Mosadi Seboko (1950)

Mosadi Seboko
Fonte da imagem: SETSWANA, Lobebe lwa Poko Ya. 21 de jun. de 2018. Facebook: Lobebe lwa Poko Ya Setswana. Disponível em: https://www.facebook.com/ThutoPrinceMosomane/photos/a.1700711443296896/1999216276779743/? type=3. Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Primeira mulher a se tornar chefe suprema em Botswana, é a filha mais velha do kgosi (chefe supremo; rei) Mokgosi III.  Mosadi, que se traduz como “mulher” na língua setswana, nasceu em Ramotswa, uma aldeia a cerca de 32 km ao sul da capital, Gaborone, que é também a capital do grupo étnico Balete ou Bamalete.

Ela realizou os estudos no Colégio de Moedin, na aldeia de Otse e na Escola de Ultramar de Cambridge, onde se formou em 1969. Na juventude, começou a trabalhar para ajudar a mãe e os(as) sete irmã(o)s, uma vez que, depois que o pai morreu (1966) a regência passou ao irmão dele. Entrou no Barclays Bank (1971-1995) onde se tornou gerente e administradora de departamento, e depois foi gerente em um escritório em Broadhurst (2001).

 Quando o tio dela morreu (1996), a função real passou ao seu irmão, que foi nomeado como chefe supremo como kgosi (rei) Seboko II, e após a morte deste em 2001 sem deixar herdeiros os tios paternos indicaram um primo dela alegando que as mulheres não serviam para serem chefes supremos.

Tradicionalmente as mulheres eram autorizadas a participar nas assembleias de aldeia (kgotlas) apenas se fossem convidadas a fornecer informações ou evidências em processos judiciais, como testemunhas, mas poderiam, no entanto, servir como regentes. Seboko desafiou o costume e, com o apoio da mãe e das irmãs, assumiu a regência. Estando na função, desafiou uma vez mais as tradições e exigiu que fosse nomeada como chefe supremo, uma posição que ela argumentava ser legitimamente sua, e tomou como base a Constituição do Botswana, que proíbe qualquer forma de discriminação, inclusive de gênero.

Mosadi foi apoiada em suas demandas pelo movimento de mulheres representado por Emang Basadi, um grupo de ativistas e políticos de alto escalão, incluindo mulheres ministras de gabinete. Em dezembro de 2001, em uma reunião em Ramotswa com centenas de representantes da etnia Balete, a corte real a elegeu como a primeira chefe suprema feminina, e o ministro do governo local de Botswana, Dr. Margaret Nasha, aprovou sua nomeação. Em 7 de janeiro de 2002 Seboko assumiu oficialmente a posição de chefe supremo dos Balete e prestou juramento na Ntlo-ya-Dikgosi (Casa dos Chefes), uma assembleia consultiva de grande influência e dotada de poder de decisão em certas matérias.

No dia 03 de agosto de 2003 ela foi instalada como Kgosigadi (chefe) Mosadi Seboko em uma cerimônia em que compareceram mais de trinta mil pessoas. Devido à grande repercussão assumida pela controvérsia o próprio presidente e o alto escalão do governo compareceram. Ela foi envolta em uma pele de leopardo e recebeu uma lança e um escudo, símbolos de poder da monarquia tradicional.

Seboko preside a corte tradicional dos Balete, resolvendo determinados processos judiciais, e representa os interesses de seu povo junto ao governo federal. Em 2010 ela esteve à frente de um grupo no Supremo Tribunal de Lobatse para defender os seus direitos contra as violações promovidas por uma grande empresa de extração de pedras. Ela defendeu o empoderamento das mulheres e é reconhecida como um símbolo delas, e sua instalação no poder foi vista como um grande passo em frente para as mulheres no Botswana.

BIBLIOGRAFIA

LESLIE, Agnes. “Mosadi Seboko”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 316-317.

MATEMBA, Yonah Hisbon. A chief called “Woman”: historical perspectives on the changing face of Bogosi (chieftainship) in Botswana, 1834-2004. JENDA: a Journal of Culture and African Women Studies, v.7, 2005.

Última atualização em: 22/01/2021

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