012, viveu em Jacarta, Dubai, Abu Dhabi e Doha . Ela é muçulmana devota e sua fé inspira muito de seu trabalho como escritora.
Seu primeiro romance The translator (O tradutor) (1999), foi indicado ao Prêmio Literário Orange (2000) e ao IMPAC Dublin Literary Award (2001), sendo pré-selecionado para o Saltire Scottish Book Prize (2000). Em 2002 ele foi adaptado para uma série de rádio e transmitido pela BBC Radio 4. Também foi traduzido para o espanhol, alemão, holandês e árabe, e considerado o “livro do ano” pelo New York Times (2006).
O conto The Museum (O museu) (2001) venceu o prêmio inaugural Caine de escrita africana (2000). É considerada a narrativa mais marcada por um posicionamento político de Aboulela, com ênfase aos discursos coloniais na África. Esta obra também foi adaptada e transmitida em programa de rádio pela BBC Radio 4. Outras peças para rádio incluem The Mystic life (A vida mística) (2003) e o drama histórico The Lion of Chechnya (O leão da Chechênia) (2005).
O seu segundo romance, Minaret (Minarete) (2005) foi apreciado pela crítica inglesa, e em The Kindness of Enemies (A bondade dos inimigos) (2015) ela retratou na ficção a vida do imã Shamil, que uniu as tribos do Cáucaso para lutar contra a expansão imperial russa. Ela também é autora de contos, publicados em diversas coletâneas, e é colaboradora da antologia New Daughters of Africa (Novas filhas da África) (2019), editada por Margaret Busby.
Sua obra de ficção de Aboulela põe em evidência a marginalização da mulheres norte-africanas e muçulmanas na Grã Bretanha e as causas do patriarcado Ocidental e Islâmico, bem como a má compreensão das diferenças culturais e religiosas. Ela afirma o caráter transnacional do Islã, ressaltando o papel da identidade africana, e, mais particularmente, sudanesa, na constituição da memória e identidade de seus/suas personagens ficcionais.
BIBLIOGRAFIA
HASSAN, Waïl S. Leila Aboulela and the Ideology of muslim immigrant fiction. Novel: a forum on fiction, v. 41, n. 2/3, pp. 298–319, 2008.
ABBAS, Sadia. Leila Aboulela, religion, and the challenge of the novel. Contemporary Literature, v. 52, n. 3, p. 430-461, 2011.
STEINER, Tina. “Leila Aboudela’. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 48-49.
Última atualização em: 28/01/2021
































